NO ANO DA COPA DO MUNDO TODO QUARTO SERÁ PRECIOSO
Hotéis, navios e até motéis unidos para
garantirem hospedagem aos turistas
Copa do Mundo, Olimpíada,
turismo, férias, palavras mágicas em volta das quais se multiplicam projetos de
desenvolvimento da rede hoteleira e preocupações relacionadas com as
dificuldades que os organizadores enfrentarão para trazer no porto do Rio de
Janeiro os navios cujas cabines, supostamente, deveriam hospedar os visitantes
que não encontrarem quartos disponíveis nem nos motéis.
O ano 2014 ainda está longe.
Mas o tempo corre rápido e há soluções que exigem ser planejada e – quando se
trata de envolvimento da iniciativa privada – dependem da conjuntura, além do
custo dos investimentos. Um rápido balanço da situação neste final de 2010, permitirá
chegar a certas conclusões tanto em relação á disponibilidade de quartos em
hotéis, como na possibilidade de dispor de grandes navios para complementar a oferta,
que segundo as previsões será muito superior á capacidade hoteleira.
Os pessimistas afirmam,
baseados em estatísticas da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do
Rio, que os cerca de 29 mil quartos que a cidade tem atualmente não vão
conseguir aumentar o bastante para poder hospedar, em particular, os turistas
nacionais e sul-americanos, além daqueles procedentes da Europa e dos Estados
Unidos que deverão vir ao Rio de Janeiro em 2014. Afirmam – mas são apenas
exercícios mentais, suposições sem base estatística – que se na África do Sul
os turistas foram mais de 600 mil, no Brasil eles deverão se aproximar do
milhão. Pois, dizem, brasileiro de outros Estados não vai perder a oportunidade
de assistir aos jogos da sua seleção (mas talvez poderiam vê-los mais comodamente
sentados em frente da televisão...). Da mesma maneira os sul-americanos ,também
fanáticos por futebol, virão em grande número no Brasil, para acompanhar as
performances de suas equipes nacionais.Europeus e americanos seriam muito menos
numerosos, devido às distâncias, ao custo das viagens e ao câmbio desfavorável .
Agora, se como afirma o
presidente da ABIJ-RJ, Alfredo Lopes, “A oferta de quartos no Rio não permite
atualmente fazer dois grandes eventos ao mesmo tempo”, pode ser imaginada qual
será a situação a partir da vinda ao Brasil de quase um milhão de torcedores. Com
um índice de ocupação que em setembro chegou a 85% ,pouco sobra no momento na
rede hoteleira para as festas de fim de ano, se é verdade que as reservas já
bloquearam 85% da disponibilidade. De fato, a hospedagem no Rio é muito segmentada:
são apenas 3 as redes hoteleiras que oferecem mais de 500 quartos: a Othon,
(com 1.270), a Accor (com 1.716) e a Windsor que, além de ser a mais ampla, com
Segundo prometido pelo Comitê
Olímpico Brasileiro aos organizadores do campeonato mundial, o déficit seria
coberto com o aluguel de cabine em vários navios de grande porte e, de acordo
com informações mais recentes, também incorporando os melhores motéis da
cidade, que pela ocasião alterariam temporariamente algumas de suas
características físicas mais apreciadas por seus usuários diários. Sobre a
vinda de grandes navios, o presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos,
Ricardo Amaral, já expressou em entrevista suas dúvidas quanto ao sucesso da
iniciativa. Ele afirmou que o projeto foi muito válido na Olimpíada de 2004 na
Grécia, pois no mês de julho, em pleno verão europeu é grande a movimentação de
grandes navios pelo Mediterrâneo e pelo mundo, tendo sido relativamente fácil
convocar grande número deles para ficarem parados também nos portos do Egeu. No
Brasil há uma inversão de estações, e é improvável que as grandes empresas
marítimas troquem o movimentado mês de julho do hemisfério norte por stops de
algumas semanas no Brasil, sem cotar os cerca de 15 dias necessários para se
deslocarem até as águas da Guanabara. Ainda mais sem ter a certeza de que suas
cabines terão o necessário índice elevado de ocupação rotativa. Talvez os
organizadores do COI consigam oferecer contratos especiais a algumas empresas marítimas,
incluindo a redução das taxas de permanência no porto, mas não haveria
atualmente o menor indício de que a “operação navios” poderá ser totalmente realizada.
Como curiosidade, a Abremar, associação de empresas de cruzeiros, prevê a vinda
no Brasil, entre dezembro próximo e maio de 2011, de 20 navios, trazendo cerca
de 886 mil passageiros, sem contar os que embarcarão no Rio ou em Santos para
viagens de três a dez noites, antes e durante o fim de ano, com paradas em
portos brasileiros ou chegando até Buenos Aires,Montevidéo e Punta Del Este.
Outras opções de hospedagem
para a Olimpíada incluiriam o deslocamento de turistas para os poucos e
pequenos hotéis de Niterói e Petrópolis ou o encaminhamento para motéis de luxo
do Rio, que os donos adaptariam para facilitar a realização de esportes olímpicos,
algo diferentes daqueles que motivaram o seu rápido crescimento. Alguns deles,
aliás, já mudaram suas características, para atender novos usuários, atualmente
em maioria pertencentes ao chamado “publico corporativo”. E os maiores realizariam
obras para poder oferecer até entradas e salões de almoço em áreas separadas,
com ou sem café da manhã servido no quarto, quebrando mais uma tradição.