HOTELEIROS ACREDITAM NO FUTURO TURÍSTICO DO RIO

 

Acabo de conhecer as amplas reformas que a Windsor fez no ex-hotel Le Méridien, bem em frente á praia do Leme, cuja enorme extensão de águas azuis é vista da maioria dos mais de 400 quartos desse grandioso empreendimento. Com um nome novo e sob uma administração que em 25 anos renovou a estética dos hotéis que adquiriu em Copacabana, na Barra, no centro da cidade e agora no Leme , o novo Windsor se destaca com seu grande letreiro na esquina da rua Princesa Isabel com a Avenida Atlântica, ao mesmo tempo em que oferece um show de mármores, madeira e bom gosto em seu interior. Abriu suas reservas no fim de 2010, dias que em outros tempos o velho Méridien consagrava á preparação da chuva de fogos de artifício que na noite de 31 de dezembro iluminavam as praias, e já recebeu sinais de que seus hospedes serão bem numerosos, quando o Carnaval chegar.

Um hotel com esses requintes e tamanho, vindo de um empresário espanhol que sempre acertou em seus investimentos, expressa grande confiança no crescimento do turismo para o Rio, que parece garantida pelas iniciativas do governo do Estado que expulsaram de duas grandes favelas os criminosos que nelas haviam instalado seu “quartier” geral e nelas realizavam seus tráfegos ilícitos. Comércios que alimentavam uma vasta rede de foras da lei, que nas horas livres se dedicavam também á lucrativa arte de assaltar nas ruas e nas moradias os cariocas e os turistas que caiam em suas redes. Estatísticas oficiais à parte, como aquela “fajuta” divulgada há dias pelo setor que deveria tomar conta do turismo do Estado – segundo a qual até novembro teriam chegado ao Rio de Janeiro nada menos de 14 milhões de visitantes - não é segredo de estado que o fluxo de turistas nacionais e estrangeiros para o Rio tem sofrido bastante em conseqüência da onda de assaltos a motoristas e a pedestres noticiados diariamente pela imprensa local. Atualmente está ocorrendo uma espécie de reviravolta, sob o controle confiável do exercito que se instalou nas favelas reconquistadas á vida civil, e a previsão do retorno de um número crescente de turistas é confirmada pelos índices elevados de ocupação registrados pelos hotéis da zona Sul durante os dez dias entre o período natalino e o réveillon de fim de ano.

Somente as condições meteorológicas não tem dado a ajuda de sempre, mas o fenômeno é mundial. Aqui há a influência climática da Ninã, lá fora chuvas torrenciais, neve e gelo são atribuídos a fatores diversos, que os turistas estão aprendendo a assimilar, reduzindo o número de horas nas praias ou os encantadores passeios por Manhattan. Atualmente, viajar é algo parecido com uma forma de evasão, no sentido melhor, visando descontinuar a eventual monotonia do dia-dia ou para conhecer o que de bom outros lugares oferecem á diversão, á cultura ou ás compras. E não há dúvida de que, depois que os três “S”- supostos identificadores das delícias cariocas - foram oportunamente abolidos da propaganda oficial, ainda há inúmeras diversões no Rio para serem gozadas pelos verdadeiros turistas. Pena que as pesquisas sobre expectativas e preferências dos visitantes nacionais e estrangeiros sejam tão escassas e tão pouco confiáveis. Precisaria alguém mais sensível que muitos estudantes de turismo para captar os sentimentos de quem encerra a sua visita ao Rio. Falta a escolha certa do “público alvo”, a capacidade de entrevista-lo e  de transmitir sensações e desejos que o “senhor turista” acumulou ,depois de uma semana ou mais dedicada á descoberta de uma cidade e de um povo.

Com tudo isso, apesar do longo período de domínio de uma imagem negativa que indiretamente hostilizou o turismo carioca, apesar de falhas estruturais que ás vezes complicam as estadas, apesar do clima chuvoso por ventura pouco favorável ao relax na praia, não há duvida – que o digam os agentes e os operadores de viagens dos Estados Unidos e da Europa - que o destino Rio é um ponto luminoso no mapa do turismo mundial que está voltando a brilhar. Falta-lhe ainda o apoio de uma promoção mais objetiva, a escolha de uma forma de recepção mais madura, desligada das contorsões de mulatas bonitas, assim como a exclusão de taxistas piratas, criadores de constrangedora dependência de sua honestidade. Ou de taxistas que raramente falam algumas palavras em idiomas estrangeiros, que deveriam ter aprendido nos programas de treinamento lingüísticos divulgados pelas secretarias de turismo. Mas esses são problemas que atingem outras esferas, não a dos hoteleiros, que acreditam, continuam acreditando, que o número de quartos no Rio deve subir dos atuais 29 mil para 40 mil, e ir além. Por isso os seus donos – que para tanto investem milhões e disputam os poucos terrenos ainda disponíveis na Barra da Tijuca e na região do porto, ou guardam como tesouros aqueles que com grande visão do futuro já adquiriram – contam com os grandes eventos internacionais, a Copa e a Olimpíada, e com o impacto da nova imagem do Rio, como poderosos motivadores das vindas de milhões de turistas.

As iniciativas recém divulgadas pelas grandes redes hoteleiras internacionais, os investimentos já feitos pela Windsor e seus planos para se multiplicar na Barra da Tijuca, representam valiosas garantias e imponentes compromissos a favor do turismo do Rio. Um turismo cujos números crescentes, como de hábito, poderão ser capitalizados como resultados de supostas, eficientes ações promocionais planejadas por voláteis secretários de turismo, valendo como álibis para que os contribuintes ignorem a ineficiência oficial.

Mas de fato, os novos fluxos estarão representando em parte os frutos da experiência e da confiança que hoteleiros gabaritados depositaram nos efeitos positivos de investimentos dedicados ao turismo, atenuando carências setoriais e oferecendo mais opções de conforto a seus usuários potenciais. Nesse mutirão toda colaboração é valida. Seja bem vinda, portanto, também a animadora notícia que a Rede Hyatt adquiriu na Barra 46 mil metros quadrados de terreno: o seu hotel será mais uma peça preciosa para o desenvolvimento do turismo no Rio de Janeiro.