TRANSPORTE DE CARGAS É TAMBÉM UM PROBLEMA
Em mais um de seus estudos econômico, desta vez dedicado
ao transporte aéreo de cargas, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social verificou que os embarques de mercadoria são feito em grande parte nos porões
dos aviões de passageiros. Como conseqüência, com o crescimento do tráfego de
passageiros aumenta também a disponibilidade de espaço para a carga.No último
ano, segundo as estatísticas da Anac,passaram pelos aeroportos brasileiro 155,36 milhões de passageiros com um
crescimento de 23,47% em comparação dom 2009, quando o tráfego já havia
registrado um aumento de
17,63%.Considerando o crescimento do número de passageiros transportados
no período,o aumento das cargas embarcadas foi porcentualmente menor, passando
de 1,22 milhão de toneladas para 1,25 milhão de toneladas em 2010.
Segundo estatística da Infraero, somente os setores
internacional regular e os vôos charters tem registrado na comparação entre
2009 e 2010 aumentos no embarques de cargas, enquanto houve flexão no setor
regular doméstico, compensada pelo crescimento dos índices dos vôos não
regulares. Os dados são bastantes expressivos: os embarques em vôos
internacionais operados por empresas regulares passaram de 445,8 mil toneladas
para 524,1 mil enquanto outro aumento se verificou nos vôos charters, que
embarcaram 119,5 mil toneladas em 2010, contra as 78 mil toneladas do ano
anterior.
Já no setor doméstico os voos regulares demonstraram ter
problemas de capacidade ou de tarifas, pois perderam cerca de 35 mil toneladas
de embarques, transportando 500,3 mil toneladas, contra 535,7 em 2009. Em
compensação os vôos não regulares carregaram 41,5 mil toneladas a mais em 2010,
embarcando mercadorias por 119,5 mil toneladas.Assim, no total, somando os
setores domésticos e internacional em 2010 o transporte de cargas no país
passou de 1216,5 mil toneladas para 1324,1 mil toneladas no ano passado . Entre
os fatores que reduziram o aproveitamento dos porões nos vôos domésticos,
assumiram importância os problemas enfrentados pelos Correios, que cancelaram
contratos para o transportes de correspondência que no passado contribuíam ao
bom aproveitamento dos porões dos voos noturnos. Parece que este ano, com a
reestruturação em fase inicial, os Correios poderão até criar uma frota
cargueira própria que será dedicada exclusivamente à distribuição pelo país dos
milhões de cartas e de encomendas que atualmente sofrem, em certas localidades
do país, enormes atrasos de entrega.
De outro lado, sem
dúvidas o aumento dos embarques de passageiros representou um freio para o
crescimento do transporte de cargas, mas há também a ser considerado o fato que
nove dos principais aeroportos (entre os quais Viracopos foi o mais produtivo,
chegando à media de quase 3,5 toneladas por vôo) evidenciaram em 2010 falhas
estruturais, agravadas pelo fato de estarem operando cerca de 35% acima de sua
capacidade. E no setor de cargas o atendimento eficiente é mais complexo e
longo de que os check-in dos passageiros.Começa com a necessidade de pátios
pare o estacionamento dos caminhões,e exige estruturas mecânicas para
transportes e carregamento dos containers
, chegando aos depósitos indispensáveis nas fases de pré-embarque e de
descarregamento.Considerando a escassez de espaço párea atendimento aos
viajantes nos 15 principais aeroportos do país, que representam segundo
pesquisa da consultoria Bain&Company
84% da demanda para e a urgência de serem criadas novas áreas dedicadas
aos serviços de passageiros, parece bastante complicado poder disponibilizar
também maiores cuidados ao setor de cargas.
Com índices influenciados pela conjuntura econômica, as
cargas contribuem anualmente a alimentar o fluxo de exportações e importações
dos produtos de maior valor, e representam receitas valiosas para a
rentabilidade operacional das empresas aéreas. Diante da previsão de crescente
insuficiência da capacidade dos aeroportos para o seu atendimento, talvez seja
este o momento de – ao refazer os projetos de acordo com novas projeções de
urgência e de capacidade – seja reservado espaço adequados, em termos de
potencial de atendimento , também ao transporte aéreo
das cargas domésticas e internacionais.