ECONOMIA, SERVIÇOS E SEGURANÇA NAS FROTAS DOMÉSTICAS

Empresas como a Tam se encontram num dilema. As que não voam para fora da América Latina não . As que operam somente vôos domésticos ainda menos. Se trata da qualidade do serviço de bordo que, em outras épocas, fez a imagem e o prestígio internacional da Varig

Serviço de bordo ainda quer dizer muitas coisas: o atendimento dos comissários aos passageiros, seu conhecimento das normas, a distribuição gratuita de um refrigerante, de um sanduiche, de um jornal, de um sorriso. Esse serviço está ficando sempre menos completo nos vôos domésticos, depois que as empresas se convenceram  de que  o  passageiro quer principalmente uma tarifa conveniente. Fizeram a conta dos gastos não diretamente operacionais e chegaram à conclusão que vale a pena cortar, enxugar, minimizar o serviço de bordo. ”Em geral não se volta a voar com a mesma empresa somente pelo fato de ter sido recebido com sorrisos ou porque na viagem foi oferecido algo decente para beber ou comer . O que mais importa é o preço da passagem,às vezes o horário do vôo, ou o modelo de aeronave,ou a urgência de viajar”, dizem alguns entendidos da indústria, da mesma maneira que outros colegas seus afirmam que mais de 40% dos avanços técnicos oferecidos pelos novos modelos de carros seriam dispensáveis , e não fazem a diferença para a maioria dos usuários,que procuram ou um “carrão”, com todos os requisitos de um veiculo de classe e preço elevado, ou andam pelas feiras semanais das fábricas, à procura de oportunidades.

Todavia, se no mercado dos transportes aéreos o item serviço de bordo está perdendo importância nas rotas domésticas e nas operações low fare, nos vôos internacionais continua sendo uma forma de investimento na imagem das melhores companhias aéreas, em particular européias e asiáticas.

No Brasil, para Gol e WebJet, unidas se houver a benção do Cade, a economia no serviço de bordo é uma de suas constantes preocupações. Pratos quentes já saíram de circulação há muito tempo, sendo substituídos por amostras de comida fria  em pacotinhos sigilados,com o sem bebida.Na WebJet tudo é cobrado, até a água mineral; na Gol depende do voo, mas ainda se consegue água ou suco gratuitos, inclusive quando é anunciado um cardápio a pagamento. Já na Tam, foi abolido o cafezinho e o leite nos vôos domésticos que decolam depois das 9h30, portanto quem saiu de casa sem café da manhã se vai sentir a falta deveria tomá-lo no balcão do bar do aeroporto.

Outro assunto que veio à tona na semana passada refere-se ao número de comissários. Eram quatro, um para cada porta da cabine da aeronave, agora podem ser três. Depende da companhia : a Anac,Agencia Nacional de Aviação Civil concedeu a redução, determinando que a bordo deve haver um comissários a cada 50 lugares. Ou seja três no A319 com 144 lugares,quatro no B737-800 que oferece 183 assentos. A WebJet, que possui B737-300 bastante antigos, opera desde o ano passado com 3 comissários mas, se houver emergência, diz que haverá um passageiro da primeira fila, previamente designado, que terá o encargo de abrir a quarta porta de saída e de ajudar os outros passageiros a utilizar a escorregadeira para descer em terra ou num bote já na água.São funções não fáceis de ser cumpridas na emoção de uma situação de emergência e é por isso que o Sindicato Nacional dos Aeronautas, duvidando da real utilidade de um passageiro voluntarioso sentado perto do exit , tem justamente levantado suas objeções à eliminação do quarto comissário.A segurança de algumas dezenas de viajantes ficaria na dependência do sangue frio e da habilidade de uma pessoa sem nenhum treinamento prévio.

Todavia é um fato que a concessão governamental que permite aos aviões de até 150 lugares de voarem com três comissários já está vigorando em muitas empresas da Europa e dos Estados Unidos e já foi homologada pela Boeing e pela Airbus. As duas aéreas nacionais maiores reagiram de maneira bastante coerente, ao receberem a autorização para embarcar um comissário a menos: a Tam, mais ponderada, continua mantendo quatro deles em todas as suas aeronaves; a Gol a considera uma flexibilidade operacional, à qual pretende recorrer somente em caso de necessidade, quando faltando por uma razão qualquer um dos tripulantes poderá agora voar pelo menos um trecho da viagem com apenas três, à espera de absorver na escala sucessiva o quarto.

Teoricamente, no momento as aeronaves com mais de100 assentos que poderiam ser operadas com 3 comissários são: na Tam 26 Airbus A319; na Gol 42 Boeing 737-700; na Avianca 19 Fokker-100 e A.318 e 319, e a inteira frota da WebJet (24 B737-300) até que a Gol se livre deles.