VIAGEM AO REDOR DA TERRA, OLHANDO NO FUTURO
As cidades crescem sem parar. As grandes concentrações de pessoas são uma tendência mundial. E um dos motivos desse fenômeno é obvio: a agricultura mudou seus métodos de produção, há sempre mais máquinas trabalhando e menos homens revirando a terra.
O desemprego leva essa gente a procurarem as cidades grandes, apesar de saber das grandes possibilidades de terem mais uma frustração. Assim mesmo as cidades crescem, impulsionadas por movimentos migratórios - hoje também facilitados pela abolição de muitas fronteiras - que ainda alimentam sonhos ligados ás ”terras promessas”. E as cidades crescem e nelas surgem não apenas novos blocos de edifícios urbanos para as classes A e B, mas também se multiplicam áreas menos nobres, onde proliferam os prófugos da terra, os da classe C e D, e os da crise industrial, das políticas desumanas ou da miséria.
Por esses e por outros motivos, o numero de megalópoles
aumenta no planeta. Num estudo realizado nos Estados Unidos, cujo título é “The world in
Segundo o geógrafo, nos próximos quarenta anos o mundo terá
pelo menos 27 “super concentrações urbanas”, cada uma próxima de 20 milhões de habitantes,
algumas delas já tendo alcançado os 30 milhões. Na classificação ele as dividiu
em três grupos : as que estarão com
Laurence C.Smith quantifica também os cinco países que em
2050 terão maior poder econômico (conhecido como PIB) em milhões de bilhões de
dólares, nesta ordem: 1) China 44,4; 2) Estados Unidos 35; 3) Índia 27,8; 4)
Japão 6,7 e, no quinto lugar, Brasil, com
As numerosas considerações do autor de “The World in
Outra consideração enfatiza o fato que o aumento
habitacional não se limitará, como no passado, a algumas cidades por tradição
de população elevada (quais Nova York e Tokyo) ou de outras, como Londres e Paris,
que cresceram por suas atrações: agora o maior aumento habitacional ocorrerá nas
metrópoles dos chamados “países emergentes”. Eles são China, Índia e Brasil,
que aparecem ao lado dos Estados Unidos e do Japão, que há décadas possuem os produtos
internos brutos mais elevados, ocupando sempre posições destacadas devido á sua
solidez econômica, apesar de estar atualmente
Mas os índices não param de crescer e Smith admite que há cidades nas quais seus cálculos já foram superados: por exemplo, a Pequim de hoje teria quase 20 milhões de habitantes, tendo incorporados numerosos municípios próximos, e Chongqing, sempre na China, já teria alcançado os 30 milhões.
Concluído, se a terra em 2050 estiver com os 9,2 bilhões de habitantes previstos, nada menos que 6,4 bilhões deles estarão vivendo nas cidades. Sendo assim, as grandes perguntas, que ainda não tem respostas são estas: como será a vida desses bilhões de residentes nas megalópoles? Será em maioria pacífica e altamente produtiva, como atualmente é considerada aquela de Singapura, ou confusa, tensa, perigosa como a de Lagos? E que influência terão os governos centrais sobre essas enormes concentrações de pessoas, nos setores políticos, de ordem pública e de assistência sanitária, entre outros?
Last but no least, talvez uma das perguntas mais importantes, pois dela dependerá o perfil de numerosas megalópoles é esta: qual será o papel da emigração na imagem de cidades com 20 ou 30 milhões de habitantes? A questão decorre da afirmação de Smith, segundo a qual a imigração nos países ocidentais será em prevalência de origem asiática, sendo previsto que 57 de cada 100 pessoas que nascerão no mundo até 2050 virão desse continente. O controle da miscigenação decorrente desses encontros, se apresenta desde já para os governos como um dos maiores desafios da primeira metade do século.