CRÍTICAS E
ELEIÇÕES NA ASSEMBLÉIA
DA IATA
A última reunião da Assembléia Geral da IATA, a
associação que reúne cerca de 240 empresas aéreas internacionais, realizada em
Singapura em junho passado, além de eleger o seu novo diretor-geral-presidente foi
uma das mais tensas de 67 anos de história.
Os duelos verbais que lá aconteceram foram resumidos por
alguns jornais, mas seus textos completos podem ser lidos somente no site fligthglobal.com/IATA11 da revista
Airline Business, que em sua edição de julho dedica duas páginas ao acontecido.
Basicamente, as queixas levantadas por uma minoria, expressas com animosidade, estavam
relacionada com a pouca transparência de gastos que totalizaram mais de U$S 100
milhões. Houve também as considerações do presidente da Emirates Airline,Tim
Clark,afirmando que era evidente o fato da associação “ser uma entidade
dirigida por poucos para uma minoria (run
for the few by the few)” e que “isso devia acabar”.
Os gastos de uma centena de milhões, objetos de crítica
por parte do porta-voz da Qatar Airways, Akbar Al Baker, se referiam aos 28
milhões de dólares pagos em viagens, aos 58 milhões investidos em operações de
internet para processamento de dados e aos U$S 29 milhões gastos em divulgações
de dados e em consultas. E a responsabilidade pela pouca transparência dessas
contas foi imputada aos auditores, que nada teriam feito para esclarecer suas
origens e finalidades: foi sugerido que fossem afastados, mas na sucessiva
votação secreta a moção fiscalizada por observadores da British Airways e da
Qatar Airways, foi derrotada por 48 votos contra, 43 a favor, 22 em branco e um
anulado.
Outro ponto de contraste foi a nomeação do executivo-chefe
da Etihad Airways, James Hogan, para integrar a diretoria da associação,
escolha que em particular não foi do agrado da rival Qatar. A indicação do
representante da Etihad foi entendida como o resultado de uma manobra pouco
transparente, que ocorreu nos bastidores, pois a aérea do Golfo é pequena
demais para justificar a sua presença na diretoria da IATA. Esse conceito, por
outro lado, motivou a reação de empresas menores, que solicitaram lhes fosse
dada mais atenção. As polêmicas sobre esses assuntos, segundo a ata da assembléia,
se estenderam por mais de uma hora.
Na assembléia geral, a 67ª já realizada anualmente pela
associação, o tema principal era a eleição do novo presidente, Tony Tyler, executivo
da Cathay Pacífic, em substituição de Giovanni Bisignani, que deixava o cargo
depois de quase dez anos na função. Mas no primeiro dia de reunião, a tensão
foi tão elevada, que circulou entre os presentes a impressão que “os ventos das
mudanças” que agitam o Oriente Médio, tivessem chegado a Singapura.
No dia seguinte à sua eleição, Tyler comentou em tom faceiro:” Ontem foi um dia interessante, é verdade ?
Demonstrou a importância que a IATA tem para vocês...um bom indicador.A
mensagem de ontem foi clara: precisa mais envolvimento. E se a gente quer mais
transparência teremos o prazer de ser transparentes, pois nada temos para
esconder.Mas não será fácil imitar Bisignani, pois de Giovanni há somente um.Por
enquanto minha prioridade é perguntar,escutar e aprender”, concluiu.
A indicação de Tyler, representando a aviação comercial
da Ásia na presidência, após longos anos de predomínio europeu, recebeu apoio
geral, por ser uma abertura necessária, em vista do crescimento do tráfego da
região. Há meses a Ásia/Pacifico lidera as estatísticas, incluindo o enorme
incremento dos embarques aéreos na China, que considera o representante da
Cathay Pacific “uma ponte entre Leste e Oeste”.
Para completar essa aproximação, já foi decidido que a 68ª
Assembléia Geral da IATA será realizada em junho de 2012 em Pequim, organizada
pela Air China.