HOTELEIROS ACREDITAM NO FUTURO
TURÍSTICO DO RIO
Acabo de conhecer as amplas reformas que a Windsor fez no ex-hotel Le Méridien,
bem em frente á praia do Leme, cuja enorme extensão de águas azuis é vista da
maioria dos mais de
Um hotel com esses requintes e tamanho, vindo de um empresário espanhol que
sempre acertou em seus investimentos, expressa grande confiança no crescimento
do turismo para o Rio, que parece garantida pelas iniciativas do governo do
Estado que expulsaram de duas grandes favelas os criminosos que nelas haviam
instalado seu “quartier” geral e nelas realizavam seus tráfegos ilícitos.
Comércios que alimentavam uma vasta rede de foras da lei, que nas horas livres
se dedicavam também á lucrativa arte de assaltar nas ruas e nas moradias os
cariocas e os turistas que caiam em suas redes. Estatísticas oficiais à parte,
como aquela “fajuta” divulgada há dias pelo setor que deveria tomar conta do
turismo do Estado – segundo a qual até novembro teriam chegado ao Rio de
Janeiro nada menos de 14 milhões de visitantes - não é segredo de estado que o
fluxo de turistas nacionais e estrangeiros para o Rio tem sofrido bastante em
conseqüência da onda de assaltos a motoristas e a pedestres noticiados diariamente
pela imprensa local. Atualmente está ocorrendo uma espécie de reviravolta, sob
o controle confiável do exercito que se instalou nas favelas reconquistadas á
vida civil, e a previsão do retorno de um número crescente de turistas é
confirmada pelos índices elevados de ocupação registrados pelos hotéis da zona
Sul durante os dez dias entre o período natalino e o réveillon de fim de ano.
Somente as condições meteorológicas não tem dado a ajuda de sempre, mas
o fenômeno é mundial. Aqui há a influência climática da Ninã, lá fora chuvas torrenciais,
neve e gelo são atribuídos a fatores diversos, que os turistas estão aprendendo
a assimilar, reduzindo o número de horas nas praias ou os encantadores passeios
por Manhattan. Atualmente, viajar é algo parecido com uma forma de evasão, no
sentido melhor, visando descontinuar a eventual monotonia do dia-dia ou para
conhecer o que de bom outros lugares oferecem á diversão, á cultura ou ás compras.
E não há dúvida de que, depois que os três “S”- supostos identificadores das
delícias cariocas - foram oportunamente abolidos da propaganda oficial, ainda
há inúmeras diversões no Rio para serem gozadas pelos verdadeiros turistas.
Pena que as pesquisas sobre expectativas e preferências dos visitantes
nacionais e estrangeiros sejam tão escassas e tão pouco confiáveis. Precisaria
alguém mais sensível que muitos estudantes de turismo para captar os
sentimentos de quem encerra a sua visita ao Rio. Falta a escolha certa do
“público alvo”, a capacidade de entrevista-lo e
de transmitir sensações e desejos que o “senhor turista” acumulou
,depois de uma semana ou mais dedicada á descoberta de uma cidade e de um povo.
Com tudo isso, apesar do longo período de domínio de uma imagem negativa
que indiretamente hostilizou o turismo carioca, apesar de falhas estruturais
que ás vezes complicam as estadas, apesar do clima chuvoso por ventura pouco
favorável ao relax na praia, não há duvida – que o digam os agentes e os
operadores de viagens dos Estados Unidos e da Europa - que o destino Rio é um
ponto luminoso no mapa do turismo mundial que está voltando a brilhar.
Falta-lhe ainda o apoio de uma promoção mais objetiva, a escolha de uma forma
de recepção mais madura, desligada das contorsões de mulatas bonitas, assim
como a exclusão de taxistas piratas, criadores de constrangedora dependência de
sua honestidade. Ou de taxistas que raramente falam algumas palavras em idiomas
estrangeiros, que deveriam ter aprendido nos programas de treinamento
lingüísticos divulgados pelas secretarias de turismo. Mas esses são problemas
que atingem outras esferas, não a dos hoteleiros, que acreditam, continuam
acreditando, que o número de quartos no Rio deve subir dos atuais 29 mil para
40 mil, e ir além. Por isso os seus donos – que para tanto investem milhões e
disputam os poucos terrenos ainda disponíveis na Barra da Tijuca e na região do
porto, ou guardam como tesouros aqueles que com grande visão do futuro já
adquiriram – contam com os grandes eventos internacionais, a Copa e a Olimpíada,
e com o impacto da nova imagem do Rio, como poderosos motivadores das vindas de
milhões de turistas.
As iniciativas recém divulgadas pelas grandes redes hoteleiras internacionais,
os investimentos já feitos pela Windsor e seus planos para se multiplicar na
Barra da Tijuca, representam valiosas garantias e imponentes compromissos a
favor do turismo do Rio. Um turismo cujos números crescentes, como de hábito, poderão
ser capitalizados como resultados de supostas, eficientes ações promocionais planejadas
por voláteis secretários de turismo, valendo como álibis para que os
contribuintes ignorem a ineficiência oficial.
Mas de fato, os novos fluxos estarão representando em parte os frutos da
experiência e da confiança que hoteleiros gabaritados depositaram nos efeitos
positivos de investimentos dedicados ao turismo, atenuando carências setoriais e
oferecendo mais opções de conforto a seus usuários potenciais. Nesse mutirão toda
colaboração é valida. Seja bem vinda, portanto, também a animadora notícia que
a Rede Hyatt adquiriu na Barra 46 mil metros quadrados de terreno: o seu hotel será
mais uma peça preciosa para o desenvolvimento do turismo no Rio de Janeiro.