AS DUVIDOSAS PROMOÇÕES TURÍSTICAS EM VISTA
DE COPA E 0LIMPÍADA
Após o ano 2000 a Embratur sofreu altos e baixos. Amarrada
a um Ministério do Turismo nunca entregue a profissionais, teve suas melhores
tentativas para justificar os milhões gastos frustradas: entre outras, algumas suas
missões à Europa poderiam ter criado um certo interesse pela terra brasileira,
se a realização dos projetos fosse entregue a profissionais competentes. Mas,
como na atualidade, são as pressões partidárias e os compromissos eleitorais que
impõem os nomes de titulares dos vários setores da administração federal. Com
os resultados que, sem voltar para o passado mais remoto, estamos vendo no
atual governo. E por coincidência, com destaque no setor turístico.
Basta ler alguns textos de autoria de ministros do
Turismo ou de presidentes da Embratur, dignos de alunos principiantes de um dos
cursos de turismo oferecidos nas faculdades, para confirmar a mediocridade reinante:
conceitos primários, planos inconsistentes, citações estatísticas erradas. Há
dias,por exemplo ,comentando o crescimento dos desembarques internacionais no
país do mês de outubro,divulgados pela Infraero,o atual presidente da Embratur
ignorou que ele devia ser atribuído ao aumento do número de viagens de brasileiros
para o exterior ,cujos retornos estavam impropriamente englobados ao total,e
afirmou que o resultado confirmava “o
interesse do mercado internacional para o Brasil.”
Agora, em novas declarações, Flavio Dino ignora que, segundo
relatórios da IATA e de executivos de empresas aéreas, 2012 se anuncia cheio de
incógnitas para o turismo em geral e para a aviação comercial em particular. Devido
às crises na União Européia e nos Estados Unidos,com corte de gastos à procura
do equilíbrio dos balanços, demissões e blocos salariais, viajar poderá voltar
a ser um luxo para muitos, não se sabe por quanto tempo, mas com certeza por
muitos longos meses.Para a Embratur essas previsões não contam, pois está
elaborando um plano de conquista dos turistas de 17 países selecionados, que
considera alvos preferenciais para virem ao Brasil em ocasião da Copa de 2014 e
das Olimpíadas de 2016.Ela parece ignorar que se em 2012 a Olimpíada será
realizada na Inglaterra, não faz muito sentido abrir na Europa ,logo em 2012, seus
escritórios de representação com o objetivo de promover
esses mesmos Jogos no Brasil,em 2016 .
Aliás essa
história de ter representações turísticas no exterior já não tem funcionado no
passado e não se entende a pressa em divulgar “em duas semanas um edital para a contratação de uma empresa brasileira
que será responsável por montar essas representações”. Ou seja, a
responsabilidade irá para uma firma que, supostamente, deveria ter um
conhecimento total das características dos mercados turísticos de 17 países e
que para tanto receberá muitos milhões da verba a disposição do Turismo, que
também foi aumentada. No começo de 2012 será possível também tomar conhecimento
de outro projeto para incentivar as vindas de viajantes ao Brasil, que entre
seus achados inclui o apoio financeiro a vôos fretados vindo do exterior “para regiões do país que tem limitações de
malha aérea comercial.” A Embratur pretende disponibilizar para os Estados
interessados 8 milhões de reais dedicados a essa iniciativa, no momento pouco
clara, face à dificuldade de atrair custosos fretamentos para destinos que, em
pleno 2012, ainda “tem limitações de malha aérea comercial”.
Após apresentar flashes de planos à espera de editais, o
presidente da Embratur, entrevistado pelo jornal “Valor”, opinou sobre o
turismo enfatizando inicialmente que existe um potencial enorme de turistas
sul-americanos para o Brasil. Eles em 2010 representaram “só 46% dos viajantes
que desembarcaram no país”, afirmou, apesar do turismo na América do Sul “ter
crescido em 2011 duas vezes a média mundial, com um aumento de 10% sobre o ano
passado.” Os dados são da I ATA e, pela precisão, se referem ao tráfego da
América Latina. Na comparação sucessiva Flávio Dino enfatiza que,segundo notou, “”80% do turismo
internacional da Europa é feito pelos próprios europeus e que no Sudeste Asiático os números são da mesma ordem”.Isso
demonstraria “que o turismo é, na maior parte, intrarregional.”
Mas não podem ser ignoradas as grandes distâncias entre
países das Américas e o tamanho do Brasil, comparadas com a área da inteira Europa,
nem as influências das tradições e da cultura nas opções de viagem, mais as diferenças
entre os dois continentes das facilidades de transportes rodoviários e aéreo
oferecidas aos viajantes.
No aguardo dos editais, podem ser dispensadas as
motivações de escolha dos 17 países, (baseadas em dados estatísticos do
intercâmbio sazonal), que justificariam o envio de representações brasileiras para
realizar in loco ações promocionais
relacionadas com os grandes eventos internacionais de 2014 e 2016. De acordo
com a lista da Embratur, foram selecionados sete países
deste continente (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Uruguai);
três da America do Norte (Canadá, Estados Unidos e México) e sete da Europa (Alemanha,
França, Espanha, Itália, Holanda, Portugal e Reino Unido).