TARIFAS AÉREAS ELEVADAS EVIDENCIAM FALTA DE
CONCORRÊNCIA
Não seria necessário recorrer ao Centre for Aviation, como
fez o jornal Valor Econômico, nem
consultar o levantamento feito pelo Núcleo de Economia dos Transportes, do
Instituto Tecnológico de Aeronáutica, ITA, ao qual recorreu a Folha de S.Paulo, para verificar que a
Ponte Aérea Rio/São Paulo é a mais cara do mundo, comparada com as rotas de
características parecidas, operadas em outros nove países e, também, que no
Brasil os vôos com escalas intermédias custam mais que os vôos diretos.
Não é a distância entre Rio e São Paulo que impõe o
preço. Basta comparar as distâncias de outras pontes, em outros países, para
confirmá-lo. A distância coberta pela Rio/São Paulo é de 415 km e a passagem
chega a custar R$ 979,90 (US$ 558,41) enquanto, por exemplo, a Toquio/Sapporo
tem uma distância de 828 km e o bilhete custa o equivalente a R$ 586,62,ou US$
334,44.Na Índia, para voar de Nova Déli para Mumbai (1.158 km) o viajante paga
o equivalente a R$ 290,96, ou US$ 165,88 ,enquanto na Europa, a ponte entre
Madri e Barcelona , de 505 km, é voada por R$ 195,12,correspondentes a US$
111,24.Neste último exemplo,numa distância maior 20% aquela entre o Rio e São
Paulo, os espanhóis pagam uma tarifa 80% mais barata daquela imposta por
Tam,Gol e Avianca aos usuários brasileiros da Ponte Aérea.
É fácil descobrir as causas da excessiva carga tarifária
da Rio/São Paulo, e vice-versa: 1) Congonhas tem capacidade pequena para
movimentar vôos rotativos suficientes para atender a demanda nas horas de pico;
2) os melhores e mais numerosos slots
em Congonhas e no Santos Dumont estão com a Gol e com a Tam, que praticamente
dividem entre elas o tráfego diário: a Tam está com 47,5% de share e a Gol com 43%. Mas a utilização
da oferta, que na média é de respectivamente 57% e 65%, é prejudicada pelas
horas da manhã e da tarde nas quais as duas operam com um aproveitamento muito
baixo, devido ao fato que a base do tráfego na Ponte é representada pelos
homens de negócios, que voam de manhã cedo e voltam nos horários de 17h em
diante. Menor ainda é o load factor médio da Avianca, que ficou
com o restante 9,3% do tráfego da Ponte.
O virtual monopólio da Ponte Aérea de parte da Tam e da Gol,
decorrente da impossibilidade de aumentar o espaço físico de Congonhas e o
número de slots em horário nobre para
utilização das restante congêneres, frustra qualquer possibilidade de competição
na rota e, portanto, causa as elevadas tarifas que são pagas pelos usuários.
Com mais de meio século de existência, tendo oferecido em
2010 nada menos que 5,7 milhões de assentos, a Ponte Aérea, que em 1959 foi
assim batizada por Ruben Berta, o ex-presidente da Varig, já atravessou
períodos nos quais três empresas - que se juntaram para oferecerem vôos de hora
em hora e sem necessidade de endosso se a passagem era da Cruzeiro do Sul, da
Vasp ou da Varig - tem proporcionado aos usuários serviços memoráveis, graças
também ao lendário Electra, o turboélice ainda hoje lembrado pelo espaço a
bordo e pela tranqüilidade de seus vôos. A Ponte, que atravessou firme épocas
de crise econômicas e de ditadura, atualmente, num período de expansão do
mercado aéreo nacional, precisaria de mais empresas competidoras para se manter
à altura do crescimento econômico do país. Além de facilitar as atividades econômicas e turísticas com
tarifas menores, estaria se preparando também para atender o suposto grande
fluxo de embarques que será causado pela Copa do Mundo e pelas Olimpíadas.
Nessa revisão, que começaria com a abertura a mais
empresas dos vôo na Ponte e com a conseqüente redução de preços, deveria ser
incluída também a eliminação de outro absurdo: o aumento tarifário cobrado nos
vôos com escalas. De fato ,os viajantes não conseguem entender porque devem
pagar mais caro para chegar ao seu destino, se o vôo escolhido faz uma ou mais
paradas ao longo da rota.Ele entende que, por ser um voo mais demorado,que às
vezes inclui a troca de avião e outros inconvenientes para os passageiros,deveria
pagar menos pelo incomodo e não, como acontece, cerca de 30% a mais.As empresas
alegam que mais paradas e decolagens aumentam o consumo de combustível , além
de acrescentar outros gastos com tripulantes e nos aeroportos, mas esquecem de
contar que o stop adicional é compensado pelo embarque de mais passageiros e
que, em todo caso, foi decidido pela empresa, por sua conveniência.Talvez este
seria o momento certo para acabar com esses tipos de abusos.