A NOVA “CLASSE C” ESTÁ NO PARAÍSO ?
Esta história tão falada por
aí, de uma classe D que avançou impetuosamente para se integrar á classe C e,
logo em seguida, começou a viajar como nunca antes pelo Brasil e para o
exterior não convenceu a todos. Por respeito á categoria que representam,
precisamos tirar o chapéu aos ilustres economistas que apóiam a tese, assim
como reconhecer que ,antes deles,o dono da Azul havia
previsto esta invasão de novos usuários das viagens aéreas. Mas parece que a
realidade, sob as asas do credi-fácil, superou o
esperado. Aliás, se é um fato que os novos viajantes estão contribuindo para
encher os aviões, como Neelman disse quando decidiu
implantar no Brasil os serviços da sua Azul, apenas não
ficou claro por que, acreditando em sua profecia, ele adquiriu somente uma
frota de aviões pequenos ,feitos em casa, deixando de importar também os Boeing
e os Airbus de capacidade bem maior.Mas, se questionado ,ele teria uma
explicação lógica pela opção de ter comprado os Embraer: financiamento do BNDES
a parte, ele previu que a maioria do fluxo de novos passageiros da classe C
viria de cidades menores, mal servidas pela aviação comercial, por falta de
estruturas, em particular no Norte e Nordeste , com seus aeroportos sem apoio
técnico.Em vôos de curta distância, em dias de mau tempo,seria mais fácil
operar os E190 e os E195.
A duvida é esta: neste ano,
o aumento de cerca 25% nos embarques domésticos, evidenciado pelas
estatísticas, veio dessas regiões, facilitado pelas cestas governamentais e
outras formas de subsídio de natureza social ? A origem real desse fluxo, no tamanho efetivamente
registrado, é duvidoso. A natureza no Norte e
Nordeste, assim como nas menores cidades do Sul, não foi tão amiga em safras e em
chuvas , nem os salários cresceram tanto ao ponto de dar folga aos balanços
familiares. Assim, poderia ser considerada outra hipótese, para explicar o
crescimento social refletido em parte nos embarques aéreos :
houve sim, quem subiu da D para a classe C, ou seja do nível de quase miséria
para aquele de uma vida melhor, mas na realidade o que mais pesou nesse
crescimento foi a evolução da renda de quem já se encontrava na classe C. Foram
esse cidadãos – um pouco graça aos cartões de crédito,com os quais se
endividaram, um pouco por que tiveram melhorias salariais – os que mais se
empolgaram e decidiram usufruir dos prazeres da vida civilizada : começaram com
a geladeira e a TV de
Nessa eventual conjuntura,
se as previsões deste cronista tivessem algum valor e fossem tomadas a sério,
assim como são aquelas dos entendidos em economia – poderia ser levantada a
hipótese de que em 2011 poderá haver um esfriamento da euforia deste ano, caso
se confirmem as tendências de aumento dos preços ,em
terra e no ar, e se muito integrantes da classe C encontrarem dificuldades para
pagar no vencimento todos os créditos abertos neste ano. Isso exigiria corte de
despesas, criando uma espécie de revezamento com os eventuais “novos ricos”,
procedentes de classes inferiores, atraídos pelo fascínio das viagens aéreas. De
fato, a instabilidade econômica que está a caminho no país - se não for
encontrado um sistema para parar a desvalorização do dólar e incentivar as
exportações – poderá ter efeitos negativos também sobre a oferta de trabalho,
pois a indústria nacional não poderá acompanhar todo o crescimento da demanda,
não estando seus preços em condições de competir com aqueles da produção importada
de empresas chinesas.
Assim, este 2010 poderia ter o encerramento de fim de festa, também para os
brasileiros da classe D que recém ingressaram no mercado de consumo e que neste
ano, segundo estimativas do Instituto Data Popular, duplicaram suas rendas. Fala-se
em quase 60 milhões de pessoas, com renda familiar entre um e três salários
mínimos (totalizando R$ 1.530), que segundo a pesquisa representaram 44% das
compras facilitadas de móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos e que, supostamente,
com o reforço
do 13º salário se propõem mais gastos para presentear nestas festividades
natalinas.Por incrível que pareça ,a classe D ocuparia atualmente no país a
segunda posição entre as classes com maior poder de compra, tendo alcançado uma
massa de renda próxima dos R$ 381 bilhões.Mas entre seus needs mais sentidos ainda ao
apareceram com destaque as viagens aéreas.
A conclusão poderia ser que
a categoria social mais penalizada é atualmente aquela chamada, em outros
tempos, de
classe média. Recebia salários discretos, os administrava com cuidado, evitava
assumir dívidas onerosas demais, salvava as aparências de seu teor de vida,
desde a comida até o vestiário. E depois de anos de economias, as vezes realizava o sonho de viajar para o exterior .
Aparentemente esta classe se encontra em fase de extinção.
Talvez este texto seja
apenas conversa, pois carece de base técnica, de fundamentos
econômico-financeiros totalmente confiáveis, estando sujeito a inúmeros desmentidos
de parte dos fatos. Entretanto, bem-vindos sejam na economia do país os novos
integrantes da classe C, sem esquecer os “poderosos” da classe D, quaisquer
sejam seus potenciais efetivos e o tamanho de suas fantasias para realizar
viagens aéreas.