QUANDO A HIPERINFLAÇÃO NÃO DAVA TRÉGUA

 

Tem inflações históricas como aquela alemã, após a primeira guerra mundial perdida, relativamente curta mas causadora de enormes tensões políticas e de um novo conflito global. Bem diferente da tragédia econômica que chegaria décadas mais tarde no Brasil, país que havia vencido a II Guerra Mundial ao lado dos aliados. Até 1994, quando foi lançado o Plano Real , ele viveria dominado por uma hiperinflação que chegou a incríveis 13,342 bilhões por cento.

Foi um penoso caminho e os adultos demoraram para esquecer as lembranças daqueles longos meses e anos,quando os salários se desvalorizavam em continuação , e os preços dos alimentos subiam sem tréguas, quando o dinheiro perdia seu poder de compra de um dia para outro e parecia não haver mais futuro para os brasileiros,tensos na luta para a sobrevivência. O pais estava dominado pelo descontrole fiscal e pelo ônus da dívida externa e se havia entregue ao jogo perigoso da correção monetária.

Na época, a atual inflação de 12 meses se registrava num mês, ou menos, e se acumulava alcançando índices que, a partir de 1979, foram manipulados por 16 ministros da Fazenda: entre 1986 e 1991 eles lançaram cinco Planos Econômicos diferentes e trocaram seis vezes nomes e valor da moeda nacional. Após o Plano Real,em julho de 1994 ,ao longo dos quinze anos que chegam a dezembro de 2009 a inflação acumulada totalizou 196,87%, índice que reflete mais os efeitos de crises externas, do que problemas relacionados com a administração do país. No mesmo espaço de tempo,entre 1979 e 1994 , a hiperinflação  havia totalizado 13 trilhões e 342 milhões......

Hoje, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, a inflação acumulada dos últimos 12 meses chegou a 7,31%%, o mais alto desde 2005. Em particular,em 2011, com o índice de aumento de setembro (0,53%) o inteiro ano totalizou 4,97% , contra 3,60% para o mesmo período de 2010. Apesar de relativamente baixo, o índice inflacionário deste ano é visto com preocupação pelos mais prestigiosos economistas do país. Segundo eles , quaisquer que sejam as causas da inflação ,a redução de seus índices, na atual conjuntura econômica global , poderá demorar e ter reflexos negativos inesperados em setores que o país havia consolidados ao longo dos anos de bonanza.

A ameaça não foca a possibilidade dos brasileiros ter que enfrenta com o real os macro-problemas do passado, já esquecidos. Mas se a inflação significa preços mais altos e menor poder de compra, ou seja alteração no equilíbrio econômico, poderá se tornar urgente a necessidade no curto prazo de atualizações salariais que, ao onerar os custos de produção, podem dar início a um processo de aumentos seriais formadores de novos patamares inflacionários.

Assim, se de um lado parece certo que a maioria dos brasileiros estão vacinados contra a inflação, do outro não pode ser ignorado que no atual mundo globalizado há itens do processo inflacionário que driblam os controles dos governos. Essas incógnitas parecem ter sido avaliadas pelas autoridades do país, apesar  da surpresa causada pela valorização imprevista da taxa de câmbio do dólar: há declarações explicitas de executivos do Banco Central e do Ministério da Fazenda que anunciam para este último trimestre do ano a contração espontânea de preços, em particular no segmento alimentar, um dos mais sensíveis às variações conjunturais.

Na prática, para os brasileiros pouco importaria se o índice do ano, que chegou a 4,97% no mês passado, ficar algo acima do 6,5% fixado pelo governo: seria o bastante que os preços perdessem o impulso para o crescimento.