IATA AFIRMA QUE SERÁ DIFÍCIL PARA A INDÚSTRIA AÉREA REPETIR EM 2012 OS LUCROS DESTE ANO

 

Desta vez a industria mundial dos transportes aéreos driblou as previsões moderadas do começo do ano: por isso, devido ao seu crescimento neste último trimestre a IATA reformulou o seu forecast para 2011, alterando para mais os valores anunciados em junho.

O que está acontecendo no tráfego deste ano derruba virtualmente grande parte das restrições que os técnicos costumam levantar quando fazem previsões para a indústria de transportes aéreos, à véspera ou durante um ano dominado por crises econômicas e sociais, que de fato prejudicam as atividades produtivas dos países, além de afetar a vida familiar. Neste ano, com o euro lutando para não se desvalorizar, a União Européia teve sua economia enfraquecida pelas crises financeiras de vários seus integrantes, emissores descontrolados de títulos atualmente sem fundo: uma conjuntura ideal para o declínio das viagens de negócios, e a diminuição dos fluxos turísticos. Nessa emergência, a inteira ampla estrutura regional, criada para atender o crescimento setorial, teve que enfrentar problemas de sobrevivência. Reagiu oferecendo preços atraentes em todos os seus segmentos, criando incentivos que ,apesar da crise,favoreceram a vinda à Europa de seus turistas tradicionais latinos americanos, asiáticos e dos Estados Unidos e Canadá. A conjuntura não oferecia outras opções para compensar a perda do tráfego doméstico, em particular no segmento de negócios. Vale lembrar que no Brasil ele alimenta até 70% dos embarques nas empresas nacionais, e que em épocas de crise a sua carência tem reflexos negativos também nos serviços hoteleiros e em todos os componentes da infra-estrutura que atende aos viajantes.

Mas neste 2011 a crise européia pouco afetou o fluxo turístico para o Brasil, que se manteve com índices bastante expressivos. Os vôos nacionais tem registrado crescimentos no número de embarques e nos internacionais as viagens de brasileiros ,em particular para Estados Unidos e União Européia, tem garantido às aéreas índices de aproveitamento médio superiores a 80%. Todavia, a gravidade dos problemas europeus, somados à crise americana, deixariam prever que os problemas virão em 2012.

Também em escala global a conjuntura do tráfego se manteve positiva, ao ponto de provocar a revisão da previsão da IATA feita em junho: os lucros totais de 2011 das empresas associadas previamente estimados em volta de US$ 4 bilhões, foram elevados em setembro para U$ 6,9 bilhões. O aumento de quase três bilhões foi atribuído pelo novo diretor-geral da Associação, Tony Tyler, ao fato que “apesar da delicada conjuntura econômica e política desta época, e com todos os impactos extremos registrados, a gente ainda continua voando.” E a maior surpresa veio da Europa, onde os efeitos negativos do euro enfraquecido foi atenuado por tarifas mais baixas oferecidas pelas aéreas e pelos custos de viagem, atraindo no velho continente mais gente do previsto. Depois de registrar um 2010 negativo, está sendo calculado pela IATA que as empresas da UE fecharão este ano com US$ 1,1 bilhão de lucros e terão resultados positivos somando cerca de 300 milhões de dólares também em 2012.

Nas restantes regiões, a Ásia/Pacífico com US$ 2,5 bilhões, a América do Norte e a Europa, com cerca 1,5 bilhão de dólares cada, a América Latina e o Médio Oriente com lucros em volta de US$ 0,7 bilhão cada uma, são as geradoras dos valores que contribuirão a elevar para US$ 6,9 bilhão os lucros deste ano. Todavia, para 2012 as maiores dúvidas vem da Europa, pois haverá pelo menos cinco países enfrentando planos governamentais de restrição de gastos, com inevitáveis conseqüências sobre o nível de vida das populações , afetando as despesas não essenciais. Isso deverá se refletir em particular nos vôos da Europa para os Estados Unidos, sem excluir a América do Sul e a África. Em todo caso a IATA está prevendo que no ano próximo o índice de aumento do tráfego mundial será inferior ao 5%  registrado neste ano, pois o  crescimento da economia global não irá, segundo estimativas atuais, além de 2,4%. E se ele ficar abaixo desse valor, seriam maiores as possibilidades de a indústria aérea fechar 2012 no vermelho, considerando que historicamente quando o índice bruto das economias mundiais fica em volta de 2% as empresas aéreas costumam encerrar o ano com perdas.

Na nova conjuntura do tráfego aéreo mundial em 2012, o combustível teria efeitos moderados sobre os custos operacionais, sendo até previsível uma redução de preços, apesar de muitas companhias ter subscritos acordos de hedging por valores mais elevados da média de US$110, paga este ano por barril de petróleo.