O AUMENTO DOS CONTROLES ANTITERROR
Quem viajou para os Estados
Unidos e desembarcou num de seus principais aeroportos, deve lembrar o
bombardeio de perguntas que lhe foram feitas pelo funcionário americano,
encerrado em seu box branco, após percorrida a longa fila exclusiva para estrangeiros
em solo de tio Sam que atravessava enormes espaços do aeroporto. Ele, que havia
desembarcado com visto e tudo, e antes de ser admitido a bordo já havia
remetido os seus dados pessoais ás autoridades americanas e havia passado por
inspeções para ingressar na sala de embarque, ingênuo, achava que na chegada seria
recebido como um cidadão comum, sem a desconfiança que fosse um terrorista.
Parece que todos os
anglo-saxões se sentem herdeiros de Sherlock Holmes e tem no sangue uma paixão
secreta por situações opressivas, como aquelas que Orwell celebrizou em seu
famoso “
Após o atentado contra Nova
York o mundo foi alertado contra os inimigos médio-orientais, sem distinção de país.
Mas eles demonstraram ser mais inteligentes que seus adversários, não
realizando mais ataques em massa, que causariam vitimas inocentes, mas sim
mantendo viva a possibilidade de que num ponto qualquer dos Estados Unidos ou
do mundo poderiam explodir bombas de origem terrorista. E Bin Laden, depois de
transcorridos quase dez anos, é ainda o líder mais conhecido e mais temido do
globo.
Outro livro que juntasse
dados estatísticos, feito em colaboração entre a União Européia e os Estados
Unidos, poderia fornecer uma estimativa de quantos bilhões Bin Laden já custou
aos militares que ainda hoje lutam para apagar a sua imagem revolucionária no
Afeganistão, depois dos anos gastos no Iraque.
E para calcular quantos bilhões
foram investidos nos aeroportos do mundo, para neles instalar máquinas sempre
mais sofisticadas que, pelo visto, nunca conseguirão ser 100% seguras para
detectar novos pós químicos e líquidos letais escondidos no corpo ou na maleta
de um viajante.
Ninguém quer admitir essa
realidade e as várias CIAS esparsas pelo globo inventam sempre novas medidas de
defesa, que parecem buscas com ar de minuetos,
nos aeroportos e a bordo. E proporcionam rendas fabulosas aos inventores de
máquinas que, atualmente, até deixam nu
diante do inspetor o passageiro a caminho do gate de embarque. Mas de todas, as
mais fracas e primarias são a providências improvisadas pelas autoridades
americanas depois do quase atentado que ocorreu na semana passada a bordo do
avião da Delta. Elas revelam a pressa de quem se sente culpado por inúmeras
omissões e uma forma de reação algo pueril como se, a partir de agora, todos os
eventuais terroristas pretendessem utilizar a técnica de preparo e a formula
química escolhidas pela nigeriano.
A história real dos meios utilizados
para combater o terror nos aeroportos também mereceria ser relatada por um bom
jornalista. Em sua busca, ele descobriria, juntamente com os controles válidos
e essenciais, as imaginosas loucuras que passaram pela mente de supostos
técnicos e logo foram transformadas em proibições pelas autoridades
aeronáuticas. Quem não lembra a obrigação de incluir facas de plástico no snack
dos viajantes, no lugar daquelas de metal (cuja duvidosa capacidade de corte de
um bife bem cosido era notória) e, entre tantas outras imposições, aquela que,
mais recentemente, obriga os passageiros a reunir num envelope plástico,
transparente, os objetos de toalete que levam a bordo, sendo proibidos de
incluir entre eles um liquido ou creme qualquer numa confecção de mais de 200
miligramas ? E os milhões gastos pelas aéreas para transformar a porta de
acesso ao cockpit naquela de uma fortaleza inexpugnável ?
Em matéria de ameaça
terrorista é fácil generalizar. Somos todos potenciais inimigos, a partir do
momento do check-in, se de posse de qualquer objeto, líquido ou pó que
supostamente poderia ser utilizado para ameaçar o comandante ou para danificar
a aeronave. Assim, pelo fato de ter
havido a bordo a ameaça de um passageiro impugnando uma faca, ou diante das
dezenas de possibilidades de misturas explosivas, milhões de passageiros – sem
a menor consideração pela origem, idade,
profissão – estarão sujeitos a mais controles, desta vez de natureza
discricionária, pois confiados á iniciativa da tripulação.
A Tam já anunciou que
continuará inspecionando 100% dos pertences de mão e os sapatos de seus
passageiros até o ingresso do finger, estando isentos apenas chefes de estado e
de governo e seus familiares. Agora, a
bordo dos vôos internacionais, por exigência do chamado Emergency Amendment, os
passageiros não poderão ser informados sobre a posição do aéreo quando cruza
cidades norte-americanas e estarão sujeitos a obedecer as ordens da tripulação.
Sabe-se todavia que algumas das últimas exigências, talvez as mais impróprias, de
acordo com a TSA, Transport Security Administration, já teriam sido amenizadas .Entre
elas havia a proibição dos passageiros irem ao banheiro sozinhos, na última
hora de vôo, e de manter bagagens de mãos em seus colos , se precisarem
abri-los. Quanto á proibição de visionar nas TVs de bordo os sistemas que
indicam a posição da aeronave, ela ficaria dependendo de decisão, caso por
caso, do comandante.
As novidades estariam no
fator surpresa e no fato que em cada vôo as normas a bordo serão aquelas
ditadas pelo comandante. E se ele for exigente, será bem desconfortável para o passageiro ter que apelar para a sua
compreensão, expondo eventuais motivos
de urgência, no caso precise ir ao banheiro quando ainda falta uma hora para
que o avião chegue ao seu destino.