PORQUE NOS
USA E CANADÁ O BRASIL ESTÁ FORA DA LISTA DAS 50 “TOP DESTINATIONS” TURÍSTICAS
Num texto divulgado pela internet, Respício Espírito Santo
Jr. presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Estratégicos e de Políticas
Públicas
A pesquisa, realizada no contexto dos “Travel Trends &
Analysis
Respício, ao analisar os nomes das 50 cidades escolhidas, observa que alguns países da América Central que se destacam no elenco podem ter a vantagem de se encontrar mais próximos dos “gates” canadenses e americanos de que as cidades brasileiras, exigindo “tempos de vôo mais curtos e viagens menos cansativas”. Em particular cita a República Dominicana (38º lugar), Montego Bay na Jamaica (42º) e Havana (Cuba) na 49º posição, entre as cidades preferidas pelos americanos. Ele observa que esses destinos possuem um “ perfil sun-sea-sand é bastante ligado ao do Brasil”, para em seguida perguntar : “como explicar então a presença em destaque entre os destinos escolhidos, de Lima, de Buenos Aires, de Bancoc, Manila e Ho Chi Minh (Vietnam)”, tão afastados dos aeroportos americanos? “
De fato, entre os 50 Top dos canadenses, Bangkok ocupa o 4º lugar, Manila o 20º, Ho Chi Minh City o 34º, enquanto os viajantes americanos deram a Bangkok o 21º lugar, a Lima o 23º e a Buenos Aires o 24º.
O esquecimento dos nomes do Rio de Janeiro e, entre outras, das cidades do Nordeste brasileiro, chama a atenção porque a lista inclui nas preferências dos turistas a maioria dos destinos da Europa e de outros continentes mundialmente consagrados. Londres aparece no primeiro lugar em ambas as pesquisas, com Paris e Nova York a seguir no elenco dos canadenses, que também escolheram, na ordem, Bangkok, Vancouver, Sydney, Dublin, Manchester, Frankfurt, Amsterdam. Na lista dos americanos o segundo lugar é de Nova York, com na ordem Las Vegas, Paris, Dublin, Los Angeles, Orlando, Roma, Madrid e Miami entre os primeiros dez.
A pesquisa enfatiza que dois importantes eventos esportivos internacionais, como os Jogos Olímpicos de Inverno programados para fevereiro e a Copa do Mundo de Futebol de junho próximo, deram destaques a Vancouver e a Johannesburgo nas duas listas, onde elas aparecem respectivamente no 5º e 29º lugar na pesquisa canadense e no 31º e 20º naquela americana. Cabe aqui supor que, talvez, as edições de 2014 e de 2016 desses mesmos eventos terão igual efeito sobre o Brasil.
Além do crescente interesse para regiões do Extremo Oriente, as duas listas evidenciam que Cuba continua nos planos de viagem dos canadenses (27º lugar). Quanto aos americanos (49º), depois de quase meio século, aguardam que as autoridades reabram as fronteiras entre os dois países, talvez para fugir dos gélidos invernos do hemisfério norte e relaxar nas acolhedoras praias da ilha.
Voltando agora á nota do presidente do Instituto Cepta, ela admite que as duas pesquisas poderiam ser “direcionadas”, apresentando aos entrevistados uma lista pré-elaborada de cidades entre as quais eles escolheriam as preferidas. Mas nessa eventualidade, a ausência do Rio de Janeiro seria ainda mais inexplicável, inclusive para os que opinam “que americanos e canadenses não conhecem muito Geografia e pensam que Buenos Aires é a capital do Brasil”. Mas em todo caso, segundo afirma o Dr. Respício em sua nota, se a causa da omissão fosse o desconhecimento da localização das cidades, “tanto o Itamaraty como a Embratur estão falhando clamorosamente na representação, compreensão e na divulgação do Brasil no exterior”, sendo impossível e de grande infantilidade se atribuir a culpa deste desconhecimento do Brasil apenas aos estrangeiros. “Mais uma vez “ conclui” levanta-se aqui uma questão para reflexão e debate: guardadas as devidas diferenças e proporções, não estaria na hora de o Brasil rever alguns dogmas, algumas políticas e quebrar alguns paradigmas no que tange estudos, pesquisas, expertises e estratégias de marketing e promoção do país no exterior ? “
Perfeito. Mas deveriam, também, ser proibidas supostas pesquisas de mercado realizadas no Rio de Janeiro por experts que assim se auto-qualificam e que utilizam como entrevistadores jovens de cursos de turismo, sem preparo específico, sem treinamento, sem conhecimento suficiente de idiomas estrangeiros. Essas pesquisas, que afirmam estar investigando opiniões de supostos grupos de turistas em visita á cidade, tem estruturas precárias que geram tabulações falhas, mas os seus resultados são publicados em boa fé por jornais da capital carioca. Elas criam a falsa impressão de que somente o lixo e os mendigos incomodam os visitantes e, em particular, não esclarecem a imagem que os visitantes estrangeiros tinham “antes” da cidade, nem os motivos que os levaram a escolher o Rio de Janeiro. Um amigo nosso italiano, por acaso entrevistado por esses pesquisadores nos contou as dificuldades que ele e os outros integrantes do grupo tiveram para responder a perguntas que não conseguiam entender. O recurso foi utilizar palavras e verbos do idioma inglês para fornecer respostas absolutamente insatisfatórias para ambas as partes.
Não será o oba-oba que sustenta essas entrevistas que ajudará o país a superar os 5 milhões de visitantes que há anos representam o seu fluxo turístico. Falta um projeto que dedique á divulgação turística do Brasil a mesma atenção que está recebendo a sua política externa. Para ganhar a parada, na intensa competição entre destinos internacionais, já não bastam apenas a distribuição de folhetos e a montagem de stands de luxo nas feiras. Existem técnicas de marketing mais avançadas que as “aquarelas”de hoje e de ontem divulgadas pela Embratur, para superar os obstáculos que inexplicavelmente mantém milhões de visitantes estrangeiros potenciais afastados do país.
Pois é um fato que, com o somatório de suas atrações naturais e culturais, se não está na lista dos Top 50 destinos escolhidos por canadenses e americanos, o Brasil turístico não existe. E que a sua política turística continua engatinhando.