MARKETING & DESPERDÍCIOS NA ‘’FEIRA DAS AMÉRICAS“ DA ABAV

 

Entrar da Feira das Américas, nos pavilhões do Riocentro, é quase uma conquista. Vindo da zona Sul os obstáculos são numerosos: a distância, o tráfego intenso, os engarrafamentos, quando não ocorrem acidentes que bloqueiam tudo. E é necessário também suportar os estragos causados á outrora encantadora Barra pela arquitetura importada das pequenas cidades americanas. Casas de dois andares, enfileiradas sem a menor afinidade de estilo, ocupadas no térreo por lojas de todo tipo e pelos inevitáveis supermercados populares. Mais adiante, avançando nos enormes espaços roubados á natureza, grupos de edifícios de vinte ou mais andares, ninhos de humanos que lembram os de abelhas. Todos iguais, lisos ou enfeitados, sem sinais aparentes de vida em seu interior. Tristes trópicos da outrora celebrada Barra da Tijuca, da qual sobram apenas alguns hotéis e as sempre belas praias, hoje segmentada numa variedade de nomes indicadores de outros bairros, cujas avenidas deslizam sob as rodas de milhares de veículos, que avançam nas pistas lisas como óleo, entre um e outro controle eletrônico.

 

Mas afinal se chega ao Riocentro, que agora circunda seus confins terrestres com dezenas de placas vermelhas. Seus enormes pavilhões, seus espaços circundados de serviços, são periodicamente movimentados por feiras ou outros eventos, populares ou não. Melhoraram muito desde a época da Riotur do prefeito Conde e do diretor das atividades turísticas Gerard. Só as instalações do ar condicionado, hoje funcionando a pleno vapor, são uma conquista pela qual foi árdua a luta naquela época do final dos anos 90. Há guichês para todo tipo de visitantes no hall de entrada. Pequenas filas, e em breve tempo com a credencial pendurada no pescoço o ingresso pelas entradas de controle é garantido.

 

Há muitos cartazes indicadores ao chegar ao pavilhão 2, de onde partem mini-transportes para os restantes, sendo ele o primeiro dos três dedicados á apresentação dos bens dos exibidores. Nele se encontram reunidos os representantes dos Estados e as respectivas Secretarias de turismo.Um show caseiro, com altos e baixos em qualidade e com dezenas de milhares de folhetos distribuídos sem parcimônia aos interessados. Bons negócios para as gráficas, mas um grande desperdício de bom material, pois em breve será despejado em maioria das bolsas plásticas coloridas fornecidas em cada stand para amplas latas de lixo. Lamentavelmente é dos mais elevados o índice de visitantes que, não sendo profissionais, pouco se interessam em conhecer todos os pontos turísticos promovidos pelos Estados. Mas também agentes de viagens, hoteleiros ou operadores de serviços são muito seletivos. Aliás, os agentes de viagens estavam convidados pela Abav para assistirem a palestras focando turismo corporativo, assistência ao viajante, turismo receptivo ou relacionamento com os clientes, entre outros itens, pois afinal a teoria é necessária, também agora que a IATA anunciou á categoria que as comissões pela venda de passagens não estarão mais a cargo das empresas aéreas.

 

No pavilhão 3 ficaram reunidos os stands dos países das Américas, juntamente com aqueles de instituições e de localidade turísticas do país, de Búzios a Petrópolis a Foz de Iguaçu. Nesse mix mais concentrado do marketing de serviços haviam as mil faces da Argentina segmentadas em grande numero de pontos de vendas, guichês cobertos de brochuras; as poucas atrações venezuelanas, com destaque para o presidente Chávez; o esforço gráfico de Cuba para produzir folhetos e um belo mapa da ilha; as geleiras do Chile popularizado pelo resgate dos mineiros;e Cancun, as Galapagos e o Peru, só para citar alguns.Aqui e lá podia ser encontrado um copo de coca ou um prato típico, monopolizados  pelos visitantes que, nas feiras, costumam procurar também o bom lado alimentar. Sem contar a presença nalguns stands de “muchacias” bonitas, pois afinal os olhos tem suas preferências e, quando se trata de shows, apreciam encontrar algo de mais impacto físico. Na comparação, todavia, as criaturas apresentadas pela Gol e pela Tam, nos respectivos stands do pavilhão 4, ganharam por goleada.

 

Era nesse último pavilhão que estavam concentradas empresas aéreas, marítimas, hotéis internacionais, editoras, operadoras turísticas. Elas vendiam imagens explicitas de serviços eficientes, no ar, nos ônibus ou nos quartos espaçosos de hotéis.Aquelas da Tap, quase na entrada do pavilhão 4 , surpreenderam os visitantes num stand de cerca 300 m² , dedicado a seus destinos na Europa e no Brasil, animado por um grande globo terrestre de fundo azul  envolto por uma redoma transparente giratória. E, junto com as letras gigantes da empresa, surgia um mock-up alto dois metros, focando os prêmios recebidos pela UP, a sua premiada revista de bordo, e os reconhecimentos mundiais ao projeto Carbono Zero. E houve o lançamento pelo vice-presidente Mór de um novo evento turístico anual, programado em São Paulo para abril, que será o “Tap Europe 2011”.   

 

O crescimento do turismo não para, como demonstram os dados estatísticos da Organização Mundial do Turismo. E a Abav 2010 demonstrou a vitalidade desse setor tão importante para as atividades econômicas do país. Na sua formula atual que, de acordo com o presidente Carlos Alberto Ferreira, poderá mudar sua data de realização para o primeiro semestre de cada ano e internacionalizar mais o evento, há espaço para todo tipo de promoções relacionadas com o turismo. A Associação, constrangida pelas mudanças que atingem a categoria, deverá também continuar a sua luta para atenuar os efeitos negativos que o corte das comissões terá para as agências menores que não consigam diversificar suas vendas de passagens, inclusive se dedicando á comercialização de pacotes e ás viagens corporativas.

Para tanto, a Feira anual representa um precioso veículo promocional, o maior show da Abav, que não pode e não deve parar.