APESAR DE TUDO, A GOL ESTÁ OTIMISTA

 

O empresário Constantino de Oliveira Jr., Presidente da Gol desde sua fundação em 2001 (antes foi diretor do Áurea, grupo de transporte rodoviário), concedeu uma entrevista a “O Estado de S. Paulo”, um dos jornais do país de maior circulação e prestígio. Admitiu ter tido dificuldades,reconheceu erros,mas fez questão de divulgar uma imagem de confiança no futuro da aérea . Com bastante otimismo, ele focou em particular a necessidade de uma trégua na guerra de preços das passagens e contou o que espera da compra da WebJet e da venda de ações à Delta americana.

Ele atribuiu a deterioração tarifária à “super oferta” de assentos no mercado, que se verificou com a entrada da Azul e o crescimento da WebJet, além que pela utilização de mais aeronaves de parte da Gol e da Tam. Isso causou conseqüências negativa sobre os resultados operacionais, que espera não se repitam neste 2012. De fato é improvável que este ano o mercado tenha os mesmos estímulos de 2011,que em maio o fizeram crescer 30% em comparação com 2010.

A Gol aumentou a sua oferta de 7% no ano passado, mas neste 2012, juntando Gol e Webjet (cujas rotas estão sendo integradas) deverá manter o mesmo número de assentos /km ofertados ou, no máximo, chegar até 4% de crescimento. Segundo Constantino Jr. a aquisição da WebJet permitirá à Gol utilizar aviões próprios ( supostamente excedentes) para renovar a frota de velhos 737-300 dessa aérea,ocupando os respectivos slots em aeroportos como Guarulhos,S. Dumont, Brasília e Confins. Depois da idéia inicial de fusão, ficou decidido que a WebJet terá administração própria e se apresentará como uma empresa “ultra low cost”, sem dependência da Gol. Isso poderá significar que ela passe a preencher, a preços menores,rotas para determinados aeroportos (que no exterior seriam chamados de secundários) em horários não de pico.Mas não serão operações regionais,nem para mercados de menor densidade, nem haverá a repetição do equívoco que aconteceu quando a Gol tentou criar um seu braço internacional,operando para os sete destinos que haviam pertencidos à Varig.Na época surgiu uma série de problemas e a empresa perdeu muito dinheiro.

O presidente da Gol excluiu que a parceria que a Delta conseguiu, pagando ágio de quase 50% sobre o valor das ações brasileiras, tenha outros objetivos além dos comerciais, decorrentes do aumento do número de destinos que a Delta venderá no Brasil, a serem compensados com a abertura do mercado americano para a empresa brasileira. Mas essa versão não convenceu totalmente o repórter de “O Estado de S. Paulo”, que perguntou se para isso não teria sido suficiente um acordo comercial e por qual motivo a Delta ficou com uma cadeira no Conselho da Gol: esses fatos levantaram suposições sobre futuros “avanços” da companhia americana na Gol, que seriam facilitados pela possível aprovação pelo Congresso brasileiro de normas que admitiriam a formação no país de empresas aéreas com até 100% de capital estrangeiro. Em resposta Constantino jr. afirmou que a Gol não está pensando em vender a companhia para a Delta; que a provável presença no conselho da Gol do presidente da Delta, por seu gabarito, “só agrega”; e que a nova lei não alteraria muito a conjuntura, pois “tem companhias no mercado que são controladas por estrangeiros” como é o caso da Azul e da Tam, sendo que “existem mecanismos para driblar essa questão do capital estrangeiro”. E disse que não está preocupado pela caída de 50% das ações (“que reflete o momento da empresa, que coincide com o momento ruim da Bolsa”) ou pela perda de participação de mercado de sua empresa, ainda mais que juntando Gol e WebJet “a perda é marginal”. Ele quer evitar que, tendo nascido enxuta, a aérea se torne gorda, pois a sua gestão financeira preza a “cultura de custos e qualidade”. Aliás,nos últimos dois anos  tudo está sendo feito para que a Gol volte à sua essência.

No final, o entrevistado admitiu que o fechamento das rotas na Europa ao longo de um ano de operações inchou a aérea, alterou o seu equilíbrio. Mas há dois anos que a Gol “vem trabalhando... para rever processos e voltar aos trilhos”. Com certeza, apesar das adversidades, ela poderá novamente “dar retorno sobre o capital investido e ter margens maiores”, pois possui fundamentos sólidos e continua sendo uma empresa respeitável. Pessoalmente, Constantino Jr., continua “acreditando na aviação, principalmente no mercado doméstico.”

(As admissões do presidente da Gol evidenciam que a crise de 2001 agravou as marcas financeiras negativas da empresa, que todavia não tem a mínima idéia de se entregar.E levantam a suspeita de que o entendimento com a Delta terá um papel nada secundário na sua luta para “voltar aos trilhos”.N.d.R.)