SEGURANÇA AÉREA EM PRIMEIRO LUGAR

 

Lemos em vários e-mails que circulam na internet considerações sobre os acidentes que nestes últimos meses ocorreram no setor aéreo, as vezes apenas ameaças, outras bastantes graves, raramente mortais. Nesses casos fica no ar a suspeita sobre até que ponto eles decorreram de falhas ou omissões de direta responsabilidade das empresas. Isso deve ser apurado, através de investigações muito sérias, pois a vida de milhares de pessoas depende da seriedade com que as companhias aéreas realizam esses serviços. Com referências aos casos brasileiros, os cidadãos esperam que a Anac, além de legislar com competência, exija das companhias aéreas o total respeito das normas de segurança exigidas pelas construtoras de aeronaves e pelas entidades domésticas e internacionais que controlam o tráfego aéreo.

 

Não pode ocorrer, como insinua um dos tantos e-mails anda na internet, que sejam escondidas duras verdades para proteger alguém. Ele escreve: ”Bati um longo papo com um colega meu que voou como comandante e entende de aviões. Ele disse que as mensagens da aeronave da Air France que desapareceu no Atlântico durante o vôo Rio/Paris inicialmente eram condizentes com o mau funcionamento do pitot, porém as panes seguintes indicavam uma sucessão de falhas de computadores.” Depois de uma série de considerações técnicas ele afirma que, segundo o colega-comandante, as caixas pretas já foram encontradas, mas oficialmente isso jamais será divulgado, para não prejudicar a empresas construtoras e as aéreas que utilizam esses equipamentos”.

 

Num outro e-mail é enfatizado o comportamento irresponsável de técnicos de manutenção de uma empresa nacional, aos quais poderia ser imputada a participação nas causas do terrível desastre que ocorreu em São Paulo já fazem três anos. Sem contar a funesta colisão entre um Legacy da Excel Aire e um Boeing da Gol na floresta amazônica e, há dias, o suposto risco de colisão entre um A330 da Tam e um turboélice Bandeirante. Risco desmentido pela Aeronáutica, pois o alarme teria soado quando as duas aeronaves ainda estavam a uns 5 quilômetros de distância uma da outra, permitindo ao piloto de desviar sem problemas o  seu A330 . Mas sobre o assunto, um competente técnico de aviação não teve receio em afirmar, em artigo publicado, que a quase colisão foi o incidente “mais grave desse tipo desde 2006” e que “a tragédia foi evitada por segundos”, por que “ambas as aeronaves estavam com o transponder (radar de localização) e o TCAS (Traffic Collison Avoidance System) operando perfeitamente” e deu o alarme “quando a separação vertical já era de 600 pés, algo em torno de 200 metros” dando ao comandante “em torno de 15 segundos para evitar o desastre”. Pior : segundo uma fonte ligada à área de segurança de vôo, pelo menos 23 incidentes desse tipo – mas não com tamanha gravidade – foram registrados no espaço aéreo de São Paulo de janeiro a junho”.

 

A partir desses episódios, e de outros de menor gravidade registrados neste semestre, ficaria confirmado que a segurança de milhares de passageiros esteve nas mãos habilidosa de comandantes e dos técnicos de manutenção, como nunca esteve no passado. Ou seja: nesta fase de crescimento do tráfego aéreo e com a sobrecarga decorrente da aquisição de novas unidades de parte das empresas, o avião pode sair das oficinas em condições não ideais, imputáveis á aceleração do processo de utilização das máquinas e a uma certa displicência, que pode ser atribuída á confiança que aos mecânicos de manutenção depositam nos recursos técnicos das modernas aeronaves.

 

Como deve ter acontecido na semana passada em quatro vôos da Air France da rota entre Brasil e França que tiveram de voltar ao aeroporto. Teria havido excessos de displicência, mais que incompetência de parte dos técnicos de manutenção da prestigiosa empresa européia. Mas isso não modifica a gravidade dessas ocorrência , que exigem providências rigorosas pois além dos riscos que causaram tiveram efeitos negativos bastante sérios sobre a  imagem da aérea. Entretanto quase 800 passageiros tiveram seus planos de viagem alterados, pois as circunstâncias os obrigaram a aceitar atrasos na saída do Brasil até superiores a 24 horas. Foram transtornos, tensões, temores no re-embarque, que o oferecimento de hospedagem e alimentação grátis não elimina, mas apenas atenua. 

 

Aviões, estruturas de manutenção, torres de controle, perícia dos comandantes, todos esses segmentos essências para que os serviços aéreos propiciem e garantam aos usuários tranqüilidade e segurança, são chamados em causa nos poucos episódios citados neste texto. Neles surgiram dúvidas sobre possíveis sobreposições de circuitos eletrônicos, sobre evidentes omissões dos serviços de manutenção, sobre o correto fluxo de informações, em idioma inglês, entre aeronaves e torres de controle. Coube aos comandantes, que demonstraram ser vigilantes apesar das garantias eletrônicas, confirmar nas emergências a sua posição determinante para a segurança dos vôos.Com a correta utilização dos instrumentos condensados em seu cockpit, somada á experiência individual, eles superaram as incógnitas do vôo e as falhas de manutenção.Mas não pode ser negado que esses fatos geram um lastro de temor nas mentes dos viajantes , relacionados com o comportamento das aeronaves ou de seus tripulantes em caso de eventuais novas circunstâncias totalmente adversas. Instintivamente ficou alterada a sensação de segurança baseada nas estatísticas internacionais, que indicam índices insignificantes de acidentes aéreos, e na confiança nos serviços da empresa escolhida.

 

É esta confiança, que a Anac brasileira, as entidades internacionais e as empresas aéreas devem cultivar, para que ela volte a animar os viajantes eventualmente tensos depois dos recentes acontecimentos. Umas através de manutenção eficiente, outras impondo normas e controles super severos.