SEGURANÇA AÉREA
Lemos em vários e-mails que
circulam na internet considerações sobre os acidentes que nestes últimos meses ocorreram
no setor aéreo, as vezes apenas ameaças, outras bastantes graves, raramente
mortais. Nesses casos fica no ar a suspeita sobre até que ponto eles decorreram
de falhas ou omissões de direta responsabilidade das empresas. Isso deve ser
apurado, através de investigações muito sérias, pois a vida de milhares de
pessoas depende da seriedade com que as companhias aéreas realizam esses
serviços. Com referências aos casos brasileiros, os cidadãos esperam que a
Anac, além de legislar com competência, exija das companhias aéreas o total
respeito das normas de segurança exigidas pelas construtoras de aeronaves e
pelas entidades domésticas e internacionais que controlam o tráfego aéreo.
Não pode ocorrer, como
insinua um dos tantos e-mails anda na internet, que sejam escondidas duras
verdades para proteger alguém. Ele escreve: ”Bati um longo papo com um colega
meu que voou como comandante e entende de aviões. Ele disse que as mensagens da
aeronave da Air France que desapareceu no Atlântico durante o vôo Rio/Paris
inicialmente eram condizentes com o mau funcionamento do pitot, porém as panes
seguintes indicavam uma sucessão de falhas de computadores.” Depois de uma série
de considerações técnicas ele afirma que, segundo o colega-comandante, as
caixas pretas já foram encontradas, mas oficialmente isso jamais será divulgado,
para não prejudicar a empresas construtoras e as aéreas que utilizam esses
equipamentos”.
Num outro e-mail é
enfatizado o comportamento irresponsável de técnicos de manutenção de uma
empresa nacional, aos quais poderia ser imputada a participação nas causas do
terrível desastre que ocorreu
A partir desses episódios, e
de outros de menor gravidade registrados neste semestre, ficaria confirmado que
a segurança de milhares de passageiros esteve nas mãos habilidosa de comandantes
e dos técnicos de manutenção, como nunca esteve no passado. Ou seja: nesta fase
de crescimento do tráfego aéreo e com a sobrecarga decorrente da aquisição de
novas unidades de parte das empresas, o avião pode sair das oficinas em
condições não ideais, imputáveis á aceleração do processo de utilização das
máquinas e a uma certa displicência, que pode ser atribuída á confiança que aos
mecânicos de manutenção depositam nos recursos técnicos das modernas aeronaves.
Como deve ter acontecido na semana
passada em quatro vôos da Air France da rota entre Brasil e França que tiveram
de voltar ao aeroporto. Teria havido excessos de displicência, mais que
incompetência de parte dos técnicos de manutenção da prestigiosa empresa européia.
Mas isso não modifica a gravidade dessas ocorrência , que exigem providências
rigorosas pois além dos riscos que causaram tiveram efeitos negativos bastante
sérios sobre a imagem da aérea.
Entretanto quase 800 passageiros tiveram seus planos de viagem alterados, pois
as circunstâncias os obrigaram a aceitar atrasos na saída do Brasil até
superiores a 24 horas. Foram transtornos, tensões, temores no re-embarque, que
o oferecimento de hospedagem e alimentação grátis não elimina, mas apenas
atenua.
Aviões, estruturas de
manutenção, torres de controle, perícia dos comandantes, todos esses segmentos essências
para que os serviços aéreos propiciem e garantam aos usuários tranqüilidade e
segurança, são chamados em causa nos poucos episódios citados neste texto.
Neles surgiram dúvidas sobre possíveis sobreposições de circuitos eletrônicos,
sobre evidentes omissões dos serviços de manutenção, sobre o correto fluxo de
informações, em idioma inglês, entre aeronaves e torres de controle. Coube aos comandantes,
que demonstraram ser vigilantes apesar das garantias eletrônicas, confirmar nas
emergências a sua posição determinante para a segurança dos vôos.Com a correta
utilização dos instrumentos condensados em seu cockpit, somada á experiência
individual, eles superaram as incógnitas do vôo e as falhas de manutenção.Mas
não pode ser negado que esses fatos geram um lastro de temor nas mentes dos
viajantes , relacionados com o comportamento das aeronaves ou de seus
tripulantes em caso de eventuais novas circunstâncias totalmente adversas.
Instintivamente ficou alterada a sensação de segurança baseada nas estatísticas
internacionais, que indicam índices insignificantes de acidentes aéreos, e na
confiança nos serviços da empresa escolhida.
É esta confiança, que a Anac
brasileira, as entidades internacionais e as empresas aéreas devem cultivar,
para que ela volte a animar os viajantes eventualmente tensos depois dos
recentes acontecimentos. Umas através de manutenção eficiente, outras impondo
normas e controles super severos.