APOSTANDO NO FUTURO DO
TURISMO NO NORDESTE
Com tanta gente que dá
palpites sobre quaisquer acontecimentos futuros, decidimos também dar uma
olhada em nossa bola de cristal. Cada um dá seus palpites. Na imprensa ou nas
TVs há quem prevê com a maior segurança fatos relacionados com o pré-sal ou com
o dólar, com as guerras entre traficantes em 2016 ou com o nome do novo
presidente da Republica. Uns dizem que as riquezas submarinas garantem o futuro
do país ou afirmam que o dólar vai cair ainda mais até o fim do ano; outros garantem
que antes das Olimpíadas tudo será paz e amor nas favelas, com o país já sob o
segundo mandato de Dilma ou de Serra, eleitos em 2010. São palpites técnicos ou
políticos, montados sobre frágeis razões cuja validade atual dificilmente
resistirá á evolução natural e imprevisível do amanhã.
De nossa parte decidimos apresentar
uma tese que tentaremos defender com o raciocínio. Estamos prevendo que dentro
da próxima década o Nordeste Brasileiro será o maior centro turístico mundial,
uma área enorme de verde e azul enfeitada com uma estrutura que nada terá de
inferior aquela que hoje privilegia regiões da Europa, cidades da Ásia ou da
América. Aliás, ainda mais moderna, pois construída com técnicas e materiais novos,
de eficiência mais avançada. Na comparação, o”antigo” dominante lá fora passará
a ser obsoleto, frente ás inovações estruturais importadas na edificação de
estradas, de aeroportos, de hotéis. E a escolha do destino São Paulo ficará
para quem continuar identificando esse Estado
como o centro brasileiro de negócios. Quanto ao Rio de Janeiro, (que desde 2008
está sendo esnobado pela ICCA como cidade sede de eventos internacionais ) terá
suas praias famosas invadidas de cariocas e de brasileiros de outros Estados,
ao lado dos sul-americanos de sempre. Mas em relação aos fluxos de estrangeiros
de outros continentes, talvez os veja em maioria fazendo escala na Praça Mauá a
bordo dos grandes navios de luxo. Serão os turistas mais ricos e idosos,
recebidos por ônibus com roteiros pré-fixados, para uma rápida excursão
pela cidade, com paradas na Stern ou na
Amsterdam Sauer, eventual almoço numa churrascaria e volta a bordo ao anoitecer,
para descanso na cabine protegida, detestada pelos hoteleiros do Rio.
Até aqui foi apenas modesta
literatura. Nada que justifique a previsão que transforma o Nordeste no maior
Centro Turístico Mundial, ás custas das belezas naturais do Rio de Janeiro,
divulgadas em notas e em versos nos últimos trinta ou quarenta anos, para
atrair turistas do mundo inteiro, antes do advento do tráfego de drogas, das
lutas entre bandos instalados em favelas, antes duma época em que circular á
noite tornou-se um risco ou em que até a hospedagem num quarto de hotel cria
algum receio entre os turistas. A verdade é que o Nordeste sempre foi uma
espécie de terra prometida, para seus habitantes e para os visitantes
pioneiros, dispostos a enfrentar algumas incógnitas do subdesenvolvimento ainda
presentes em certas regiões. Mas aos poucos as promessas começaram a ser
cumpridas nos segmentos básicos da vida social da região e os capitais passaram
a acreditar no retorno dos investimentos. Aos poucos, como exige o sol
“caliente” e ainda acontece em algumas áreas da imensa região onde, sempre que
seja possível, algo que poderia ser feito hoje é preferencialmente realizado amanhã.
Existem razões práticas para
antever a mudança aqui prevista de um Nordeste que deixará de ser apenas
destino eventual de visitantes estrangeiros supostamente aventureiros, para se
transformar num Centro Mundial de
Turismo, econômico, moderno, único por suas atrações naturais. Uma enorme área
que os viajantes freqüentes vão adorar, depois de ter andado quilômetros de museus,
de ter lido manuais didáticos sobre a Torre Eiffel, ou o Museu do Prado, o
Coliseu, Manhattan e cem outras belezas das artes antigas e modernas. Mas nada
comparável com milagres da natureza, como o Rio Amazonas e a floresta, suas
faunas e floras inesgotáveis, criaturas mais antigas de quaisquer obras de
arte, heranças da origem da terra.
Natureza á parte, há a
conveniência. O Nordeste é a área do Brasil mais próxima dos Estados Unidos,
México e Canadá, da Europa inteira, dos países da América Central. A viagem
aérea é mais breve e as tarifas mais baixas eliminam um dos obstáculos que, por
uma ou outra razão, tem tido influência negativa no crescimento do tráfego para
o Rio de Janeiro e para o Sul. Esse futuro Centro Nordestino de Turismo terá
suas capitais interligadas por uma rede aérea exclusiva, que a abrirá ao mundo
dos negócios e deverá contar com uma nova infra-estrutura aeroportuária e
hoteleira, objetos de estudos que em breve darão início aos investimentos privados,dos
estados e do governo.A migração industrial vindo do Sul e do exterior já está
acontecendo e no setor hoteleiro são inúmeros os projetos, inclusive de redes
estrangeiras, para dotar o Nordeste de estabelecimentos funcionais, dedicados a
um universo que será aquele dos executivos e dos turistas. Entretanto, além de
várias empresas regionais em formação,
as aéreas Azul e WebJet estão de prontidão para estruturar suas redes
nordestinas e aguardam para breve a votação pela Câmara Federal do Plano de
Estimulo e Fomento do Transporte Aéreo Regional, que prevê a concessão de
incentivos e cuja realização estará concluída num prazo máximo de três anos. A Tap portuguesa já voa para Fortaleza, Natal,
Recife, Salvador e Brasília e, assinando codeshares
com as regionais brasileiras, estará abrindo a milhões as portas da Europa
ou do Nordeste. Com certeza, também a Delta ou outra empresa aérea americana
ampliará o número de seus destinos nessa região, para absorver um tráfego em
crescimento, sob o impulso das melhorias salariais proporcionadas pelas novas
atividades produtivas.
Sem radicalizar, nesse
contexto poderia ter sentido a previsão que, depois das Olimpíadas, o Rio de
Janeiro estará abdicando de suas prerrogativas de capital símbolo do turismo
para o Brasil. Numa das hipóteses mais favoráveis, poderá compartilhar o fluxo
de estrangeiros com o Nordeste, compensando as perdas de receitas com os
pagamentos crescentes que receberá pela
jazidas petrolíferas.