AS BOAS PERSPECTIVAS DO MERCADO AÉREO BRASILEIRO

 

A demanda pelo transporte aéreo nas rotas domésticas teve em agosto um crescimento inferior 4% aquele de julho, mas chegou a nada menos que 34%; nas rotas internacionais as empresas brasileiras registraram no mesmo mês um aumento de 28,53% em relação a agosto de 2009, segundo as estatísticas divulgadas pela Anac. Houve também um expressivo aumento (19,55%) do espaço oferecido a bordo no segmento doméstico e o aproveitamento de assentos registrou um índice médio de 70,27%, superior em 7,63 pontos aquele do mesmo mês do ano passado. No setor internacional, no mês passado, o aumento dos embarques superou pelo quarto mês consecutivo o índice de 20%, chegando a um aproveitamento médio de 79,42%, bem acima (10,49%) aqueles dos últimos três anos. Na comparação com agosto de 2009 a oferta de assentos no setor internacional cresceu de 11,56%
De janeiro a agosto, a demanda por voos domésticos acumulou um crescimento de 27,04%, com 19,78% assentos a mais, frente aos dados referentes aos primeiros oito meses o ano passado.

A TAM manteve o primeiro lugar em número de embarque em voos domésticos, com participação de mercado de 42,61%, com a Gol na segunda colocação, com 39%. Juntas, as duas maiores acumularam 81,61% do fluxo de passageiros no país, contra 84,72% em agosto de 2009. Os três pontos foram conquistados pelas empresas menores, entre as quais a Azul mantêm desde junho a terceira posição,com 6,14% do mercado, a Webjet ocupa a sucessiva com  5,82% da demanda doméstica, seguida pela Avianca (2,89%) e pela aérea regional Trip, que chegou a 2,38% de participação.Em agosto a Tam cresceu 30%. A Gol de 34%, com um índice de ocupação de 69,9%, contra 59% no mesmo mês de 2009.
A TAM manteve no mês passado sua posição destacada entre as companhias brasileiras que operam para o exterior, com 82,73%, mas perdeu 5,56 pontos percentuais a favor da Gol que com a inauguração de novos vôos para destinos das Américas Central e do Sul cresceu 95,62% e se manteve em agosto na segunda colocação, com 16,87%%. Comparando 2009 com este ano, o crescimento registrado até agora no segmento internacional operado pelas empresas brasileiras foi de 17,34%%, representando um acréscimo de 5,3 pontos percentuais; no mercado nacional o seu crescimento foi de 27%
A Gol/Varig, que opera voos na América do Sul, registrou crescimento expressivo de 95,62% em agosto de 2010, comparado a agosto do ano passado, e detém 15,88% de participação. A Tam está com 84,04% de participação e crescimento de 20,82% no período e nos voos internacionais, o aumento médio do índice de ocupação dos assentos no período cresceu de 68,93% para 79,42%.
A segunda maior companhia aérea do país teve taxa de ocupação de 69,9 por cento em agosto sobre 59 por cento um ano antes e 68,9% em julho.

São dados expressivos que confirmam as melhores previsões dos analistas. De fato, depois de dois anos seguidos de incertezas, devidas á difícil conjuntura econômica e financeira internacional, no mundo inteiro está sendo registrada uma vigorosa reação no número de embarques e a volta progressiva dos executivos á classe premium, da qual se haviam afastados pela escassez de negócios globais. 

 

Mas no contexto geral, o crescimento elevado dos embarques de brasileiros para destinos domésticos e internacionais, reflete a evolução de uma conjuntura social que conseguiu oferecer mais opções de trabalho e salários melhores a um segmento crescente de pessoas.

Elas, em maioria, recorrem ao financiamento das passagens, se deslocando da utilização de serviços rodoviários nas viagens domésticas, para vôos que o maior número de empresas nacionais lhes oferece, a tarifas bastante acessíveis. Somente se com o novo governo, que será eleito dentro de poucos dias, toda a política econômica subir revisões, visando conseguir o difícil equilíbrio das contas do país, a atual tendência poderá se modificar, pois é obvio que o acesso de segmentos crescentes de brasileiros a melhores condições de vida tem como base e riscos as facilitações de pagamento, além do crescimento das importações, pois é obvio que os preços seriam bem mais elevados se numerosos itens ainda estivessem sob controle de algumas empresas nacionais.

Segundo artigos de jornais e palestras de analistas de mercado, o segmento de viagens aéreas, apresenta ainda por algum tempo, perspectivas de crescimento. A tendência recebeu confirmação de pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular no primeiro semestre do ano entre cerca de 5 mil pessoas, da qual transcrevemos alguns achados.

“Seis a cada dez brasileiros, com rendas entre três e dez salários mínimos que planejam viajar de avião pela primeira vez nos próximos 12 meses são da classe C” afirma o levantamento, acrescentando que se trata de um total de 10,7 milhões de pessoas, das quais cerca de 7 milhões pertencem á classe C e 1,7 milhão á classe D. O crescimento da classe C foi estimado nos últimos 7 anos em 29% e a esse segmento devem ser acrescentados os viajantes das classes superiores, que pela primeira vez estarão planejando suas idas a cidades do país e do exterior.

Se as previsões terão confirmação, o mercado dos transportes aéreos nacionais deverá se preparar para enfrentar novos problemas, em particular reestruturando seus aeroportos, que atualmente já tem capacidade insuficiente para tomar conta do tráfego e para cuja ampliação o governo tem destinado vários bilhões de reais. Sem contar o esforço financeiro exigido das companhias aéreas, para dispor de novas aeronaves nos serviço doméstico e para enfrentar a concorrência de companhias estrangeiras, que estão concentrando no Brasil suas iniciativas de crescimento nas rotas internacionais.

Além disso há o problema das tarifas. Elas já cresceram bastante em algumas rotas nacionais, nas quais a concorrência com as empresas menores atua com efeito moderador sobre os aumentos. Nas rotas internacionais, entretanto, muitas congêneres já estão aplicando tarifas mais elevadas, supostamente para compensar as reduções concedidas no biênio passado. Elas utilizam até o último dos direitos de tráfego concedido pelas autoridades brasileiras, enquanto a Tam não consegue sozinha ocupar mais de 50% desses direitos parra a Europa e os USA. Faltam-lhe aviões, tripulantes e estruturas no exterior que somente no médio e longo prazo poderão crescer, dependendo também do êxito da fusão com a chilena Lan.

 

Por último há quem se preocupa pelos efeitos que o acesso aos vôos internacionais de pessoas de outros níveis poderá ter sobre a imagem dos serviços aéreos, em progressivo declínio depois das primeiras décadas do século passado, quando pareciam reservados á chamada elite. O problema sem duvida será resolvido de maneira democrática, segmentando as redes de operação através de níveis tarifários diferenciados, sem deixar de atender os legítimos anseios de todas as classes sociais. Sem dúvidas, os acontecimentos desportivos internacionais de 2014 e 2016, que deverão atrair no país centenas de milhares de estrangeiros, estarão demonstrando os progressos alcançados pela indústria de transportes aéreos nacionais para estar á altura da nova conjuntura.