MAIS UM ANO PERDIDO PELO AERUS NA IMPAR LUTA CONTRA A UNIÃO
É animador saber que o PLS
147, ou seja o documento mais recente sobre o “caso” Aerus que circula em
Brasília, na quarta-feira passada foi encaminhado ao senador Álvaro Dias, agora
nomeado relator para a Comissão de Constituição e Justiça do Senado.Foi mais um
passo á frente , depois que o texto elaborado pelo senador Paim havia sido
entregue ao senador Arns , que como primeiro relator o apresentou com sucesso aos
colegas senadores. Assim, o texto desse importante documento, após a aprovação inicial,
está avançando no burocrático e obrigatório caminho que exige relatórios
competentes para no final se tornar eventual instrumento de ações a favor do
Aerus, de parte da Advocacia Geral da União. O PLS 147 relata e comenta os
acontecimentos ocorridos no fundo de previdência privada, que agora exigem que a
União se responsabilize por eles, pagando as aposentadorias perdidas pelos
participantes, em conseqüência das omissões, erros e abusos permitidos pelo setor
previdenciário governamental, responsável pelo controle dos Planos Privados de
Aposentadoria.
Entretanto, se com a entrega
do dossiê a outro senador amigo há motivos para ainda confiar que o PLS 147
poderá facilitar a reabertura de um dialogo proveitoso com a AGU - premissa
insubstituível para que possa se esperar o reinício dos pagamentos a favor dos
aposentados - faltam totalmente parâmetros adequados para medir o tempo necessário
para que isso ocorra. De fato, a AGU assumiu uma posição defensiva também na
segunda ação, que foca uma vultosa indenização pelos prejuízos sofridos pela
Varig com o congelamento tarifário. Na última reunião entre as partes foram
enfatizados, mas carecem de comprovação oficial, os enormes valores devidos ao
Ministério da Fazenda pela aérea, mais elevados que o eventual crédito
indenizatório.
Além desses, existem
atualmente outros obstáculos, de natureza conjuntural. Entre eles o fato que
dentro de 40 dias um novo governo se instalará no Planalto e a proximidade das férias
do Judiciário, que iniciam na metade de dezembro e vão praticamente até
fevereiro. E sem os votos do Supremo Tribunal Federal a favor do eventual
acerto, não tem valor executivo qualquer acordo celebrado com a União. Assim, não
é pessimismo supor que, também se um entendimento fosse alcançado nestas poucas
semanas, a sua conclusão prática não viria antes de 2012.
Mas seria o começo. Um
surgir de esperanças de dias melhores para milhares de aposentados. A
realização de um direito, que cessou de existir quando a força bruta da burocracia
governamental assumiu o controle dos fatos. Uma profunda injustiça, que derruba
quaisquer justificativas de natureza financeira levantada pela União, se forem
comparados os poucos bilhões de reais que seriam pagos uma única vez aos aposentados/credores
do Aerus, com os bilhões que o governo aceita pagar aos mais variados setores
da administração pública. A começar por seus funcionários dos altos escalões,
já muito bem remunerados, sem falar dos chamados representantes do povo, entre
os quais somente uma minoria faz jus ao título. De fato, pelo menos uma centena
deles foi eleita para defender os interesses escusos de quem financiou suas
campanhas, e ainda há dezenas que por ter cometido atos condenáveis não
poderiam e não deveriam ser diplomados.
Entretanto, ao mesmo tempo
em que várias categorias, pagas com o dinheiro dos contribuintes, apresentam
suas reivindicações salariais, polemiza-se na imprensa e entre os técnicos da
Previdência Social sobre o valor do futuro salário mínimo. Tudo num clima de
incrível e voluntário desconhecimento da realidade econômica do país, que não é
aquela criada pela euforia consumista que vem de 2009. O oba-oba ignora os
problemas da exportação, minimiza os já visíveis indícios de pressões inflacionárias,
permite lucros sobre produtos importados que chegam a 100% ou mais, estimula o
crédito fácil, com taxas que em certos casos são pura agiotagem parcelada. Mas
com tudo isso fervendo, o problema mais discutido no momento é o valor do novo
salário mínimo. Dizem que poderia ser de R$ 550 ou mais, mas para o bem da
República, essa pretensão não deveria ser atendida, pois representa um aumento
real de 2% acima da inflação, considerando que atualmente o mínimo está em R$
510 e deveria chegar, no máximo, a R$ 538,15.
Se houvesse uma pesquisa
sobre esse assunto, seria outra a resposta popular. Da mesma maneira haveria
apoio geral a favor da solução do contraste entre a Varig e a AGU. Entretanto, é
fácil prever que o salário mínimo permanecerá nesse patamar e que ainda
demorará a conclusão da luta para liberar as aposentadorias do Aerus. Assim há
a perspectiva de que em 2011 trabalhadores não especializados e titulares do
“Plano I” do fundo, continuarão se debatendo para sobreviverem. Uns, com menos
de 550 reais líquidos ao mês, outros recebendo contribuições que nem chegam a
10% do valor da aposentadoria á qual teriam direito. Até que o PLS147 os ajude.