OS PIORES INIMIGOS DA
VARIG ESTAVAM NA CASA ?
Pergunta difícil de responder, mas não há duvidas de
que ,quando uma organização é controlada por grupos ou indivíduos em luta pelo
poder, a sua história raramente acaba bem. A união faz a força de uma empresa e
a escolha de chefias competentes e fieis é o primeiro passo para garantir o seu
sucesso. Os maiores problemas surgem quando essa união é só aparente, e uma
grave crise oferece a elementos ambiciosos a ocasião que procuravam para tentar
a escalada ao poder. Eis que, não havendo mais soluções fáceis, a falta de
união acaba ficando devastadora para a sobrevivência da empresa. Como aconteceu
na Varig.
Havia, no final da década de
80 e ao longo do período seguinte - que praticamente se encerrou com a falência
virtual da aérea - vários grupos que queriam assumir o poder, atribuindo á
incompetência da administração legalmente eleita a responsabilidade pela crise.
Havia a Fundação Ruben Berta, já em posição de comando, pelo fato de ter
adquirido naqueles anos funções de supervisão técnico-operacional que o seu
fundador nunca pensou de conferir-lhe, quando a criou visando apenas garantir
aos funcionários mais modestos apoio e assistência. Um seu presidente chegou a
assumir a presidência da Varig. Em seguida, com os candidatos da casa
desacreditados, foi a vez de figurões de fora, chamados para assumir a chefia
não por sua capacidade específica, mas supostamente para melhorar a imagem da empresa.
E havia a Apvar, a associação de pilotos da Varig, que no começo tomou
iniciativas construtivas e de assessoramento á administração legal, para depois,
com nova diretoria , imaginar que poderia chegar ao poder e até ser dona da
empresa. Havia também diretores e altos funcionários, que queriam a todo custo
derrubar Rubel Thomas, lhe atribuindo a culpa pela desastrosa situação
financeira da empresa. Eles haviam esquecido o apoio que antes, em reuniões de
diretoria, haviam dado aos planos de crescimento da Varig, cuja realização
dependia da ampliação da rede e da modernização da frota, através de gastos que
incluíam contratos de leasing milionários.
Essas personagens, que nas
décadas anteriores haviam em maioria adulado Rubem Berta, tolerado Erik de
Carvalho e detestado Robert Gate, permitindo que
Supostamente, naqueles anos
a empresa poderia dispensar qualquer outro presidente, inclusive o mais bem preparado,
pois para ela sobreviver o problema a ser resolvido consistia em um acerto de
contas com as empresas de leasing em primeiro lugar, mas também com todos os
credores nacionais e estrangeiros. Com a indispensável ajuda do governo e de
posse dos fundos necessários para sair da crise, a Varig deveria se
redimensionar, reduzir suas rotas, devolver ás empresas de leasing os equipamentos
a mais, receber um financiamento adequado de parte do BNDES, renovar a maioria
de suas diretorias. Mas já não havia mais tempo para reuniões produtivas, tudo
era conspiração. Um dos últimos esforços aconteceu em 1996, quando tomaram
posse Fernando Pinto e seus fieis, atualmente em Lisboa, mas foi frustrado por
um Conselho de Administração cujo presidente e vice conspiravam para realizar a
virada riograndense.
Vale lembrar que, história
oficial a parte, a Varig atravessou muitos períodos difíceis antes de chegar á
tragédia final. Coube a Otto Ernst Meyer a sua fundação, apoiado por cerca de
550 acionistas, todos residentes
E as dividas se acumularam,
para estourarem nas mãos do último presidente. Sem dinheiro vivo, todas as
providências de contenção das despesas tinham escassa eficácia prática, mas
semearam milhares de desempregados, atingiram quem mais acreditava na empresa,
poupando quem soube com antecedência como garantir o seu pecúlio. E as forças
ocultas, internas e externas, conseguiram destruir um patrimônio construído em
mais de 70 anos, até o epilogo digno de opera bufa, que viu a 26ª companhia
aérea do mundo ser leiloada por aventureiros chineses por duas dezenas de milhões
de dólares furados, e depois repassada por centenas a uma empresa aérea da
casa, principiante em vôos internacionais.