LUTAS INGLÓRIAS NA ADMINISTRAÇÃO DA APRUS

 

Não conheço pessoalmente nenhum dos ex-conselheiros e dos atuais candidatos aos cargos do Conselho Deliberativo e do Conselho Fiscal da Aprus, não sou seu associado, nem em alguma ocasião a freqüentei. Apenas tenho lido seus comunicados mensais e acreditado que seus membros atuassem em nome e no interesse dos aeroviários e dos aeronautas que supostamente representavam.

Tudo parecia correr de maneira decente, com John Morley e Luiz Medeiros e, depois, com Zoroastro Ferreira Lima na presidência, contando com a ação dinâmica e positiva de Ayton Franzoni e com o apoio dos conselheiros, inclusive, numa segunda fase, de Carmem M.Astolfi Pedro, substituta de Apollonio Pinto que se afastou. Mas parece que as aparências eram enganadoras, de acordo com os textos de e-mails e de mensagem quilométricas que aparecem diariamente na internet, desde quando um outro grupo se candidatou ás eleições programadas para 16 de março vindouro.De repente explodiu, mantendo as piores tradições nacionais, uma espécie de guerra civil,na qual tudo o que na administração da associação anteriormente parecia correto e de interesse coletivo, mudou de aparência, se tornando algo turvo e imoral. São descobertas tardias, pouco convincentes, da última hora, que evidenciariam grandes omissões e irresponsabilidades, se verdadeiras. De repente, uma das partes, para bloquear a reeleição de alguns ex-conselheiros, levantou acusações focando maneiras incorretas de administração do dinheiro pago pelos associados, aparentemente esbanjado em excursões turísticas e fartos almoços que privilegiavam uma minoria, enquanto as finanças da Aprus iam para o brejo. Fatos esses desmentidos num objetivo e-mail de Nilton A Zamoura, ex-Varig que ocupou numerosos  cargos executivos , enquanto  do outro lado apareceu  uma lista interminável de fatos que demonstrariam a ação correta da última administração, com  iniciativas que  teriam saneado as finanças da Aprus , e justificariam a reeleição de Zoroastro, Herénio,Valdecir e Carmem, juntamente com outros novos candidatos, nos Conselhos Deliberativo e Fiscal .

Entretanto um dos ex, Luiz Medeiros, depois de anunciar que não voltaria a se candidatar, divulgava uma mensagem amarga, na qual do alto de seus 85 anos de idade e depois de ter exercido por 20 anos cargos na administração da Aprus, constatava ter sido frustrado pelos acontecimentos que o envolveram em seu último mandato. Numa “carta aberta” ele escreveu :”Minha frustração é conseqüente das violações freqüentes do nosso Estatuto, da não observância dos limites de atuação de cada órgão administrativo, destemperos e atitudes sem precedentes nestes 24 anos de existência da Aprus “.

Teoricamente, agora a palavra está com os eleitores. Num dos e-mail pode ser lido que as cédulas de votação já foram enviada aos associados em envelopes fechados e que da lista de candidatos dos dois grupos deverão ser escolhidos 5 nomes para o Conselho Deliberativo e 3 para o Conselho Fiscal. Não há previsão sobre a maneira como será realizada a apuração dos votos nas cédulas que voltarem para o Aprus, nem sobre quais garantias são dadas de que os vencedores terão o seu direito reconhecido. E se multiplicam na internet os apelos  á união ,dirigidos ás partes em competição, para evitar que depois de encerrado o pleito continuem as polemicas habituais, levantando suspeitas sobre a lisura do processo eleitoral e até sobre a idoneidade dos escolhidos .

A eventualidade da continuação de conflitos internos seria o que de pior pode ocorrer neste ano de 2011, em que voltaram a ter consistência as ações legais a favor do reconhecimento dos diretos dos aposentados do Aerus, quando se espera que o Supremo Tribunal Federal, a Advocacia Geral da União ou os senadores que participam do movimento iniciado por Paulo Paim, encontrem a formula que permita a volta aos pagamentos mensais de um direito até agora negado a mais de 7 mil participantes e aposentados do fundo. Lutas internas entre ex-aeronautas e aeroviários, ou iniciativas dos conselheiros para ganhar a gratidão dos aposentados tentando ligar seus nomes ao êxito da ação legal, somente prejudicariam a possibilidade de se conseguir uma solução célere dos problemas burocráticos que a esperada autorização de pagamento ainda deverá encontrar em seu caminho.

Os processos estão em boas mãos. Nas mãos das autoridades máximas da República, de um advogado esforçado, de um Sindicato que há anos se dedica ao problema dos aposentados, de uma ex-presidente do SNA cujo bom relacionamento na alta administração Federal é ainda uma chave que poderá contribuir a abrir o cofre da União. Quanto aos conselheiros da Aprus, fiquem nos seus lugares, cumpram seus compromissos com os associados, esqueçam o Aerus e, se necessário, deixem as brigas internas para o poder para as próximas eleições. Mas não tentem ligar suas ações à defesa dos direitos dos aposentados, pois eles estão muito bem representados e dispensam qualquer interferência estranha.