TAM CONTA SUAS NOVIDADES

 

Numa entrevista a Alberto Komatsu, publicada pelo Valor Econômico, a Tam contou algumas novidades que apresentamos a seguir, data veia do autor do texto e do jornal que as hospedou com destaque

Os “contadores” foram os irmãos Maria Cláudia e Maurício Amaro, os filhos do fundador da empresa, comandante Rolim Amaro, que antes de falecer num desastre aéreo soube valorizar uma indenização recebida, transformando a modesta Taxi Aéreo Marília numa companhia regular, que em breve tornou-se firme competidora da Varig, Vasp e Transbrasil com o nome Tam Linhas Aéreas. Mas foram anos difíceis, nos quais o que mais valia na Tam era a fibra de Rolim Amaro, seu entusiasmo para lutar contra congênere muito mais conhecidas e estruturadas. Passo a passo a nova aérea conquistou um espaço na indústria de transportes aéreos, viu as três grandes desaparecer do horizonte nacional e atravessou sua grave crise, quando ficou com as rotas européias da Varig sem ter experiência de vôos internacionais.

Atualmente, enquanto compete com a Gol e com as empresas menores nas rotas domésticas e administra com muita prudência seus vôos internacionais, concentra seus maiores esforços na fusão com a Lan chilena, com o objetivo de transformar a futura Latam na maior empresa latino-americana, com frotas e estrutura para enfrentar as macro-aéreas estrangeiras.

Os entrevistados confirmaram a Komatsu que falta apenas a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Cade, esperada para o primeiro trimestre de 2012, tendo já sido programada para abril a assembléia dos acionistas dedicada à troca de ações com a Lan. Os Amaro são confiantes de que os acionistas minoritários não levantarão restrições ao processo de troca, apesar de terem circulado criticas à formula de intercâmbio,considerada por alguns desvantajosa para a Tam .Fala-se assim num índice de rejeição que segundo Maurício Amaro não iria além de 2,5%,assim como não deveria ter sido alterada, em decorrência aos problemas financeiros globais ,a relação de 0,9 entre as ações da Lan e aquelas da empresa brasileira.

Desde agosto de 2010 a fusão com a aérea chilena absorve a maior atenção e esforço dos executivos da Tam, por representar a coroação de um sonho de décadas passadas que, devido às excelentes relações com a família Cueto, maior acionista da Lan, já havia sido alimentado pelo comandante Rolim. Mas há também  outros problemas estruturais desafiando atualmente os Amaro.Entre eles,não agradou à Tam ter perdido pela Gol a liderança na participação de tráfego do mercado doméstico : era um trunfo que vinha desde a falência da “velha” Varig e que dificilmente será reconquistado, se a Gol realizar em dezembro  a fusão com a WebJet que está sendo examinada pelo Cade. Oficialmente sobrou apenas o code-share com a Trip, sendo que para o momento a Tam teria desistido de absorver a empresa, pois houve “mudança no mercado, no câmbio e no combustível que afetou o balanço de ambas as empresas”, sendo que por isso, afirma Maurício na entrevista, “colocamos o processo em compasso de espera”. Isso não exclui que a Tam aspira a recuperar a liderança, provavelmente sem esquecer a presença da Azul, a mais coerente e decidida das empresas menores. Com sua frota ad hoc, toda de aviões pequenos por enquanto, a aérea mais nova com cerca de 10% de participação, possui um potencial de predomínio nos mercados menores que causará mais mudanças estatísticas se Tam e Gol permanecerão marginalizadas nesse segmento, teoricamente representativo da classe D.

Para cuidar do mercado doméstico a Tam decidiu criar uma nova vice-presidência, que será a responsável exclusiva pela rede nacional. De fato as interferências atuais com o mercado internacional seriam prejudiciais a uma política mais dinâmica em relação aos vôos da rede doméstica.A maior novidade anunciada sobre o titular da nova vice-presidência , foi que ele não pertencia ao setor aéreo.De fato, no fim de semana foi divulgado em comunicado o nome escolhido : Cláudia Sender, atual vice-presidente de marketing da Whirlpool, proprietária das marcas Brastemp,Consul e KitchenAid, que deverá assumir a sexta vice-presidência da Tam a partir de 15 de dezembro.

Quanto ao segmento internacional da Latam, “essa área das duas empresas será concentrada numa unidade de negócios que responderá para ambos os lados”. Mas os aviões brasileiros voarão com seus logotipos Tam, a matricula brasileira e sua  tripulação serão as mesmas ,sendo possível , afirmam os irmãos Amaro,que os passageiros nem percebam a mudança causada pela fusão. Por último, a manutenção de aviões e a Tam Viagens serão transformadas em unidades de negócios subordinadas à holding Tam S.A. deixando de responder diretamente  à empresa aérea por suas atividades.