TURISTAS PROCURAM NO EXTERIOR PREÇOS QUE NÃO
ENCONTRAM NO BRASIL
O dólar agora se valorizou demais, o real estava
sobre-valorizado, as taxas de câmbio eram ótimas para viajar, tudo custa mais
barato em Nova York: com tudo isso mais de um milhão de brasileiros continuam sendo
aguardados até o fim do ano por hoteleiros e comerciantes americanos, que os
consideram turistas preciosos, pois lá fora eles gastam em média cerca de US$ 6
mil per capita. Em 2010, oficialmente, segundo os dados a disposição do Banco
Central, o turistas nacionais gastaram mais de US$ 10 bilhões em suas viagem
para o exterior.
Com essas informações é fácil prever que, apesar do
aumento da taxa de câmbio, o fluxo turístico para os Estados Unidos continuará intenso,
assim como o crescimento das despesas no exterior por parte dos viajantes
nacionais. Cabe a este ponto perguntar se, caso o governo moderasse o valor de
seus impostos sobre a produção do país, os gastos no exterior que oneram sempre
mais a sua balança internacional seriam menores.
O Banco Central dedicou bilhões de reais á compra de
centenas de bilhões de dólares de títulos americanos, (e gasta agora milhões
para manter essa conta), visando proteger o câmbio do real, mas foi pego de
surpresa pela recente crise de confiança internacional na solidez bancaria global,
que fez os investidores voltarem aos títulos do governo dos EUA. E com o imprevisto
aumento da taxa de câmbio do dólar, devido ao seu reflexo nos preços de vários
produtos, se acelerou no país a procura de compras no exterior, pois os preços
brasileiros continuam muito maiores daqueles cobrados nos Estados Unidos e em
vários outros países.
Não se trata somente da produção industrial, pois o
excesso de taxas é geral Não é fácil entender, por exemplo, por qual motivo a
gasolina de aviação vendida pela Petrobrás é mais cara daquela de outros mercados,
inclusive quando não é importada, apesar da existência no Brasil de enormes reservas
de petróleo bruto, em todos os níveis marítimos. E por isso, os serviços aéreos
nacionais, atingidos pelo custo mais elevado do querosene que adquirem no país
(e que representa cerca de 30% de seus custos operacionais) não somente devem
aplicar tarifas por km/voado maiores, mas também tem sua rentabilidade afetada por
impostos injustificados.
Mas não é o fator petróleo que faz muitos brasileiros
viajarem para os EUA e reduz o número de estrangeiros que visitam o Brasil: são
os preços da maioria dos produtos comercializados no país. Eles são mais caros,
devido ao sistema tributário que onera primeiro os custos das empresas e depois,
na fase de comercialização, adicionas mais taxas que incidem nos preços finais
de venda. Levantamento recente, realizado pelo “Movimento Brasil Eficiente”,
comparou os preços cobrados em vários países, inclusive no Brasil, numa cesta
de 30 produtos: a conclusão, sem exceções, foi que no Brasil seu preço é em
média 30% maior. De acordo com os coordenadores da pesquisa, ”devido ao oneroso
sistema tributário nacional os produtores perdem competitividade e os
consumidores pagam muito mais”. O absurdo é demonstrado num gráfico que
apresenta os custos dos 30 produtos, que incluem desde uma caixa de fraldas até
livros, tênis, automóveis e jogos eletrônicos: tomando como índice médio 100,
seu valor chega a 131 no Brasil, enquanto na França e Austrália totaliza 120, na
China 90 e nos Estados Unidos 78.
Deve ser enfatizado que, tendo aplicada no levantamento
uma taxa média de câmbio de R$ 1,85 por dólar (favorável ao real), foi menor a
diferença porcentual para mais cobrada em média no Brasil, na comparação com o
preço de cada produto em outros países. Assim mesmo, por exemplo, no Brasil um
par de tênis Nike custa 92% mais caro, um livro 34%%, um automóvel Hyundai
Santa Fe 88%%, um videogame sofisticado 168%. Cerca de uma terceira parte da
diferença no preço dos tênis corresponde à taxa cobrada pelo governo; cerca de
40% (atualmente elevada acima de 60%) é o valor da taxa governamental que pesa
no preço dos carros importados; 15,52% incide sobre os livros.
Passando à longa lista de produtos de consumo ou de
serviços, são mais clamorosos os excessos das taxas pré-cobradas pelo governo.
Entre elas, só por curiosidade, vale citar: taxa de 43,91% sobre a água mineral,
de 54,80% sobre a cerveja; de 38,53% sobre uma calça jeans; de 47,08% sobre a
conta de luz; de 34,99% sobre um caderno universitário; de 28,36% sobre um colchão;
de 22,32% sobre uma passagem aérea; de 45,93% sobre uma bicicleta; de 34,00%
sobre uma escova de dentes.
Segundo os analistas, para compensar o ônus do regime
tributário sobre os preços, o câmbio da moeda americana deveria se aproximar a
R$ 2,5. Mas essa valorização teria efeitos negativos sobre os preços dos
produtos importados, se refletindo sobre a inflação.Por isso, os consumidores
brasileiros devem apenas torcer para que, no médio prazo, haja uma revisão
ampla do regime tributário, sendo eliminada a cobrança cumulativa, “em
cascata”,sobre os produtos exportados e reduzidos os valores das taxas que
incidem sobre os preços internos de
produtos e serviços.Aí não terão mais sentidos muitas das compras que são
feitas atualmente no exterior pelos
viajantes.
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