AERUS: PERGUNTAS
DE APOSENTADOS
Perguntar não
ofende, pois é a formula única para esclarecer dúvidas. Da mesma maneira, comentar
decisões tomadas ou achar que poderiam ser outras faz parte de um dialogo á
procura de possíveis soluções para um problema de interesse coletivo. Nada de pessoal,
mas apenas desejando contribuir. E em relação á Varig/Aerus, lembrando a longa
e tenaz luta de seus representantes, sem críticas em relação ao muito que foi
feito. Talvez apenas levantando a suposição de que poderiam ter mais caminhos
paralelos. Assim, para fechar o circulo
faltaria apenas um comentário sobre o
ocorrido e, quanto ao próximo futuro, uma palavra para os aposentados de parte
do SNA, da Aprus e dos advogados, sobre o que está sendo feito e se ainda se justifica
que eles mantenham acesa a chama da
esperança.
Vale lembrar que quando o
então responsável da AGU, hoje ilustre membro do STF, convocou as reuniões para
uma analise detalhada da contabilidade da Varig com a Receita Federal, surgiu a
ilusão de que os cálculos se encerrariam a favor da empresa e que, a seguir, o
Aerus receberia parte do pagamento, em vista da atitude favorável do ministro
Gilmar Mendes. Tudo poderia ser concluído no mês de agosto, no máximo até
setembro. Assim, grande era a possibilidade de um feliz ano novo para os
aposentados.
O que realmente ocorreu foi
uma ducha gelada sobre as esperanças de quantos dependiam do reconhecimento de
parte da União de uma dívida de bilhões, sem ainda considerar a
responsabilidade do governo por ter facilitado operações ilícitas que aos
poucos levaram o Aerus á insolvência. Mas depois de numerosas reuniões, o grupo
chegou á conclusão que a Varig devia á Receita Federal, em impostos não pagos,
mais dos estimados cerca de R$ 3 bilhões, que correspondiam ao valor da
indenização reclamada pela empresa aérea.
De suposto credor, o Aerus
tornou-se num passe de mágica devedor. Faltou calcular, na grotesca virada,
qual seria a dívida individual de cada aposentado e a forma de pagamento á
Receita Federal.
Segundo alguns aposentados
que se consideram mais esclarecidos, que pertencem ao numeroso grupo de aqueles
que poderiam ser considerados omissos por não ter participado das manifestações
programadas pelos Sindicatos nas ruas e nos aeroportos ou, ainda, daqueles
contrários á freqüente divulgação de e-mails e outros textos contra membros
eminentes do governo, (mas que acreditam na eficácia do apoio dos senadores
amigos) o desfecho das reuniões com a AGU teria evidenciado imprevidência e
excesso de confiança de parte dos representantes da Varig e do Aerus. No mínimo
eles deveriam dispor do calculo preliminar dos valores das dívidas e de seus
respectivos juros. Mas tão grande era o equívoco, em relação á atitude
conciliatória da AGU, em vista da posição assumida pelo presidente do STF, que
surgiu a expectativa de que o valor das dívidas da Varig teria uma solução a
parte, numa cobrança não devastadora para o calculo final da soma que a União pagaria.
Atualmente há um esforço de
parte dos advogados e dos Sindicatos para rever a exatidão dos valores apresentados
como dívidas, sendo evidente que os integrantes do grupo de trabalho da AGU não
se preocuparam em eliminar da enorme lista aquelas eventualmente prescritas,
nem de considerar e recomendar em tempo útil a opção de adesão da Varig á Lei que, prévia adesão até 30 de novembro, cortaria os
valores a pagar, eliminando ou reduzindo as respectivas multas, alem de
facilitar o seu parcelamento em até 60 meses. Aliás,sobre esse assunto nada foi
esclarecido pelas partes, nem foi dito se, in extremis, a Varig aderiu á Lei ou
quais foram as razões que a impediram de aproveitar desse importante recurso.
De fato, a não ser que tenha
sido descoberto outro caminho, o recurso ao Refis aboliria multas ingentes,
reduzindo talvez abaixo do valor do crédito a soma total a ser paga. E, ainda,
a Varig poderia parcelar a sua dívida em 60 meses, receberia os R$ 2.9 bilhões
oferecidos e deles teria uma renda bancaria mensal para o pagamento, parcial,
das aposentadorias. Ao mesmo tempo, continuariam as ações paralelas, que
responsabilizam o governo por suas omissões nos controles administrativos do
fundo, assim como pela indevida suspensão de sua contribuição ao Aerus,
prevista pela ata que criou a aposentadoria.
As perguntas e as dúvidas acima
relatadas são puramente intuitivas. Contra a adesão ao Refis podem ter existido
insuperáveis restrições legais e práticas. Mas em todo caso, deveriam ser
reportados aos aposentados a tentativa feita e os obstáculos encontrados para
garantir á Varig as vantagens da adesão á Lei que o governo ofereceu aos
grandes devedores. Saber que, apesar das adversidades, há quem ainda não
desistiu de lutar para o reconhecimento dos direitos dos aposentados mantêm
viva a esperança. Pelo contrário, o silencio atual amplia a frustração causada
pelo impasse e acentua o drama de quem
chegou a sonhar que neste 2010 voltaria a receber a sua aposentadoria, ou parte
dela.