SOBRE A INCONVENIÊNCIA DE
POLEMIZAR
O comandante Elnio Borges
Malheiros, provavelmente expressando a opinião da Apvar, a Associação de
Pilotos da Varig, da qual é presidente, teve um seu artigo publicado pelo
Jornal do Brasil. Nele, sob o título “O
drama dos trabalhadores da Varig” deu a sua versão do significado e das
causas remotas da manifestação realizada em Copacabana pelo Sindicato Nacional
dos Aeronautas, para lembrar os aposentados que faleceram, antes e depois da
intervenção da Secretaria da Previdência Complementar no Aerus.
E confirmou a posição da
Apvar, que desde os anos 90 esteve na oposição ás iniciativas dos presidentes
da Varig para encontrar um compromisso, ou melhor uma solução, para tirar a
empresa do fundo do poço. Foi uma oposição que, na sua fase final, deu a clara
sensação de que a Associação dos Pilotos aspirava a assumir o controle da
aérea, através de manobras político-financeiras cuja objetividade não convenceu,
inclusive pelo fato que a tentativa carecia – como demonstrou – dos fundos
indispensáveis. Pelo contrário, complicou ainda mais a procura de uma solução
para salvar a Varig, motivando a criação de uma lei “ad hoc”, feita sobre medida para facilitar a sobrevivência da aérea
no período supostamente necessário para se recuperar pois, de outra maneira, os credores poderiam
em qualquer momento pedir a sua falência.
Agora, através das
afirmações de seu presidente, a Apvar confirma que a posição do governo não foi
do seu agrado e que atribui ás autoridades de Brasília a responsabilidade pelo
virtual desaparecimento da Varig, adquirida inicialmente pela VarigLog para ser repassada á Gol. Por esta, depois de acumular
prejuízos devidos á sua incapacidade de gerir rotas internacionais, foi retirada
das linhas européias, sem reiniciar ás norte-americanas, e aos poucos andou se
apagando, apesar de ainda haver aeronaves com o seu símbolo voando pelos céus
do continente.
Sem ser original, o texto do
JB repete considerações obvias, que desde 2006 indicam como sendo “um dos
efeitos mais perversos” da cessação das atividades da Varig o sofrimento
imposto aos funcionários, que ficaram até o momento sem qualquer direito e
foram “também furtados em suas poupanças previdenciárias”. O autor lamenta ainda,
sem evidenciar algo de novo, que tudo isso tenha ocorrido sob os olhos da Justiça,
incapaz de enxergar a urgência de solucionar o problema das aposentadorias
suspensas, e se refere ao drama dos que faleceram e estão falecendo e ás
vitimas de incontáveis espertezas, omissões, fraudes e tramóias processuais.
Acusações pesadas cujos autores não são devidamente identificados, devendo
teoricamente ser atribuída a maior responsabilidade desses e de outros abusos ao governo,
preocupado unicamente em evitar que o Supremo Tribunal Federal o obrigue a pagar
os supostos “mais de R$ 6 bilhões no processo de congelamento tarifário”,
quantia que (não ficou claro em que época) teria sido “mais que suficiente para
recuperar de fato” a Varig. E acusa os diretores executivos do sindicato
laboral “de agir continuamente em desobediência à determinação da categoria,
para beneficiar os patrões com que se conluiaram”.
Essa ultima afirmação seria, sem dúvida, muito
grave, se fosse comprovado que Graziella Baggio e o advogado Castagna Maia
armaram toda uma encenação, a primeira se dirigindo repetida e inutilmente ao
presidente da República, seu ex colega com o qual manteve vários encontros em
Brasília para conseguir apoio inexistente, o outro elaborando ações e
pareceres, rebatendo críticas e obtendo o apoio incondicionado de parlamentares
e de ministros no caso dos aposentados do Aerus, só para justificar o seu
salário.
Nas frases finais o
comandante enfatiza a significado das
cruzes na praia de Copacabana e diz que a maioria foram carregadas por “vitimas
inocentes dos algozes acima”, que seriam o governo e o sindicato”. Mas em todo
o texto não apresentou qual teria sido a opção válida para salvar Varig e Aerus,
nem lembra o teor das propostas da Apvar e do grupo que a representava, que na
época foram descartadas por sua inconsistência prática. Ficaram assim apenas as
acusação ao governo, que contam com o apoio de grupos de oposição ao sindicato,
mas não contribuem com certeza para favorecer um eventual oferecimento de
acordo, ainda possível apesar de parecer de difícil conclusão.
Encerrando, cabe perguntar
se seria este o momento oportuno para voltar a focar contrastes internos e pareceres
remotos e inconsistentes já muitas vezes debatidos na Varig e no Aerus, pois eles não tem agora algum interesse prático para os aposentados
que, com todo o respeito devido aos companheiros falecidos e deplorando as
conseqüências dos atrasos supostamente legais, o que mais desejam, querem,
precisam é apenas a devolução dos meios financeiros que
lhes permitam de viver. E bem sabem que não será acusando os ex-administradores
ou o governo de ter cometido ilegalidades ou omissões que conseguirão obter esse
reconhecimento.