SAIBAM COMO E POR QUE AS PODEROSAS “3 IRMÃS” ESTÃO APERTANDO A ECONOMIA DE PORTUGAL
No começo da semana passada, nas
primeiras páginas da maioria dos jornais do globo podia ser lido: ““ Standard
& Poor´s” reduz o rating de Portugal e Grécia”. Em poucas palavras isso significava
que ,na avaliação da Agência ,o cenário econômico dos dois países continuava
negativo e que o impasse político ameaçava a implementação dos programas de
correção de seus déficits, a começar pela ajuda oferecida pelo fundo da Eurozona
, pois estava condicionada à aprovação
pelos governos do plano de saneamento das contas públicas, que acabava de ser
rejeitado pelo Parlamento português, provocando a caída do governo.
A alerta novamente divulgada pela agência aos mercados globais, com a redução dos chamados “ratings
soberanos” dos dois países, evidenciava de um lado a priora da conjuntura de
Portugal, e do outro confirmava o imenso poder das “três irmãs”. De fato, elas atuam de maneira independente, mas suas
avaliações individuais se sobrepõem aquelas
das forças políticas nacionais , sendo aceitas pelo mundo financeiro. Quando
negativas, elas tem como conseqüência o virtual bloqueio dos investimentos
vindos do exterior.
No caso de Portugal, o elevado valor de sua dívida
pública (da qual mais de 9 bilhões de euros deverão ser reembolsados ou
renovados neste primeiro semestre, onerados por interesses qüinqüenais de até
8,50%), segundo a “S & P” estaria acima da capacidade financeira do
governo. E a situação se agravou quando, devido à rejeição de parte da oposição
do plano de austeridade proposto, o primeiro ministro português José Socrates
se demitiu. De fato não haveria alternativas, de acordo também com o parecer do
Banco Central, bastante pessimista em relação ao futuro do país,se não forem adotadas
as medidas necessárias para alcançar os objetivos econômico-financeiros
pré-fixados para 2011.Basicamente ,poderiam ser necessárias em 2012
providências ainda mais rígidas de
redução dos gastos, pois sem elas o crescimento do PIB português não irá além
de 0,3%.Mas a oposição prevê que os cortes aos gastos públicos programados para
o biênio, teriam imediatos e temíveis efeitos recessivos sobre a economia do
país.
Atualmente na Europa quatro países estão envolvidos em graves
crises financeiras que afetam o valor do euro: já foram atingidas pela forçada
contenção de gastos Grécia e Irlanda e, segundo os analistas, depois de
Portugal será a vez da Espanha ter que aceitar um plano de austeridade. As quatro
tiveram o seu crédito público desclassificado por uma das chamadas “3 Irmãs”, as todo poderosas Moody’s,
Standard & Poor’s e Fitch. Delas, a mais antiga criada por John Moody em 1909,começou
publicando um “Manual of Railroad
Securities” que apresentava uma avaliação dos balanços de 200 empresas
ferroviárias americanas , para uso de eventuais investidores no setor. Em volta
de 1915 e 1920 surgiram a “S & P” e a Fitch, que também se dedicaram a
avaliar a solidez de setores da economia e - depois da crise de 1929 - as três se
concentraram na emissão de ratings focando
balanços de instituições e de operadoras financeiras. E mais tarde passaram a ser identificadas
oficialmente como “Nationally Recognized
Statistical Rating Organizacion”, assumindo enorme influência nas decisões de mercado .Tanto que os grandes
investidores institucionais passaram a
adquirir somente títulos – inclusive os da dívida pública dos países – com as máximas
avaliações positivas, representadas pelos códigos A+, com a etiqueta das três irmãs. Os títulos da
série BBB- (como são os de Portugal, após seu rebaixamento na escala de valores
de investimento , os investment grade),
atualmente estão apenas um degrau acima dos chamados “junk”, palavra que em português significa “lixo” .
Mas seria um equivoco acreditar que as “três Irmãs” tiveram sempre uma atuação
impecável. Há críticas e queixas de várias partes. Entre outras, surgiram
suspeitas particularmente sérias por ocasião da bancarrota da americana Lehman,
que deu início à crise financeira mundial de 2008. Segundo os advogados da Grais&
Ellsworth , as três Agências teriam atribuído ratings elevados a vários títulos vendidos pela Lehman , que na
hora da crise foram encontrados como integrantes dos desqualificados mútuos “subprime”. Um crítico severo da leviandade
com a qual eram enfrentados problemas estruturais econômicos e financeiros nos
Estados Unidos, o premio Nobel de economia Paul Krugman, escreveu que “93% dos
títulos que em 2006 receberam o rating
Aaa foram depois desqualificados para o nível junk (lixo)”. E circulam opiniões segundo as quais nem sempre as “três Irmãs” teriam emitido avaliações desinteressadas.
Essa verdade se deduz lendo a sugestão da diretora-geral do Fundo Monetário
Internacional, Dominique-Strauss-Kahn, que recomenda de “não acreditar
cegamente no veredicto das agências de rating”.
Em relação à Moody’s, a mais ativa, podem ser lembrados
alguns exemplos de seu indiscutível poder: as palavras do procurador geral da California,
Jerry Brown, que a acusam de “destruir o Estado”; a caída de 3% das ações na
Bolsa de Londres, devida à ameaça de eliminação de uma “a” da classificação
internacional da Grã Bretanha; ou os problemas criados pela Moody’s ao
governador de Nova York, que para evitar a desclassificação da cidade teve que
demitir mestres de escolas públicas e cortar fundos de hospedais. Ou, ainda, o
espanto do presidente Obama, ao saber que o “guru” dessa agência, Pierre
Cailleteau ,teve a “audácia” de afirmar que a dívida pública dos Estados Unidos
podia perder um de seus três Aaa, pois estava “se aproximando de uma desclassificação”.De fato nada disso
aconteceu, mas a afirmativa acrescentou mais alguns pontos ao prestígio da Moody’s.
Prestígio esse que se reflete nas margens de lucro de seus balanços, que estão na casa de 37% das
receitas líquidas.