POSSÍVEIS REFLEXOS DA ALTA DO DÓLAR NO MERCADO
AÉREO NACIONAL
A subida repentina do cambio do dólar surpreendeu o
mercado, que há anos via o valor da moeda americana declinar lenta mas
continuamente.Nas últimas semanas, antes da inesperada reação ,a taxa de câmbio
tinha chegado a menos de R$ 1,55 e segundo os “entendidos”, usuários
permanentes da bola de cristal , havia a previsão de que até o final do ano o
dólar baixaria em volta de 1 real e cinqüenta centavos. Ainda mais após que a economia
dos Estados Unidos havia sofrido o primeiro rebaixamento de sua história por
parte de uma das “três irmãs”, entidades que se deliciam em descobrir quais são
os países que merecem menos créditos, para logo reduzir suas classificações de
risco.
Mas apesar de todos os problemas enfrentados por Obama, o
primeiro com sensibilidade social após a longa série de presidentes
conservadores - e por isso o mais combatido - os bônus do Tesouro Americano
ainda são considerados no mundo inteiro (que o digam a China e o Brasil) a mais
segura âncora de salvação para todo o dinheiro não utilizado em trocas
comerciais (e como refúgio para as economias particulares que procuram
investimentos tranqüilo em épocas de tempestades) – esses bônus continuam
atraindo bilhões de dólares vindo de toda parte. Inclusive do Brasil, cuja taxa
de interesse de 12% continua excelente para os especuladores, mas muito menos atraente
depois que o governo começou a onerar as transações sem finalidade de
investimento com IOF e outros encargos, sempre sujeitos a novos aumentos. Dizem
que a decisão, anunciada por Guido Mantega, veio num momento pouco propício,
considerando que a crise global já estava ameaçando a ”maré mansa” dos
investimentos mega- especulativos.
Foi assim que se reduziu, não se sabe por quanto tempo, um
circulo que de um lado reduzia a taxa de juros brasileira, com a perspectiva de
baixar mais um ponto até o fim do ano, enquanto do outro diminuía com os IOF a
pressão de capitais do exterior para os lucrativos passeios pela Bolsa e pelos
bancos de investimentos nacionais. Com menos dólares no mercado, apesar do
Banco Central não adquirir mais parte deles como fazia para reduzir sua desvalorização,
com a moeda americana procurada sempre mais também pelos turistas, a subida da
taxa de câmbio se tornou inevitável. Para “desespero” dos milhares que se
preparavam para viajar nas próximas férias, em vista do Natal e do Ano Novo.
Na realidade “desespero” é apenas a palavra usada por
alguns jornais para chamar a atenção dos leitores. Correto seria falar de ‘surpresa’,
pois a inversão da tendência do câmbio do dólar ( que até a semana passada
acumulou uma alta de mais de 10%) realmente não era esperada, neste momento de
crise para os Estados Unidos.O impacto teria sido menor sem os Impostos sobre
Operações Financeiras, IOF. O mais oneroso deles chegou a 6,38% sobre os
cartões de créditos (deveria, mas não reduziu os gastos dos turistas
brasileiros no exterior); mas pode ser bem menor (0,38%) se aplicado sobre o
cartão pré-pago, que disponibiliza o valor dos depósitos feitos pelo viajante; ou
pelos traveler´s cheques, algo fora
de moda e no exterior com cotação inferior à do dólar.
Num cálculo estimativo, se um turista utilizasse seu
carão de crédito, gastando na viagem 2.000 dólares que lhe serão debitados a R$
1,79 pagaria ao banco R$ 3.808,40; mas se a operação fosse com cartão pré-pago
o valor baixaria para R$ 3.593,60, mais custo de emissão. Sem cartões e sem IOF,
a compra de moeda cash seria a
formula mais barata, mas há o inconveniente de ter que levar muito dinheiro no
bolso.
Esse valores, se é verdade que os brasileiros gastam nos
Estados Unidos em média 5,9 mil dólares per capita (segundo dados do
Departamento do Comércio USA) representariam para um casal a compra de US$
11.800, que ao cambio de R$1,55 eram adquiridos por R$ 18.290, passando para R$
21.122 com a compra feita a R$ 1,79: uma diferença de 2.832 reais, sem contar o
IOF.
Números como esses, e mais o registro do Banco Central de
que em agosto passado os gastos dos brasileiros no exterior chegaram a US$
1,903 bilhão, após os US$ 2,196 bilhões de julho,mais o valor das passagens
aéreas, e com a previsão de analistas americanos de que 1,4 milhão os nacionais
viajarão este ano para os Estados Unidos ,devem representar mais uma
preocupação para Brasília.
E´ muito dinheiro dedicado ao turismo e ás compras, para
um país que em menos de uma década viu os gastos de seus viajantes para os
Estados Unidos crescer 251%%, se classificando com esses espetacular aumento de
despesas no segundo lugar no rank mundial,
somente após dos turistas chineses. Por esse motivo, há quem está prevendo que,
se a alta do dólar continuar, no “pacote” que viria antes que a crise global
respingue no país, entre as medidas para maior controle do câmbio haveriam
também mais restrições e impostos, visando frear despesas do fluxo turístico
para o exterior que estão onerando demais as finanças públicas.