O RELATÓRIO
DOS PROBLEMAS QUE AFLIGEM O MUNDO DA AVIAÇÃO
Somente uma revista como a
Air Transport World poderia dedicar numerosas páginas á crise que aflige a
aviação mundial, refletindo os problemas que há mais de um ano mudaram a
economia dos países, levaram á falência bancos e firmas de prestígio,
empobreceram milhões de cidadãos americanos e de outros países, mudaram as
relações comerciais entre potencias internacionais que dominavam os mercados
sem, ainda, apresentar soluções que façam esperar num futuro melhor, no curto
prazo.
O artigo da ATW é tão farto de considerações e
de dados, que a simples tradução de seus pontos principais o empobreceria, pois
a estrutura do texto conta com o poderoso suporte do idioma inglês. Conceitos
ditos em meia dúzia de palavras exigem expressões bem maiores em português para
tentar uma tradução fiel, mas só na aparência. A formula encontrada, por não se
tratar de material didático mas basicamente informativo, foi efetuar a tradução
livre das partes de conteúdos mais originais.
Escreve a revista nas
primeiras linhas do texto, que nunca houve um ano tão difícil e complicado como
este para a indústria aérea. Foi um período em que tudo o que de bom havia sido
registrado em matéria de segurança foi derrubado por graves acidentes e incidentes
que ocorreram no mundo; em que poucas empresas não se equivocaram investindo
maciçamente nos hedges do petróleo, enquanto
governos na Europa e nos EUA decidiram impor onerosos novos custos em nome do “environment” e alguns políticos americanos
voltaram a falar de globalização da aviação. E o querosene chegou em 2008 aos
preços mais elevados do após-guerra, e houve a investida de um novo tipo de
influenza, para desanimar quem ainda estava pensando
Foi também um período de
colapso econômico sem comparação, pelo menos desde o início dos anos 70,
determinante para as perspectivas da indústria de transportes aéreos. Esses
foram os comentários de Giovanni Bisignani, CEO da IATA, no 65º Annual General Meeting em junho passado, enfatizando que “o declínio
de 15% a 30% das atividades econômicas das maiores economias mundiais fazia
parecer insignificantes tudo o que se verificou nas recessões dos últimos 40
anos”.
Segundo a ICAO o crescimento
em termos de “revenue passenger
kilometers” foi de apenas 1,3% no ano
passado (0,8% entre os membros da IATA). O pior aconteceu com o transporte internacional
de cargas, que depois de crescer 5% no primeiro trimestre de 2008 caiu
progressivamente, chegando em dezembro a um declínio de 23% em comparação com o
ano anterior, apesar dos preços do petróleo baixarem de 70%. Começaram a faltar
os financiamentos, e com a bancarrota da Lehman Brothers desaparecerem os
créditos bancários e a confiança dos consumidores. “E o declínio atingiu uma
escala nunca antes experimentada pela indústria” salientou a IATA. Além dos
problemas com a carga aérea, que representa cerca de 10% da receita global das empresas,
como afirmou Bisignani no meeting de junho, a crise frustrou os esforços gastos
para recuperar as perdas causada pelos acontecimentos de 11 de setembro. De fato, a receita do tráfego de passageiros,
que havia baixado de US$ 329 bilhões em 2000 para 307 bilhões em 2001, chegando
em
Os dados do primeiro
trimestre de 2009, segundo o chief
economist da IATA, revelam que as perdas de 50 empresas já chegavam a US$
3,27 bilhões, levando a Associação a elevar suas previsões de perdas totais para
este ano de US$ 4,7 bilhões para US$ 9 bilhões, incluindo US$ 1,7 bilhão em
prejuízos operacionais. No ano passado as aéreas norte-americanas perderam,
segundo o Departamento de Transportes dos EUA US$ 9,46 bilhões, mas a virada
poderá acontecer ainda este ano, por ter elas tomado a difícil decisão de reduzirem
suas frotas logo no primavera de 2008, antes da recessão, enquanto empresas da
Ásia, Oriente Médio e Europa conseguiam se manter firmes, por possuir moedas
mais fortes, hedges sobre os combustíveis e um saudável crescimento de tráfego.
Menos dependentes da classe Premium, que caiu 19,9% , e com mais experiência
para enfrentar as crises, depois da redução de tráfego causada pelos atos
terroristas de 2001, as aéreas dos EUA ainda recorreram á imposição de taxas
sobre as bagagens e sobre assentos preferenciais, obtendo no primeiro trimestre
de 2009, segundo cálculos do Departamento de Transportes dos EUA, receitas
extras por US$ 566,3 milhões, considerando apenas as 10 aéreas que tiveram os
melhores resultados no excesso bagagem. Para este ano, a IATA está prevendo US$
1 bilhão de perdas nos USA, US$ 1,8 bilhão na Europa, US$ 3,3 bilhões na
Ásia/Pacífico, US$ 1,5 bilhão no Oriente Médio, US$ 0,9 bilhão na América
Latina e US$ 0,5 bilhão na África.
O texto critica a seguir o
fato que os governos não tem demonstrado a menor intenção de aliviar sua pressão
sobre as empresas aéreas, com exceção da China, apesar da aviação comercial
contribuir para movimentar US$ 1,14
trilhão nas atividades econômicas, além de pagar outros bilhões em taxas. “Uma
fração do dinheiro pago pelos governos para salvar as indústrias bancária e
automobilística, poderia ter propiciado décadas de investimentos nos estudos dedicados
aos combustíveis naturais e preparado turmas de executivos de classe A para o
gerenciamento do tráfego aéreo no mundo inteiro”, insinua a IATA. A seguir o
texto apresenta uma longa lista de iniciativas governamentais destinadas a
tirar mais dinheiro dos viajantes. São dezenas de bilhões representando taxas e
impostos adicionais. E lembra, como uma das poucas luzes do ano passado, entre
outras, as iniciativa da aviação comercial visando proteger a atmosfera
substituindo o combustível em uso com uma segunda geração de biofuels, contra a ameaça das emissões
de gás carbono que inquinam a atmosfera, com a previsão de bons resultados
ainda neste ano.
Entretanto, se de um lado
começa a surgir a esperança de que a crise tenha chegado ao fundo do poço, do
outro começou uma nova subida do preço do petróleo, bem no início de 2009,
apesar dos consumos ter caído de 3 milhões de barris ao dia e de haver disponibilidades
de reservas por 60 dias. No ar há a suspeita de que os negócios não serão mais
como eram no passado e que isso se reflita no fluxo dos embarques. Todavia a
maior preocupação está focada no preço do petróleo, pois na comparação com 2008
o querosene mais barato faz uma diferença de US$ 59 bilhões nos balanços das aéreas mundiais. E nenhuma
delas poderia evitar perdas de receita entre 15% e 30%, se o petróleo voltasse
a custar entre 90 e 100 dólares por barril.