PLANO I & PLANO II DO AERUS : QUAL É O PIOR ?
O artigo da semana passada, que resumia os problemas
que praticamente levaram o Aerus á falência, suscitou grande interesse entre os
leitores e motivou mais de uma centena de e-mail que expressaram a apreciação
dos signatários. De fato, além de claro o texto era bastante objetivo e os seus
esclarecimentos não eram todos de conhecimento da maioria.
Hoje, dando continuação ao objetivo de divulgar
verdades sobre a criação e os motivos que complicaram a existência do fundo de
aposentadoria que havia sido ideado pelo último presidente da Varig, cujo
afastamento interrompeu a continuidade de administrações legalmente eleitas,
apresentamos mais alguns esclarecimentos sobre os Planos I e II. Eles foram
enviados á ApoAerus, supostamente por um internauta que se assinou pelo nome de
Paizote, que teve o seu e-mail divulgado na internet por Carlos Pimenta. O
texto que segue condensa e até transcreve informações essenciais, devidamente
verificadas, excluindo comentários que, de acordo com o autor, representam
apenas seus pontos de vistas pessoais.
O texto, em sua frase inicial afirma, sem maior esclarecimento: “Os que mais
foram prejudicados com a divisão dos planos, estão quietos”.
A seguir transcrevemos os fatos essenciais. Basicamente todo começou quando o
Plano I foi prejudicado com a criação do Plano II, dirigido á maioria dos que
estavam na ativa, portanto contribuindo ainda. Eles foram “convidados” a
ingressar no novo plano, fato que praticamente esvaziou o Plano I, como é
evidenciado no quadro com o número de aposentados que na hora da liquidação
participavam de cada um deles.
Ficaram no Plano I a grande
maioria dos que já estavam aposentados e já recebendo proventos, portanto sem
fazer contribuições pessoais no momento da intervenção. Com a Varig e as outras
empresas sonegando suas contribuições, o fluxo de caixa teve mão única, no
sentido do Plano II, vindo de funcionários que estavam ainda na ativa.
Esses funcionários , que ficaram até o “apagar das luzes”, e que não tinham
tempo bastante de participação para aposentar-se , tiveram suas contribuições
descontadas até o último momento, mas na hora H nada receberam ou recebem, pois
em conformidade com a RE 571969 eles não
são contemplados pelas leis de recuperação judicial que substituíram a antiga
lei das falências.
E de nada adiantou eles ter impetrado pedido de liminar impugnando pagamentos.
Eles tiveram os seus pedidos negados, pois são classificados como credores
quirografários, que não possuem qualquer preferência ou garantia real em
relação ao seu crédito, de acordo com a lei n°11.101 e o entendimento do juiz
da 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Dr. Ayub.
A este ponto, o autor do texto original afirma : “Também não é verdade que a
maioria dos aposentados do Plano II recebem valores elevados. Fiz uma pequena
pesquisa entre conhecidos e a média foi de R$ 487,00.Existem alguns que recebem
mais , porém são minoria .Trata-se principalmente de aqueles que conseguiram se
aposentar pouco antes dos últimos “estertores” (suspiros) da Varig e com “opções” de contribuições mais elevadas.”
Portanto todos são ou foram prejudicados, sendo a principal responsável do
prejuízo do Plano I a decisão do governo
de autorizar a criação de um novo
plano e de permitir que as pessoas que ainda contribuíam no anterior saíssem
com suas poupanças. Praticamente só ficaram no Plano I aqueles que não mais
contribuíam, ou que recusavam-se de mudar de plano ou de valores de
contribuição.
Por ser a criação de novos planos que esvaziem os originais ilegal, o fato representa justo motivo
de contestação.
Resumindo, a divida da Varig com o Aerus , ou seja com os aposentados e os
demitidos ,é proporcional ao número desses participantes em cada plano, devendo ser
novamente enfatizado que aqueles que não conseguiram aposentar-se tiveram seus
recursos presos ao plano Plano II.
Talvez, pelos valores disponíveis no Aerus no início da liquidação, teria sido
possível efetuar pagamentos melhores aos aposentados que aguardam a sentença
final do Supremo Tribunal Federal , se por força de lei não fosse obrigatório
reservar verbas para as impugnações feitas , aguardando a sua definição legal e
o fechamento do quadro de credores.
Em todo caso, eis como se apresentava no momento da liquidação o quadro dos
participantes assistidos (recebendo) e ativos (contribuindo) dos dois planos
Varig:
Ativos Assistidos Total
Plano I
1.981 4.975
6956
Plano II 5.170
2.983 8153
Isto explicaria porque no momento da divisão houve prejuízo para o Plano I,
embora no Plano II os ativos (quirografários) fossem os maiores prejudicados
pela lei, pois apesar de estar contribuindo foram preteridos nos pagamentos.
Portanto, conclui, “somos todos vitimas, uns mais outros menos , e a solução só
chegará com a decisão judicial sobre um dos dois processos.”