OS LIMITES DE CRESCIMENTO DA AVIAÇÃO
NACIONAL
Somente quem não enxerga, ou não quer ver a conjuntura
mundial e supõe que o país está a salvo, poderia acreditar que no curto prazo a
crise não chegará ao Brasil, talvez atenuada em comparação com outros países,
mas sempre bastante pesada para todas as atividades econômicas, apesar da
aparente tranqüilidade que é atribuída pelas autoridades à existência de fundos
de reserva que totalizam três centenas de bilhões de dólares. Bilhões, ainda
mais em dólares, que não impressionam mais : basta considerar que nesta
sexta-feira 2 de setembro, nas Bolsas européias em novo,forte declínio, foram
“queimados”187 bilhões de capitalização,que em euros são equivalentes a cerca
de 450 bilhões de reais ou a US$ 280 bilhões.
Poderão continuar chegando ao país capitais especulativos
aos bilhões, obrigando as autoridades a impor novas restrições para que o real
não se valorize mais, mas cairão as exportações, pois os países em crise
deverão conter suas compras, e será inevitável a redução da produção nacional, e
com isso dos empregos, uma vez que boa parte das vendas do país depende dos
compradores estrangeiros. Isso poderá ser o início de um circulo vicioso, se
refletindo nas atividades diárias, que encontram nos transportes aéreos um
ponto firme de sustentação. Em particular menos cargas saindo e redução no
número de viagens dos chamados homens de negócios, se estendendo a seus
familiares e a outras categorias também atingidas pela possível recessão.
A parte as incógnitas ligadas à realização da Copa do
Mundo e das Olimpíadas, eventos aos quais estão sendo atribuídos potenciais de
crescimento da economia nacional talvez excessivos; à parte o impulso positivo
que eles estão dando à atualização do país, impondo a ampliação da capacidade
dos aeroportos, (mas com muitos gastos em estádios e instalações desportivas que
seriam dispensáveis numa época como a atual); a parte o fato positivo, já
visível, de estar obrigando Estados e Prefeituras a realizar obras de melhoria
até agora negadas à população, ao falar de transportes aéreos, por tudo o que foi
dito, é recomendável opinar com muita prudência. De fato não tem base econômica
pensar que os embarques domésticos continuarão crescendo em volta e acima de
20% ao ano, assim como as rendas dos brasileiros das classes C e D, já bastante
comprometidas pelas dívidas parceladas de 2010 ,inclusive na compra de
passagens aéreas.
Nesta conjuntura e em vista das previsões globais, aumentar
as frotas prevendo o crescimento da demanda seria temerário, pois implicaria a
oferta de mais assentos, como se no terceiro e quarto trimestre de 2011 e depois
em 2012, houvesse mais aumentos nos índices de aproveitamento. Sem esquecer que,
apesar de superior a 70%%%%, devido às reduções tarifárias o maior
aproveitamento custou à Gol 358 milhões de reais de prejuízo no segundo semestre.
Por isso foi oportuno o esclarecimento da Tam,que cortou seis aviões de seu
plano de crescimento da frota em 2012, enquanto parece algo imprudente a
intenção da Gol de acrescentar 4 aeronaves às 115 com as quais encerrará 2011,
considerando as perdas já registradas e os limites de suas rotas,concentradas
na rede domestica e na America Latina.Em vista da fusão com a Lan, a Tam
prefere ficar com 159 aviões em 2012,
aguardando que as entidades ante-truste do Brasil e do Chile aprovem o
acordo.Em todo caso estaria previsto que o crescimento da demanda doméstica no
país não irá em 2012 além de 10%, porcentagem que seria absorvida sem problemas
pela oferta atual.
E no segmento internacional, que nestes últimos dois anos
tem crescido devido à procura de viajantes brasileiros, em particular para os
Estados Unidos, parece inevitável a caída dos embarques europeus no sentido Sul,
com destaque para os de Portugal, Grã Bretanha, Espanha, Itália e França. A
tendência, perfeitamente coerente com a situação econômica desses países, já
foi entendida pela Tam, ao anunciar a troca dos Airbus A340 pelos modelos
menores A330, na rota entre São Paulo e Milão; a redução do número de vôos para
Londres de sete para quatro por semana; e o mesmo corte (de 7 para quatro) na
rota do Rio para Frankfurt, um destino que sempre foi bastante fechado às
empresas aéreas brasileiras.
Entre as empresas estrangeiras, as americanas que se
expandiram pelas capitais brasileiras, contam atualmente com o fluxo de
residentes no país, para atender os quais os consulados dos Estados Unidos devem
ter recebido de Washington a ordem de simplificar e agilizar o atendimento. A
situação da economia do país do presidente Obama não é nada favorável aos
gastos de viagens ao exterior, onerados também pela baixa cotação do dólar. Quanto
às empresas européias, é provável a suspensão de alguns planos de aumento de freqüências,
mas o mercado está particularmente interessado em saber se a Tap, a aérea
portuguesa que cobre 10 cidades brasileiras com quase 80 voos semanais saindo
de Lisboa e o Porto, decidirá aportar alguns “retoques” à sua atual rede, que já
poderiam ser parte integrante do plano de nacionalização.