AS MARATONAS QUE AGUARDAM OS TORCEDORES NA COPA DE 2014

 

O torcedor que virá de sua terra ao Brasil, para acompanhar em 2014 os jogos da Copa do Mundo de Futebol, precisará possuir qualidades incomuns, caso pretenda acompanhar a sua equipe pelo menos até as oitavas de final, programadas para ser realizadas entre 28 de junho e 1º de julho em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Fortaleza, Recife, São Paulo e Salvador.

As qualidades principais exigidas do fiel acompanhador de sua equipe seriam: 1) saúde de ferro; 2)disponibilidades financeiras para pagar as viagens aéreas, os ingressos para os jogos e os hotéis; 3) grande paixão pela equipe nacional e esperança de vê-la classificada pelo menos entre as primeiras quatro.

De fato, para assistir ao vivo aos dois jogos, até o torcedor brasileiro que queira acompanhar a seleção nas oitavas de final - se a equipe estiver classificada após as eliminatórias da primeira fase – terá que enfrentar no sábado 28 uma viagem para Belo Horizonte para no dia seguinte se encontrar em Fortaleza. E ele já terá suado bastante nos três jogos da primeira fase, pois para acompanhar a equipe nacional terá viajado 3.920 km, de São Paulo para Fortaleza e para Brasília. Mas o pior roteiro está reservado para os torcedores da seleção A2 (a ser sorteada) que está no mesmo Grupo A do Brasil: na mesma primeira fase ela jogará sucessivamente em São Paulo, Manaus e Recife obrigando seus fans a voar cerca de 6000 km. De outro lado, os mais sortudos serão os torcedores da equipe cabeça de chave do Grupo H: eles assistirão ao debute da sua equipe em Belo Horizonte no dia 17 de junho, poderão acompanhá-la no dia 22 no Rio de Janeiro e vê-la classificada para as oitavas de final no dia 26, em São Paulo após percorrido um total de apenas 700 km.

Está fora de dúvida que as distâncias são realmente os maiores obstáculos a ser enfrentados tanto pelas equipes que pelos torcedores que queiram acompanhar a tabela de jogos que será sorteada e divulgada pela Fifa, como admitiu o secretário-geral da federação, ao reportar que um dos maiores problemas da fase de elaboração do calendário foi conseguir que todos os cabeça de chave jogassem pelo menos uma vez numa das 12 cidades escolhidas. De fato elas investiram centenas de milhões (São Paulo está até construindo um novo estádio) em reformas para modernizar ou ampliar suas instalações, mas enquanto Rio e Brasília receberam 7 jogos, Cuiabá, Curitiba, Manaus e Natal ficaram com quatro. O jogo inaugural será realizado pelo Brasil em 12 de junho, às17h, no estádio paulista do Morumbi, sendo que ainda na primeira fase São Paulo será outras três vezes sede de jogos, assim como Rio de Janeiro hospedará na primeira fase quatro jogos , mas somente entre equipes estrangeiras: a seleção nacional jogará no estádio do Maracanã somente no dia 13 de julho, se terá conseguido se classificar para a final. Essa longa espera, com suas incógnitas ,é a maior frustração dos torcedores cariocas, que poderão assistir aos jogos do Brasil apenas pela televisão, nos horários aceitos pela Confederação Brasileira de Futebol para atender as exigência econômicas da Fifa , que para vender as transmissões televisivas aos outros países,em particular aos europeus, precisava que os jogos tivessem início em horário de boa audiência, considerando uma variação de 3 a 4 horas para mais nos fusos da Europa.Por isso haverá jogos às 13h ou às 17h do Rio nas oitavas e nas quartas de final, apenas às 17h nas semifinais e às 16h na final .

Ainda em relação aos jogos, na semana passada foram acertados entre o Brasil e a Fifa dois pontos controversos: o primeiro obrigou o país a suspender em ocasião da Copa do Mundo a norma que proibia a entrada e o consumo nos estádios de todo tipo de bebidas. Haverá controles,mas existe o receio que poderão se repetir excessos, em particular de parte de torcidas organizadas.O segundo ponto atendeu a exigência nacional de oferecer  ingressos a preço reduzido (R$ 50) a segmentos de torcedores que incluem estudantes e idosos, apesar  de existirem dificuldades para estender a concessão a participantes vindos do exterior e para controlar os ingressos emitidos nessa condição, cujo número foi preliminarmente fixado em 300 mil.

Este foi apenas o flash inicial de um evento esportivo cujo potencial para promover o turismo estaria merecendo menos otimismo, de acordo com o êxito registrado em outros países. Considerando as  estatísticas , algo falhas, do fluxo de torcedores procedentes da Europa  na Copa realizada na África do Sul, há uma expectativa total de cerca de 600 mil visitantes,cuja origem principal seriam outras regiões brasileiras e cidades da America do Sul. Em relação às vindas de fora do continente, há dúvidas sobre a consistência dos vôos fretados, que pelo preço e suas características poderiam facilitar os movimentos pelo país, atenuando o problema das distâncias e reduzindo os custos, enquanto deverá, como sempre, ser elevada a participação dos cartolas da Fifa e das organizações patrocinadoras da Copa.