DEPOIS DO SUCESSO, FICOU O OBSTACULO FINAL

Airline Business” dedica a capa a Fernando Pinto e relata como ele, em oito anos, conseguiu transformar totalmente a Tap Portugal

 

O número de julho da revista inglesa “Airline Business” dedica cinco páginas, com capa e tudo, ao sucesso de Fernando Pinto em Portugal, onde desembarcou em outubro de 2000, cinco meses depois de “ter sido expulso’ da Varig  “ por não concordar com os acionistas sobre reformas corporativas na empresa de bandeira” , onde exercia desde 1996 a função de presidente. Em Lisboa recebeu o encargo de tomar conta da TAP, a aérea nacional do país. Sem dúvida um grande desafio, pois a aérea estava fechando esse ano com prejuízo de 122 milhões de euro, que se transformou num grande sucesso, com os lucros que as operações da empresa registraram em quatro dos últimos cinco anos, alcançando o recorde de 33 milhões de euro no final de 2007.

 

Na longa lista das iniciativas que permitiram à Tap de mudar totalmente seu rumo e a sua imagem, são citados a expansão da rede, a renovação da frota, a redução dos custos estruturais, o aumento da rentabilidade decorrente do fato de ter dobrado a receita sem alterar as despesas principais, ter ingressado na Star Alliance e ter adquirido em 2006 a Portugalia , empresa rival. Agora, segundo a revista, a Tap estaria  em condição de realizar o motivo que levou Pinto a Lisboa, ou seja a privatização da empresa. “Mas agora” , acrescenta Airline Business, “ talvez Pinto terá que esperar por mais alguns anos , antes que o governo português consiga finalmente pôr a Tap em mãos privadas” . E o presidente sabe que cabe ao governo decidir se continuar os planos para a privatização da aérea em 2008 , mas reconhece”que as condições atuais de mercado poderão atrasar novamente a venda” .

 

O texto poderia ser um manual de providências essenciais para mudar a rota de uma empresa aérea, alterando sua estrutura  e aplicando conceitos de marketing na ampliação de sua rede operacional e na utilização máxima  de uma nova frota. Há dados conhecidos, como a expansão do tráfego para o Brasil de 17 para 67 vôos semanais, equivalentes ao total de operações para o país de todas as maiores empresas européias, consolidada pelo acordo de codeshare assinado ano passado com a Tam, que agora transporta de 10% a 15% dos passageiros Tap além das oito cidades brasileiras atualmente servidas pela aérea portuguesa. (Nota do redator : há poucos dias, a parceria foi ampliada, incluindo os vôos da Tam para Buenos Aires, saindo do Rio e São Paulo). Outro dado de destaque é a excelente utilização da frota nas rotas de longo curso operadas agora por 16 Airbus A330, enquanto voando por mais de 12 horas por dia, os A320 dobraram o número de cidades européias servidas pela aérea (31) e elevaram de 272 para 714 as suas freqüências semanais. Com isso, no período, a receita passou de 1,1 bilhão de euro para 1,9 bilhão em 2007 e os passageiros transportados, de cinco milhões em 2000 chegaram a 8 milhões no ano passado.

 

A aquisição da Portugalia por 140 milhões de euro, no final de 2006 e sua total integração na estrutura e nos serviços da Tap, não foi tão difícil , segundo Fernando Pinto, mas deu como resultado a cobertura que a pequena aérea está dando às ligações entre cidades menores, utilizando em média por cerca de 12 horas por dia seus 8 aviões Embraer-145 e seis Fokker-100. Seu hub é a cidade de Porto, de onde saem vôos para Newark, nos EUA e para Rio e São Paulo, reduzindo assim o congestionamento no aeroporto de Lisboa, onde a expansão está limitada a 10%, até 2017 , quando deverá ser inaugurado o novo aeroporto.

 

Mas existem ainda muitos planos de expansão da Tap, que o momento difícil exigiu fossem em parte transferidos. Em particular o custo do combustível , que segundo as previsões da aérea deveria totalizar este ano 500 milhões de euro, ou seja a 25% do total de sua receita, estimada em 2 bilhões, mas poderá representar um ônus de até  750 milhões, se a tendência de aumento do preço do petróleo não inverter em parte o seu rumo.

 Na África do Norte, onde é operada somente a rota para Dakar ( mas a partir de outubro haverá também vôos para Casablanca, nota do redator ) caberá à Portugalia  voar para novos destinos;  nos Estados Unidos, ao vôo para Newark poderão ser acrescidos outros para Chicago e Washington , aproveitando as vantagens da associação à Star Alliance, da qual participa também United  “dona” desses hubs ; na América do Sul, onde todas as rotas para o Brasil (menos a recém-inaugurada para Belo Horizonte) são rentáveis e permitem uma fabulosa utilização das aeronaves (17 horas diárias) estão sendo analisados novos destinos, entre aqueles oferecidos pelos governo estaduais interessados em ter um vôo próprio.Entretanto, as operações para Buenos Aires e outras cidades sul-americanas mais afastadas, apresentam problemas de rotação otimizada das aeronaves, objetos de estudos de rentabilidade, considerando que exigirão duas aeronaves voando na rota de ida-e-volta ; na Ásia , depois de ter fechado a rota para Macau, em 1999, a Tap pretende voltar a operar somente depois de receber os primeiros dos 12 Airbus A350, que lhe serão entregues a partir de 2015, tendo China e Japão como destinos prioritários.

 

No encerramento da entrevista, Fernando Pinto afirma que até a entrega dos A350 a Tap não pretende acrescentar mais widebodies à sua frota, sendo sua preocupação atual elevar o aproveitamento médio de seus vôos de 70% para 75%, como medida urgente para reduzir o ônus do custo do querosene, que é compensado em apenas 30 ou 35 centavos por cada euro pago a mais, com os aumentos tarifários ou com a aplicação de “surcharges”. Hoje a contenção de gastos, nas forças de trabalho e nas despesas gerais, assim como obtendo o menor custo de assento por milha voada são metas já alcançadas pela Tap, que as considera fatores essenciais ,the only way  para sobreviver. Isso apesar da competição com  22 aéreas low cost, bastante fortes, que atualmente voam de 70 destinos para Portugal e detêm 25% do mercado, contra cerca de 60% da Tap. Nesse contexto, as cinco opções tarifarias da classe econômica da empresa, representam a maneira certa  para atender quem quer gastar menos, oferecendo mais para quem escolheu as tarifas mais elevadas. O artigo se encerra com estas consideração de Fernando Pinto : “Estamos mudando realmente a maneira de tomar conta dos passageiros que pagam mais. São eles os que fazem a diferença. Os outros só derrubam o preço”.