TURISMO VOLTA A CRESCER E TARIFAS AÉREAS TAMBÉM

 

O Brasil teria tudo para esperar no curto prazo uma verdadeira e douradura explosão do turismo internacional, se não tivesse o problema do cambio entre dólares e euros de um lado e real do outro. Em relação ao turismo doméstico, com a demanda para destinos nacionais em crescimento, as empresas aéreas estão mudando a sua política de descontos, pois detectaram a possibilidade de manter elevados os índices de aproveitamento dos aviões alterando entre 10% e 20% suas tarifas. A liberdade instaurada pela Anac permitirá as variações de preços da conveniência de cada companhia, assim como facilitou descontos que, talvez, poderiam ter sido menos radicais. Foi sem duvida o ingresso da Azul, que em menos de um ano já teria emplacado o passageiro número dois milhões, que acirrou a disputa envolvendo Gol e Tam. Para não perder tráfego elas acompanharam os descontos oferecidos no mercado, apesar de seus custos maiores, visando manter elevados os load factors, mas viram seus yields caírem para níveis nem sempre rentáveis.

 

Mas até a Azul entendeu que, depois de um ano, chegou a hora de ganhar dinheiro, pois quem investiu nela sem dúvida aprecia as estatísticas que evidenciam o crescimento da aérea, mas espera que em 2010 o fluxo de embarque, além de numérico, seja também lucrativo. Seu presidente, Pedro Janot, já admitiu que também a Azul deverá elevar as tarifas, num processo gradual de recomposição já iniciado pela indústria, se equilibrando entre 10% e 20%, se a situação econômica do país continuar em crescimento, como indicaria o fato que em novembro a demanda na Gol e na Tam aumentou de mais de 40% , em comparação com o mesmo mês do ano passado.

 

Assim, o panorama atual se apresenta róseo para os turistas nacionais, que o dólar barato convida a viajarem para o exterior, mas menos convidativo para aqueles que querem conhecer mais o Brasil. Os dois universos não são tão independentes como pode parecer : de fato, se dólares e euros voltarem á cotação que melhor reflete o valor do real ,comparado com aquele das moedas outrora chamadas de “fortes”, será automático o encarecimento das tarifas para o exterior e,também, o aumento dos custos em reais relacionados com essas viagens.Sem dúvida , o diferencial poderá levar muitos viajantes potenciais a alterarem seus planos, sempre que o aumento das tarifas domésticas não reduza a conveniência dessa possível mudança de rotas.

 

Outra, atualmente, é a situação do turismo receptivo - apesar da projeção internacional do país, neste governo - havendo fatores que poderão influenciar a decisão de viagem de muitos turistas estrangeiros potenciais, levando-os a optarem por destinos diferentes. Em primeiro lugar pode ser colocado o câmbio desfavorável para dólares e euros, de efeito ainda mais negativo considerando que os preços internos em reais não são competitivos, quando comparados com aqueles de muitas cidades turísticas da Europa e dos Estados Unidos. Como exemplos, podem ser citados os preços de hotéis e da alimentação de categoria, os custos de excursões e de participação de eventos internacionais , que estariam na média se o valor do dólar estivesse em volta de R$ 2,60. Com a taxa em vigor, nesta véspera de festas de fim de ano, ao nosso ver representa um gasto realmente excessivo para um visitante pagar quase 700 dólares somente para acompanhar do terraço de um hotel cinco estrela, em Copacabana, os fogos de artifício do Réveillon de fim de ano.

 

Mas além do fator preço, componente destacado das motivações que levam os turistas a optarem pela escolha de qualquer destino, deveria se avaliada nas previsões de crescimento do fluxo turístico para o Brasil, a possível influência  exercida pela escolha do Brasil como sede do Campeonato Mundial de Futebol. Se esse evento internacional  visa, também, atrair turistas estrangeiros, é improvável que quem já pensa em participar dele em 2014, decida vir ao Brasil duas vezes, viajando também antes dessa data.

Eis que, nessa dúvida, o fator tarifas para o Brasil poderá ter ainda mais peso que atualmente, sendo previsto que também as passagens internacionais deverão ter seus preços aumentados a partir do momento em que o fluxo de embarques se estabilizar. Oferecer tarifas promocionais embutidas em pacotes mais convenientes deveria merecer a atenção de aéreas e de operadores internacionais e até, no contexto da liberalização, contar com o apoio promocional do Ministério do Turismo e das associações de classe.

 

De outro lado, a situação econômica da maioria de países estrangeiros, onde ainda existem conjunturas difíceis que afetam o dia-dia de milhões de pessoas que pertencem ás classes B e C, deverá afastar por tempo indeterminado das viagens internacionais numerosos viajantes potenciais. Esses segmentos de usuários, mais os executivos da classe Premium, representaram até agora para as aéreas a diferença entre o lucro, o break-even e o prejuízo. Numa conjuntura econômica mais favorável, a competição das empresas deverá voltar a se concentrar no tráfego de executivos, tentando ao mesmo tempo recompor as tarifas da classe mais popular, atualizadas de acordo com o preço do combustível, atualmente ao nível de US$ 72 por barril de petróleo, mas com tendência a aumentar se a economia mundial voltar á dinâmica anterior á crise de 2008.

 

Conter a escalation  tarifária, que no setor internacional será motivada pelo encerramento parcial dos problemas financeiros causados pela crise mundial, poderá ser a política certa das empresas aéreas para recuperar o tráfego perdido e para promover mais viagens internacionais. Assim, é justo e imperativo que os preços das viagens , atualizados com os custos, voltem aos  níveis de antes de 2008 , mas poderia ser um risco a sua elevação excessiva, para tentar recompensar as perdas do último biênio, dedicado aos descontos.