NORDESTE, QUASE UM ÉDEN TURÍSTICO
Ninguém ainda contou como e
quem, no universo turístico, descobriu o Nordeste Brasileiro. Não está muito
longe no tempo a época em que o Rio de Janeiro era o símbolo e o destino
principal do turismo nacional, meta obrigatória para os estrangeiros que
visitavam o país. Estatísticas da Embratur, falhas como costumavam ser nos anos
90, atribuíam á Cidade Maravilhosa cerca de 38% desse tráfego, mas é provável
que esse índice fosse inferior ao real. Aliás, como nossos leitores sabem,
todas as estatísticas anteriores á criação do Ministério do Turismo, realizada
neste governo, eram fruto de exercícios contábeis feitos na bola de cristal,
partindo de flashes inconsistentes sobre o número de desembarques no país de
passageiros procedentes do estrangeiro. Que incluíam um número nunca calculado
de “retornos” de residentes no Brasil.
Naqueles anos, quem queria
ir a Salvador da Bahia, devia antes desembarcar de seu vôo internacional no Rio
ou
Na evolução, várias pequenas
empresas perderam seus clientes de vôos charter e novas transportadoras
regulares se inseriram no movimento para o Nordeste, que gradualmente aumentou
seu leque de cidades atraentes para os turistas estrangeiros. De todas, a
empresa que até agora melhor planificou o seu ingresso em capitais nordestinas
foi a Tap, pois pela primeira vez entendeu que a formula do sucesso era
investir não somente no tráfego procedente da Europa, mas também na demanda dos
residentes no Nordeste, que até então não tinham outra opção, a não ser uma
longa viagem ao Rio ou São Paulo, ida e volta, para embarcarem num vôo
internacional. O plano da aérea portuguesa de operar vôos regulares, se
desenvolveu com a crise da Varig e com a suspensão de suas freqüências para
Portugal, tendo como ponto de partida o convite feito pelo governo lusitano a
três executivos brasileiros, recém saídos do tumulto administrativo que naquela
época afligia a empresa de bandeira, para integrarem em Lisboa a alta
administração da Tap. Eles conheciam as carências da rede operada pela
companhia brasileira e sabiam da existência de mercados, não somente
nordestinos, cujos viajantes deviam recorrer ás conexões nacionais para
alcançarem num vôo internacional qualquer destino no exterior. Numa seqüência
precisa, não podendo aumentar o número de freqüências de/para São Paulo e Rio
de Janeiro, vinculadas pelo acordo bilateral, os Airbus da Tap chegaram a
outras capitais de estados do país, com destaque para os do Nordeste.
O potencial do Nordeste saiu
assim da concentração baiana, para incluir nas opções de viagens dos
estrangeiros outros destinos, menos desenvolvidos em sua infra-estrutura
turística, mas abertos ao esforço promocional para valorizar suas atrações e
movimentar os investimentos necessários para comercializar-las. E mais um passo
á frente será dado com a criação de uma rede de conexões entre aquelas
capitais, em fase inicial de realização, dentro de um projeto mais amplo de
integração regional. Ele deverá favorecer a melhoria aeroportuária, a
construção de novos hotéis, de estradas e a valorização das atrações locais.
Aos poucos Salvador deixa de ser a única referência turística do Nordeste,
passando a fazer parte de uma enorme área, cujas florestas, fauna, rios,
tradições estão saindo dos cartões postais para ficarem gravados nas câmaras
dos turistas e divulgar o “novo mundo”.
A grande evolução, que agora
apresenta ao turismo internacional a região do Norte e Nordeste como se fosse
um país a parte, desligado do resto do Brasil, com suas rotas e suas atrações,
não exclui a necessidade de continuar dedicando grandes cuidados á
regulamentação das atividades turísticas locais, ás promoções, ao atendimento
aos visitantes, aos serviços
Agora que existem as
ligações aéreas, que os hoteleiros investem para oferecerem mais aposentos, que
as infra-estruturas estão em fase de crescimento para atender o aumento da
demanda, que o dólar voltou a um câmbio conveniente para os estrangeiros, sim
agora chegou o momento de trocar, no Éden Nordestino, a eventual improvisação
pelo profissionalismo que a indústria exige, por ser complementar das atrações
oferecidas aos visitantes e por representar o diferencial que pesa na escolha
de um destino turístico.