VIAGEM AO REDOR DA TERRA, OLHANDO NO FUTURO

 

As cidades crescem sem parar. As grandes concentrações de pessoas são uma tendência mundial. E um dos motivos desse fenômeno é obvio: a agricultura mudou seus métodos de produção, há sempre mais máquinas trabalhando e menos homens revirando a terra.

O desemprego leva essa gente a procurarem as cidades grandes, apesar de saber das grandes possibilidades de terem mais uma frustração. Assim mesmo as cidades crescem, impulsionadas por movimentos migratórios - hoje também facilitados pela abolição de muitas fronteiras - que ainda alimentam sonhos ligados ás ”terras promessas”. E as cidades crescem e nelas surgem não apenas novos blocos de edifícios urbanos para as classes A e B, mas também se multiplicam áreas menos nobres, onde proliferam os prófugos da terra, os da classe C e D, e os da crise industrial, das políticas desumanas ou da miséria.

 

Por esses e por outros motivos, o numero de megalópoles aumenta no planeta. Num estudo realizado nos Estados Unidos, cujo título é “The world in 2050, o cientista Laurence C. Smith, geógrafo da University of Califórnia de Los Angeles, evidencia e detalha as etapas do progressivo crescimento de numerosas cidades, baseado em projeções demográficas de alto nível. O texto toma ato da marcha atual do poder e da riqueza do Ocidente para o Oriente, prevendo que em breve ela incluirá nações da América do Sul e da África, cujo grande potencial é desde agora evidente.

 

Segundo o geógrafo, nos próximos quarenta anos o mundo terá pelo menos 27 “super concentrações urbanas”, cada uma próxima de 20 milhões de habitantes, algumas delas já tendo alcançado os 30 milhões. Na classificação ele as dividiu em três grupos : as que estarão com 10 a 14 milhões de habitantes, como Moscou,Kobe e Osaka (Japão)Paris, Los Angeles, Chennai (ex-Madras) na Índia, Istambul,Jacarta, Rio de Janeiro,Buenos Aires,Shenzhen, Guangdong e Guangzhou na China; as que terão entre 15  e 19 milhões de seres humanos, como Pequim,Manila,Cairo, Kinshasa,Lagos, Shangai; ou estarão acima de 20 milhões de habitantes, incluindo Nova York (20,6), Mexico City (21), Calcutá (20,6), São Paulo (21,4), Dacca (22), Delhi (22,5) Mumbai (26,4) e Tókio. Aliás a capital do Japão, com 36,4 milhões de moradores ,será a maior megalópole do mundo. 

Laurence C.Smith quantifica também os cinco países que em 2050 terão maior poder econômico (conhecido como PIB) em milhões de bilhões de dólares, nesta ordem: 1) China 44,4; 2) Estados Unidos 35; 3) Índia 27,8; 4) Japão 6,7 e, no quinto lugar, Brasil, com 6,1 m. de b. de dólares. Quanto á renda média per capita, os dois países que apresentarão o maior crescimento serão a China, que elevará o índice dos atuais US$ 2.200 para US$ 31.000 ao ano, e os Estados Unidos, que quase dobrarão o pró capite de seus cidadãos, de US$ 43.362 neste ano para US$ 83.000 em 2050.

 

As numerosas considerações do autor de “The World in 2050, começam com o fato que em 2010, pela primeira vez na história da civilização, o número de pessoas residentes nas cidades superou aquele dos moradores das áreas rurais. Esse trend é visível em particular nos Estados Unidos, onde a crise econômica e os novos modelos de consumo alteraram profundamente a “american way of life”, na comparação com as décadas anteriores. Antes muitos centros urbanos hospedavam apenas escritórios e os americanos amavam viver nos suburbs; atualmente os cidadãos voltam a popular as zonas centrais das cidades, em parte forçados pelos custos e pela poluição dos transportes, mas também para se reaproximar dos grandes centros de consumo e das atrações culturais.

Outra consideração enfatiza o fato que o aumento habitacional não se limitará, como no passado, a algumas cidades por tradição de população elevada (quais Nova York e Tokyo) ou de outras, como Londres e Paris, que cresceram por suas atrações: agora o maior aumento habitacional ocorrerá nas metrópoles dos chamados “países emergentes”. Eles são China, Índia e Brasil, que aparecem ao lado dos Estados Unidos e do Japão, que há décadas possuem os produtos internos brutos mais elevados, ocupando sempre posições destacadas devido á sua solidez econômica, apesar de estar atualmente em crise. Assim, cidades como São Paulo e México terão lugar entre as mais populosas ao lado de Kinshasa, Lagos, Cairo, exemplos de uma África em evolução.

Mas os índices não param de crescer e Smith admite que há cidades nas quais seus cálculos já foram superados: por exemplo, a Pequim de hoje teria quase 20 milhões de habitantes, tendo incorporados numerosos municípios próximos, e Chongqing, sempre na China, já teria alcançado os 30 milhões.

 

Concluído, se a terra em 2050 estiver com os 9,2 bilhões de habitantes previstos, nada menos que 6,4 bilhões deles estarão vivendo nas cidades. Sendo assim, as grandes perguntas, que ainda não tem respostas são estas: como será a vida desses bilhões de residentes nas megalópoles? Será em maioria pacífica e altamente produtiva, como atualmente é considerada aquela de Singapura, ou confusa, tensa, perigosa como a de Lagos? E que influência terão os governos centrais sobre essas enormes concentrações de pessoas, nos setores políticos, de ordem pública e de assistência sanitária, entre outros?

Last but no least, talvez uma das perguntas mais importantes, pois dela dependerá o perfil de numerosas megalópoles é esta: qual será o papel da emigração na imagem de cidades com 20 ou 30 milhões de habitantes? A questão decorre da afirmação de Smith, segundo a qual a imigração nos países ocidentais será em prevalência de origem asiática, sendo previsto que 57 de cada 100 pessoas que nascerão no mundo até 2050 virão desse continente. O controle da miscigenação decorrente desses encontros, se apresenta desde já para os governos como um dos maiores desafios da primeira metade do século.