TAM – TAP : POUCOS ACREDITAM NESSE CASAMENTO
Tempos de
crises, tempos de mudanças, reais ou imaginárias. Mudou o governo em Portugal,
mudou um diretor na Tam, houve greve em Lisboa, fala-se em desgaste de
dirigentes. E voltam as previsões sobre quem vai substituir quem nesta ou
naquela empresa, baseadas em suposições de analistas ou da imprensa, sem
analises para avaliar a sua consistência.
Em Portugal o
Diário Econômico atribuiu na terça-feira passada grande importância ao
afastamento de David Barioni da presidência da Tam, decidido pela família
Amaro, que ignorou, por ser acionista majoritária, a existência de acionistas
que poderiam opinar sobre o assunto. O jornal chegou a conclusões cuja origem
não foi declarada, em relação á iniciativa, enfatizando que o lugar de Barioni
poderia ser ocupado por Fernando Pinto, atual presidente da Tap, e chegando a
supor que nessa mudança haveria uma aproximação entre a aérea portuguesa e a
Tam que poderia acabar com uma fusão entre as duas empresas. Nada de totalmente
novo, pelo que se refere á possibilidade de Fernando Pinto vir a ser convidado
pelos Amaros, pois já na mudança do presidente anterior, Marco Bologna, o nome
do CEO da Tap estava entre os mais cotados para assumir a presidência da Tam.
Desde então, já se passaram dois anos, muitas coisas mudaram nas duas empresas,
devido em boa parte á crise econômica que afetou a indústria de transportes
aéreos, causando prejuízos á Tap depois de anos seguidos de lucro, e a perda de
mais de um bilhão de reais á Tam, como resultado de suas atividades em 2008.
Portanto, se
a escolha de Fernando Pinto pela Tam evidenciava em
Quanto ao
“ambiente” na Tam, ele nunca foi muito receptivo á imissão de valores novos em
suas fileiras, ainda mais se eles chegam sem contar com o suporte de forças
internas, além do indispensável apoio da família Amaro. Foi o ex presidente da
Varig, Rubel Thomas, um dos primeiros a ser vitimado por essa realidade, quando
perdeu a Diretoria da Tam para a qual havia sido contratado. Mas é a saída de Barioni,
que para assumir o cargo deixou a vice-presidência de operações da Gol, a evidenciar
que na aérea não é suficiente ser “populares”, como foi ele imitando a
espontaneidade do fundador da Tam, comandante Rolim Amaro,nas relações com os
funcionários e com os passageiros , sendo necessário principalmente para se
manter nos cargos executivos o apoio total de Maria Cláudia Amaro e família.
Que não gostaram também dos contrastes de Barioni com os pilotos. Mas o que desta
vez vicou na garganta da alta administração - na sua procura permanente de
resultados de curto prazo - foi a contratação de hedges de combustível por US$
100 o barril , quando a tendência do preço do petróleo havia chegado a mais de
US$140. O fato que mais tarde o preço caiu em volta de US$ 50 representou para
a aérea a perda de milhões e foi atribuída a Barioni, apesar de ele ter
recebido o aval do Conselho de Administração.
Diante dessas
tendências conservadora da maior empresa aérea brasileira não surpreenderia a
volta á presidência de Marco Antonio Bologna, cuja administração ficou
envolvida em acontecimentos fora de seu controle, quais o chamado “apagão” no
qual as operações da Tam ficaram anarquizadas por alguns dias do final de 2006
e, em particular, o desastre ocorrido em Congonhas com um Airbus que se
autodestruiu em chamas, por causas ainda não explicitadas mas supostamente
devidas a erros técnicos.Desde sua saída da Tam, Bologna continua no Conselho
de Administração da aérea e tem gerenciado a Aviação Executiva da empresa,
mantendo sempre relações de alta confiança com os Amaro.Analistas que o
consideram o candidato ideal, excluem que a Tam tomaria o risco de admitir na
sua presidência um executivo de grande capacidade como Fernando Pinto,
demonstradas na presidência da Varig antes que naquela da Tap, pelo temor de
que encontraria um ambiente hostil que prejudicaria suas iniciativas, em
particular se a sua contratação não incluísse também a dos executivos
brasileiros que, com ele, transformaram o perfil internacional da Tap , expandindo
e modificando a qualidade de seus serviços.
Por todas
essas considerações, deveria também ser considerada como aparentemente remota a
viabilidade da fusão Tap/Tam divulgada como possível pelo Diário Econômico de
Portugal. Já houve no Brasil uma séria tentativa de fusão da Tam com a Varig,
que contava com o apoio do governo e visava evitar a ameaça de falência da
empresa rio-grandense.Foram longos meses de reuniões, sem resultados positivos,
diante dos obstáculos representados pelos interesses comerciais ou corporativos
de uma ou outra aérea . Atualmente, se Tam e Tap decidissem o caminho da fusão,
numa analise objetiva, seria a empresa portuguesa que mais teria a perder pois,
apesar de comparativamente ter um potencial menor, deveria alterar a sua excelente
estrutura de rotas internacionais, em constante crescimento, para tentar
formulas de integração com a aérea brasileira, cujo principal interesse seria
viabilizar sua presença nos mercados europeus, já servidos pela empresa
portuguesa , nos quais a Tam detêm participações modestas. Sem contar as
dificuldades de entendimento entre uma empresa privada e outra, como a Tap,
ainda sob as asas do governo.
Hoje os code-shares e as alianças resolvem os
problemas da presença em outros países, sem a necessidade de fusões que na
maioria dos casos resultam em confusões, como já aconteceu no Brasil aos tempos
da Varig.