SOBRE AS VANTAGENS DE SER CAPITAL DO TURISMO GAY

 

Há poucos  meses foi apresentado no Brasil e no resto do mundo o filme “Milk”, numa excelente interpretação do ator Sean Penn na parte do político norte-americano Harvey Milk, que nos anos 70 lutou toda a sua vida para o reconhecimento dos direitos civis dos gays, inicialmente em San Francisco e depois em vários estados dos Estados Unidos. Foi uma dura batalha ganha contra os preconceitos e a resistência conservadora, na qual Milk -  o primeiro político norte-americano que assumiu publicamente ser homossexual  - perdeu a vida, assassinado pelo leader adversário que havia derrotado.

 

Passaram décadas desde aquele episódio e aos poucos muitos países absorveram o conceito que ser gay, lésbica, bissexual ou pertencer á categoria de transgêneros não representa a expressão de um vício, mas na grande maioria as características de mais uma categoria humana, com todos os direitos de ser reconhecida pela sociedade e de ser amparada pelas leis. No momento, em vários países ainda há luta pelo reconhecimento do casamento entre gays e entre lésbica e , entre os fieis, dominam as fortes restrições do Vaticano, além de resistências  mentais á livre admissão e permanência de gay e lésbicas no convívio social. Baseadas em  tradições supostamente irremovíveis,  na realidade são instintivas reações a uma espécie de estigma que em muitas épocas  classificava os homossexuais como representantes da libertinagem . Entretanto, um grande movimento de solidariedade está tomando conta da sociedade, que já recebe  gays ou lésbicas com a mesma naturalidade com que aceita conviver com indivíduos de qualquer raça e credo.

 

A presença sempre mais numerosas de gays e de lésbicas  na sociedade se desenvolveu junto com a evolução dos costumes, apoiada por legisladores sensíveis aos direitos á vida de milhões de pessoas, antes indevidamente marginalizadas porque a sua orientação sexual diverge daquela da maioria. Assim, não deve surpreender que já existam competições específicas para valorizar um segmento social que lutou duramente para se livrar do preconceito. A mais recente ocorre neste mês de setembro, em cinco cidades concorrendo ao título de “Melhor Destino Gay Global”. A vencedora terá o seu nome divulgado em 2 de novembro em Boston, após a apuração pelo site de turismo da LogoTV, pertencente ao grupo MTV, do numero de votos recebidos por cada uma. Na competição estão Barcelona e Londres na Europa, Buenos Aires e o Rio de Janeiro na América do Sul, Montreal no Canadá e Sydney na Austrália.

O concurso inclui fortes motivações de natureza turística, pois gays e lésbicas apreciam participar de viagens internacionais, para se reunirem em cidades onde sabem existir, além das atrações turísticas, um clima social acolhedor e amigo. Eles representam uma fonte de receitas bastante elevada e contribuem para divulgar alegria geral onde se reúnem ou desfilam, em barulhentos e coloridos grupos.

 

Esse turismo, identificado pela letra inicial das quatro categorias representadas (GLBT), interessa ao Brasil, que até abriu no site da Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro um link com a pagina de votação do concurso e deverá divulgar cem mil folhetos dedicados ao acontecimento e á importância da candidatura carioca, enquanto os placares eletrônicos do estádio do Maracanã estarão registrando a evolução da votação, até o seu encerramento previsto para 28 de setembro. Alguns dados estatísticos evidenciam que em 2008 estiveram no Rio de Janeiro cerca de 4  mil gays, participando de viagens organizadas pela agência Rio G Travel , cuja parte terrestre custava US$ 1200 para uma estada de cinco noites , mais o preço das passagens aéreas e com os gastos individuais estimados em cerca de US$ 250 por dia.

 

Dizem os promotores da candidatura do Rio ao titulo de “Melhor Destino Gay Global” de confiar no sucesso, em primeiro lugar devido á existência de leis a favor dos direitos de gays e lésbicas, que complementam a imagem de uma cidade naturalmente atraente, alegre, e particularmente rica em reuniões festivas que se repetem ao longo das noites, ao céu aberto, em restaurantes e em boites. Com certeza, se a votação favorecer o Rio, o resultado incentivará um maior  fluxo turístico no verão de 2010, apesar das dúvidas levantadas por analistas. Eles consideram a crise econômica e os elevados preços de uma viagem ao Brasil como fatores adversos, além de evidenciar que o turismo popular gay já conhece a cidade e que as pessoas de status mais elevado nem sempre apreciam se expor, integrando grupos de diferentes níveis sociais.

 

Em todo caso, se a maioria dos cariocas assim quer, vamos torcer para que o Rio conquiste mais um título, se tornando também a capital do turismo homossexual.