FROTA EM EXCESSO CAUSA PREJUÍZO À GOL
O fluxo de tráfego doméstico continua crescendo; o número
de brasileiros que viajam para o exterior também e os gastos dos turistas
nacionais lá fora já superaram os US$ 10 bilhões.
Mas a Gol não tem conseguido equilibrar os custos, após a
redução de suas receitas per capita, e nos últimos meses registrou uma
surpreendente perda de rentabilidade. Até em julho, mês tradicional de boas
receitas para as empresas aéreas, a companhia ex-low fare tem acumulado perdas na luta tarifária com as
congêneres. A taxa de ocupação de sua frota aumentou de 65,9% para 75,8%, mas a
rentabilidade per passageiro transportado (yield) baixou 11,0%. Ocorre que a
redução do tráfego durante o dia e o número insuficiente da slots para atender o fluxo potencial dos
homens de negócios, intenso nos vôos da manhã e nos retornos da noite, reduzem
a utilização de sua frota, em continuo crescimento numérico. O problema
justifica a urgência da fusão com a Website, pois com a integração são abertas
aos modernos 737 da Gol novas rotas e preciosos slots da congênere.
As atuais
dificuldades da Gol foram evidenciadas pela comparação dos resultados de seu
balanço do segundo trimestre com aqueles dos mesmos meses do ano passado: no
conjunto de suas operações domésticas e internacionais ela teve uma receita
3,5% inferior aquela de 2010 vendendo R$ 1,566 bilhão neste ano, contra R$
1,590 bilhão no anterior.
Basicamente os resultados da Gol dependem de sua malha
doméstica, pois alcança nas rotas internacionais valores bastante modestos, não
comparáveis com aqueles da Tam. De fato, operando somente na America do Sul, no
segundo trimestre deste ano a Gol registrou o aumento de uns 30 milhões de
reais sobre o valor de suas vendas internacionais do mesmo período de 2010, chegando
a R$ 105,7 milhões. Entretanto a Tam, com um aumento de quase R$ 132 milhões,
elevava as suas receitas internacionais para R$ 865,4 milhões. Esses resultados
fazem a diferença nos balanços consolidados das duas empresas: o da Gol, apesar
do aumento da receita internacional de 36,5% não conseguiu equilibrar suas
perdas nas rotas domésticas e encerrou o segundo trimestre com prejuízo de R$
358,7 milhões,valor seis vezes superior
ao do mesmo período do ano passado (RS
51,9 milhões).No primeiro trimestre ela havia obtido um lucro líquido de
R$ 110,5 milhões. Enquanto isso no segundo trimestre, com um crescimento
porcentual inferior (18,2%), graça à receita dos vôos para o exterior a Tam
totalizou um lucro de R$ 60 milhões, contra o prejuízo de R$ 174,8 milhões registrado
no mesmo período de 2010.
Diante desses resultados, o presidente Constantino Jr. anunciou
corte de despesas por R$ 650 milhões, afirmando ter confiança de que esse é o
caminho para a recuperação financeira da Gol ao longo dos próximos 12 meses. O
presidente acenou também à necessidade de “crescimento na utilização da frota”,
admitindo com isso que a Gol está com um número de aviões acima das exigências atuais
dos vôos que opera, e que nessa condição,ficou mais difícil para empresa controlar
os custos, devido ao ônus do leasing das aeronaves. Por isso, a eficiente
utilização de toda a frota, inclusive nas rotas operadas pelos obsoletos B737-300
da Webjet, se apresenta agora como um dos maiores desafios para a aérea, inclusive
pelas implicações com a disponibilidade de mais tripulantes devidamente
treinados, para aliviar os turnos.
Quanto às perdas de receita, um dado que evidencia a
aplicação de tarifas menores no segundo trimestre é a queda de 13,8% no yield médio da aérea, mas Constantino
Jr. confia no seu progressivo aumento, que deverá chegar a 4% ou até mais.
Oficialmente a Gol atribuiu o prejuízo sofrido no segundo
trimestre ao “cenário competitivo no mercado brasileiro, que acarretou queda de
2,3% na receita de passageiros e à pressão ocorrida nos custos operacionais da
companhia”. Custos que tiveram a influência negativa do preço do combustível,
que apesar de ter sido mantido no Brasil sob relativo controle, continua mais
elevado do produto comercializado no exterior.