PRESSÃO DECRESCENTE NO PAÍS PARA VIAGENS
AÉREAS
Se é verdade, como é, que em geral a gente viaja após ter
satisfeito outras necessidades mais importantes, as previsões deste ano, relacionadas
com a demanda em vôos domésticos e internacionais, não deveriam ser as mais otimistas.
De fato, enquanto a crise econômica em vários países do exterior deverá frear
os embarques da Europa e dos Estados Unidos, no Brasil haveria outros motivos
conjunturais com potencial para frear a demanda . Deve ser lembrado que no
Brasil o crescimento dos embarques nos últimos dois anos, teve nas classes C e
D – até então pouco representadas no movimento aéreo – as participantes mais
destacadas.
Fala-se em milhões que teriam tido acesso aos prazeres
das viagens aéreas, devido às melhorias salariais e à evolução positiva de suas
atividades produtivas. Houve,de fato,progressos conjunturais, que segundo a
propaganda oficial teriam tirado da miséria modestos trabalhadores e oferecido
opções de lucro a categorias até então confinadas nos limites de receitas
insuficientes até para suas necessidades diárias.Difícil é apurar os limites, o
número e o impacto real desse “progresso social”, favorecido por uma política
governamental de distribuição de subsídios, que oneraram e oneram o país com o
gasto de bilhões de reais.Sem dúvida eles expressam uma sensível política
social, que todavia ainda tem um longo caminho a percorrer, pois os que ainda
não participam dela totalizam muitos milhões.
As várias formas de incentivos abriram para parte das
classes menos favorecidas horizontes desconhecidos, que para alguns incluíram o
fogão e a geladeira, para outros objetivos mais sofisticados: como as viagens aéreas.
Mas com um lado negativo, quando as compras exigiram a assinatura de duplicatas
que as vezes vinculavam pagamentos vindouros por várias dezenas de meses.De
fato, o ser humano é por natureza insatisfeito e, após alcançar a satisfação de
necessidades primárias, costuma se tornar mais exigente, as vezes sem limites.
E acaba se comprometendo, até acima de suas possibilidades econômicas reais:
esse poderia ser o significado dos 21% de inadimplentes, que segundo as
estatísticas oficiais no mês passado deixaram de cumprir suas obrigações pelos
créditos recebidos, inclusive financiamentos de parte dos integrantes da
indústria turística, quais as empresas aéreas, os organizadores de viagens, os
agentes.
Vai se difícil para quem não pagou suas promissórias
conseguir outros créditos em 2012. Este poderia ser o “share” de usuários que faltará neste ano ao segmento econômico das
viagens aéreas ,ainda mais considerando o aumento dos preços em todos os setores, bem
acima do porcentual de crescimento do salário mínimo e dos outros índices de
referência oficial.
Os resultados de novembro nas rotas domésticas,
divulgados com atraso pela Anac, informam que o crescimento dos embarques, na
comparação com o mesmo mês de 2010, foi de 9,62%%. O índice estaria indicando uma
sensível redução , considerando a média de aumento anual de 16,63%,entre
janeiro e novembro, que evidencia a presença de numerosos índices de dois
dígitos, entre os quais abril alcançou 31,45% .Os dados de novembro alteraram
não somente a previsão de crescimento do ano ( agora em volta de 18% ) como
também afetaram as estimativas para 2012, rebaixada do original 15% para cerca
de 10%.Mas, segundo analistas, em vista das incertezas econômicas globais,até
esse índice poderia exceder o resultado final, se forem somados os problemas da
Europa e dos Estados Unidos às considerações sobre o potencial de usuários
nacionais,supostamente reduzido pela forçada ausência dos inadimplentes .De
outro lado poderia haver a expansão do crescimento dos embarques na rotas para
e do exterior,favorecida pelo vigor do tráfego vindo da Ásia/Pacífico, cujas
empresas pretende aumentar a sua presença no país.
Por enquanto, no setor doméstico Tam e Gol competem pela
liderança: a Tam alcançou 41,22% em novembro (contra a Gol 37,65%), mas está
sendo previsto que tão logo seja autorizada a fusão da congênere com a WebJet (que
em novembro transportou 5,87% do tráfego nacional) a empresa de Constantino Jr.
poderá se consolidar no primeiro lugar. A seguir ,na classificação de novembro aparecem
a Azul, com 8,45% de embarques ,a Trip (3,15%) e a Avianca (3,06%). Houve
redução da taxa de ocupação da indústria para 67,05 % que representou também um
sinal de desaceleração dos embarques, num mercado que em novembro expandiu de
10,37% a sua oferta, totalizando para os primeiros 11 meses 13,33%, com um load factor geral de 70,16%.
O setor internacional registrou em novembro, em relação
às empresas nacionais que operam para o exterior, um aumento de 4,44% no numero
de embarques (11,9% no acumulado dos 11 meses) e de 8,35% na oferta, com um
índice de ocupação de 79,02%%: a Tam ficou com 88,02% do mercado, a Gol com
10,7%%, a Avianca com 1,26%.