A LONGA
ESPERA DA SENTENÇA
A espera é
longa, mas a esperança ainda não morreu, apesar das aparências contrárias, das
omissões, dos equívocos, da má vontade, dos erros, da irresponsabilidade, do
atraso, depois de passados quatro anos e dois meses do dia da intervenção e
liquidação dos Planos I e II do Aerus. Neste começo
de junho, a esperança continua presente nas preces dos aposentados, que vivem
das sobras de um patrimônio desperdiçado sob os olhares de quem o devia proteger.
As ações legais estão sob os cuidados de um tenaz advogado e de um sindicado
consciente da sua obrigação de defesa das aposentadorias dos associados, e contam
com o apoio solidário de parlamentares honestos.
São cerca de 15 mil os ex- funcionários - entre os que eram da
ativa e pagavam suas contribuições agora congeladas, e os que já eram
assistidos mensalmente pelo Aerus
Hoje, depois de
transcorridos exatos 50 meses do dia da intervenção no fundo de pensão Aerus, já foram ditos, escritos, divulgados nas mídias e na
rua todos e quaisquer aspectos da injustiça sofrida. E, junto com a aparente
insensibilidade oficial, foram recebidas palavras de apoio, registradas
iniciativas para levar os lados humano e legal do problema ao conhecimento de quem,
com sua autoridade, podia promover seu encaminhamento para o endereço certo. Mas
na prática, somente houve progressos teóricos, frustrados pela divulgação do
resultado de mais de três meses de analises, feitas a pedido do responsável da
Advocacia Geral da União, hoje ministro do STF. Houve um parecer final do grupo
de trabalho, que representava vários segmentos do governo, inconcludente para o
Aerus e negativo para os interesses da Varig. E após semanas de silêncio, sem uma ação ou
um documento a favor da causa dos aposentados, ficou apenas, para ser arquivada,
uma fria e questionável prestação de contas. E tudo voltou como antes, com
passeadas, demonstrações nos aeroportos, idas a Brasília, promessas, mas sem
nada de novo e de concreto.
Nesse clima de
inevitável pessimismo, há dias circulou pela internet uma mensagem, endereçada
pelo ex-comissário de vôo da Varig Carlos Edmundo Matzenbacher
ao Ministro Chefe da Advocacia Geral da União, Luiz Inácio Lucena Adams. Uma
longa e comovedora mensagem que veio de Joinville, da qual tomamos a liberdade
de reproduzir apenas a segunda parte, que diz: “Estou diante do Ministro Chefe da AGU, mas sobretudo,
de um ser humano. Não estou rogando
clemência nem desacertos.Estou clamando por Justiça. Milhares de pessoas, por
décadas depositaram parte dos seus salários no Aerus,
supervisionado pelo Governo, a garantia Formal, a fim de obter
um rendimento mensal, pós atividade profissional e, no entanto, hoje vivemos a
conta-gotas.
Nossa Varig, orgulho Rio Grandense,foi para o espaço,
mas nós ficamos. Ainda necessitamos de pão, água, dignidade e direitos
restabelecidos.”
Segundo o escrevente,
depois de assistir á cerimônia em Brasília, surgiu a
certeza de que haverá mudanças nas ações públicas da AGU. Foi dito e divulgado ”A Advocacia Pública, no seu aperfeiçoamento, na Busca de Soluções, num crescente
esforço de conciliação. Laboratório de inigualável importância, uma harmonização jurídica
destas tarefas” . “Essas palavras, pinçadas do vosso discurso, quando da posse
como Ministro da Advocacia Geral da União, me fizeram vislumbrar uma esperança
que, confesso, já estava submersa Dia desses, conversando com um comandante
aposentado do Aerus, ele manifestou seu pesar. Nas
suas gavetas,disse, repousam medalhas ao “Mérito Santos Dumont" e ”Medalha
do Pacificador", cartas e agradecimentos governamentais por relevantes
serviços prestados à Pátria e no entanto necessita
permanecer na fila do SUS para um atendimento. Deprimente. Sua vontade é
devolver à Pátria suas honrarias. O que dizer das viúvas dependentes? Algumas
sem receber absolutamente nenhum provento.Ou dos milhares de trabalhadores da
ativa, que por anos descontaram para o Aerus, e até
hoje nem receberam seus salários, férias, FGTS. Direitos básicos. Caótico o quadro.
Verdadeira crise social. Todos desamparados, efetivamente abandonados.Um
petardo generalizado, sem ser de nossa responsabilidade.Necessitamos
ultrapassar este patamar.O Acordo é urgentemente necessário.
Rogo Vossa consideração por um Olhar Novo neste amplo processo. Um entendimento que possa ser razoável, sensato para todos os
envolvidos.
E há condições para isso. Faço exemplo do nosso Presidente que esteve no Iran,
tentando exaustivamente costurar um acordo internacional que possa harmonizar
antagonismos.
O tempo está escapulindo, a vida não espera.
Nossa faixa etária não permite mais preliminares.
Respeitosamente,Carlos Edmundo Matzenbacher”