AÉREAS ESTRANGEIRAS COMPETEM AGORA EM NOVAS ESCALAS INTERNACIONAIS DO PAÍS

 

As empresas aéreas internacionais procuram no Brasil novas opções de escalas para seus vôos, que há décadas estavam concentrados entre o Rio de Janeiro e São Paulo. A razão da preferência era obvia, sendo as duas capitais de Estado os destinos tradicionais do tráfego turístico ou de negócios. Mas nos últimos anos a maioria das empresas aéreas , obedecendo ao aumento da demanda para viagens de negócios, diminuiu o número de escalas no Rio de Janeiro, devido à curta distância de São Paulo. Preferiram o ônus de uma conexão num vôo doméstico, que ofereciam aos viajantes que não pretendiam ficar em São Paulo.

 

Na época havia outro problema que parecia insolúvel. Passageiros procedentes da Europa ou dos Estados Unidos que se dirigiam a Salvador, deviam desembarcar numa das duas cidades do Sudeste, tomar um vôo nacional que os levava no Nordeste e, novamente, voar para São Paulo ou Rio de Janeiro para embarcar na viagem de volta, depois de concluídas as férias. Inúmeras horas de vôo inúteis, que poderiam ser evitadas se a aérea procedente do exterior pousasse em Salvador. Foram necessários longos anos para que alguns dos vôos operados por empresas nacionais fossem segmentados com a inclusão de uma escala prévia em Salvador, Recife ou outras das cidades que, aos poucos, acabaram atraindo os fluxos turísticos estrangeiros, quando o fator segurança começou a prejudicar a imagem do Rio de Janeiro. Mas para as companhias estrangeiras regulares o problema permaneceu, pois não podiam embarcar passageiros na viagem de volta em mais de uma escala brasileira.

 

Até quando, há mais de uma década, começaram a pipocar no Nordeste os vôos fretados, inicialmente realizados por empresas menores, nas épocas de demanda mais intensa. Eram grupos de excursionistas que ficavam uma semana ou quinze dias no Nordeste e tornavam aos seus países num esquema rotatório, embarcando de volta no avião que no prazo estabelecido trazia outros turistas. Depois chegaram também os vôos regulares, de ida-e-volta. A empresa pioneira das operações non-stop nessas e em outras escalas em território brasileiro foi a Tap portuguesa.

 

Antes que a Varig entrasse na fase mais grave de sua crise financeira, havia muita aparente cordialidade entre a aviação brasileira e portuguesa, baseada em laços de remota origem. Mas a aérea riograndense predominava nas rotas para Portugal, e atendia uma coletividade radicada em particular no Rio de Janeiro. Na realidade, o potencial de portugueses que viajavam por via aérea era modesto e Lisboa, pouco promovida como gateway, era considerada um destino secundário para os turistas brasileiros. No auge da crise, a Varig abriu mão desses vôos, para se dedicar aos mais rentáveis e estabeleceu com a aérea portuguesa uma espécie de acordo de joint-venture, do qual acabou desistindo quando ficou sem meios para cumpri-lo. E a Tap não somente continuou operando as freqüências permitidas para Rio e São Paulo, mas também ampliou gradualmente o seu leque operacional, incorporando mais cidades ao seu mapa de rotas, pois somente escolhendo novos destinos lhe era possível se dedicar massivamente ao mercado brasileiro. Foi um sucesso que se consolidou nos últimos cinco anos e que representa atualmente o embarque de mais de um milhão de passageiros nas rotas entre Brasil e Portugal.

 

Outras aéreas, até agora, tentaram escolher mais um destino brasileiro, com preferência inicial para Belo Horizonte, depois estendida a Salvador, mas sem conseguir captar tráfego bastante, devido ao número irregular de freqüências.

Enquanto isso, o crescimento do fluxo turístico para o Nordeste se evidenciava como a melhor opção para diversificar alguns vôos procedentes da Europa e dos EUA. E o recente novo acordo bilateral com os Estados Unidos ofereceu às aéreas americanas a possibilidade de manter suas freqüências preferenciais para o Rio e São Paulo, dedicando os restantes 21 vôos agora permitidos a outras cidades.

 

Assim a American Airlines terá a partir de novembro três vôos semanais saindo de Miami para Belo Horizonte e ligará diariamente Miami na rota para Salvador/Recife. Por sua vez a Delta, que ficou com 11 novas freqüências para o Brasil, deverá operar a partir de dezembro um vôo diário de Atlanta para Manaus e quatro vezes por semana para Recife-Fortaleza. Enquanto Belo Horizonte, que é a última das cidades incluídas no mapa de rotas brasileiras da Tap, já recebeu o primeiro de cinco vôos semanais inaugurados outro dia pela Copa Airlines.

 

São muitas apostas em novos vôos para aeroportos até agora de segundo plano. De acordo com a Infraero, em 2007 foram cerca de 2 milhões os passageiros que movimentaram o tráfego internacional nesses aeroportos. Rio de Janeiro e São Paulo receberam cerca de 84% de todos os embarques e desembarques do ano, estimados em 12,6 milhões, somando viajantes estrangeiros e brasileiros. Neste primeiro semestre as estatísticas indicam que o share das duas capitais baixou dois pontos , enquanto Brasília teria chegado a cerca de 70 mil passageiros e Belo Horizonte a 59 mil. O respectivo aumento, em comparação com todo o ano de 2007, evidencia o potencial das duas cidades e o sucesso dos vôos da Tap, que operam com aproveitamento médio de 80%.

 

Essa descentralização dos vôos internacionais para o Brasil, canaliza para os destinos do Norte e Nordeste um tráfego turístico atraído pelas exuberantes atrações naturais dessas regiões. Mas no sentido oposto há uma menor participação brasileira. Em relação a Brasília e Belo Horizonte, está havendo a captação local de numerosos embarques antes realizados pelos residentes no Rio e em São Paulo. O elevado crescimento vegetativo do tráfego brasileiro para o exterior, alimenta bastante as opções de embarques em Brasília e Belo Horizonte, sem se refletir sobre o número de viajantes nacionais no Galeão e em Guarulhos. Somente a leve caída dos retornos para a Europa afeta atualmente o aproveitamento dos vôos que saem desses dois aeroportos.   

Quanto ao Nordeste, há alguns meses registra diminuição nos desembarques procedentes da Europa e dos Estados Unidos, devido às dificuldades econômicas que afetam os dois continentes.