DEPOIS DO SUCESSO,
FICOU O OBSTACULO FINAL
“Airline
Business” dedica a capa a Fernando Pinto e relata como ele, em oito anos,
conseguiu transformar totalmente a Tap Portugal
O número de julho da revista inglesa “Airline Business” dedica cinco páginas, com
capa e tudo, ao sucesso de Fernando Pinto em Portugal, onde desembarcou em
outubro de 2000, cinco meses depois de “ter
sido expulso’ da Varig
“ por não concordar com os acionistas sobre reformas corporativas
na empresa de bandeira” , onde exercia desde
Na longa lista das iniciativas que permitiram à Tap de mudar totalmente seu rumo e a sua imagem, são
citados a expansão da rede, a renovação da frota, a redução dos custos
estruturais, o aumento da rentabilidade decorrente do fato de ter dobrado a
receita sem alterar as despesas principais, ter ingressado na Star Alliance e ter adquirido em
O texto poderia ser um manual de providências
essenciais para mudar a rota de uma empresa aérea, alterando sua estrutura e aplicando
conceitos de marketing na ampliação de sua rede operacional e na utilização
máxima de uma nova frota. Há dados conhecidos,
como a expansão do tráfego para o Brasil de 17 para 67 vôos semanais,
equivalentes ao total de operações para o país de todas as maiores empresas
européias, consolidada pelo acordo de codeshare assinado ano passado com a Tam, que agora
transporta de 10% a 15% dos passageiros Tap além das
oito cidades brasileiras atualmente servidas pela aérea portuguesa. (Nota do redator :
há poucos dias, a parceria foi ampliada, incluindo os vôos da Tam para Buenos
Aires, saindo do Rio e São Paulo). Outro dado de destaque é a excelente
utilização da frota nas rotas de longo curso operadas agora por 16 Airbus A330, enquanto voando por mais de 12 horas por dia,
os A320 dobraram o número de cidades européias servidas pela aérea (31) e elevaram
de 272 para 714 as suas freqüências semanais. Com isso, no período, a receita
passou de 1,1 bilhão de euro
para 1,9 bilhão em 2007 e os passageiros transportados, de cinco milhões em
2000 chegaram a 8 milhões no ano passado.
A aquisição da Portugalia
por 140 milhões de euro, no final de 2006 e sua total
integração na estrutura e nos serviços da Tap, não
foi tão difícil , segundo Fernando Pinto, mas deu como
resultado a cobertura que a pequena aérea está dando às ligações entre cidades
menores, utilizando em média por cerca de 12 horas por dia seus 8 aviões
Embraer-145 e seis Fokker-100. Seu hub é a cidade de
Porto, de onde saem vôos para Newark, nos EUA e para
Rio e São Paulo, reduzindo assim o congestionamento no aeroporto de Lisboa,
onde a expansão está limitada a 10%, até 2017 , quando
deverá ser inaugurado o novo aeroporto.
Mas existem ainda muitos planos de expansão da Tap, que o momento difícil exigiu fossem em parte
transferidos. Em particular o custo do combustível ,
que segundo as previsões da aérea deveria totalizar este ano 500 milhões de euro, ou seja a 25% do total de sua receita, estimada em 2
bilhões, mas poderá representar um ônus de até
750 milhões, se a tendência de aumento do preço do petróleo não inverter
em parte o seu rumo.
Na África do Norte,
onde é operada somente a rota para Dakar ( mas a partir de outubro haverá também vôos para Casablanca, nota do
redator ) caberá à Portugalia voar para
novos destinos; nos Estados Unidos, ao
vôo para Newark poderão ser acrescidos outros para
Chicago e Washington , aproveitando as vantagens da associação à Star Alliance, da qual participa também United
“dona” desses hubs ; na América do Sul, onde todas as rotas para o Brasil (menos a
recém-inaugurada para Belo Horizonte) são rentáveis e permitem uma fabulosa
utilização das aeronaves (17 horas diárias) estão sendo analisados novos
destinos, entre aqueles oferecidos pelos governo estaduais interessados em ter
um vôo próprio.Entretanto, as operações para Buenos Aires e outras cidades
sul-americanas mais afastadas, apresentam problemas de rotação otimizada das
aeronaves, objetos de estudos de rentabilidade, considerando que exigirão duas
aeronaves voando na rota de ida-e-volta ; na Ásia ,
depois de ter fechado a rota para Macau, em
No encerramento da entrevista, Fernando
Pinto afirma que até a entrega dos A350 a Tap não
pretende acrescentar mais widebodies à sua frota, sendo sua preocupação atual elevar o
aproveitamento médio de seus vôos de 70% para 75%, como medida urgente para
reduzir o ônus do custo do querosene, que é compensado em apenas 30 ou 35
centavos por cada euro pago a mais, com os aumentos
tarifários ou com a aplicação de “surcharges”. Hoje a contenção de gastos, nas forças de trabalho e nas
despesas gerais, assim como obtendo o menor custo de assento por milha voada
são metas já alcançadas pela Tap, que as considera
fatores essenciais , “the only way” para sobreviver. Isso apesar da competição
com 22 aéreas low cost, bastante fortes, que
atualmente voam de 70 destinos para Portugal e detêm 25% do mercado, contra
cerca de 60% da Tap. Nesse contexto, as cinco opções
tarifarias da classe econômica da empresa, representam a maneira certa para atender quem
quer gastar menos, oferecendo mais para quem escolheu as tarifas mais elevadas.
O artigo se encerra com estas consideração de Fernando Pinto
: “Estamos mudando realmente a
maneira de tomar conta dos passageiros que pagam mais. São eles os que fazem a
diferença. Os outros só derrubam o preço”.