OS
MISTÉRIOS DO AERUS GATE
Os chamados Trabalhadores do
Grupo Varig, TGV, insistem e não desistem. Na época em que o leilão da aérea
foi anunciado se auto-nomearam representante dos ex-funcionários, anjos
protetores de seus interesses e tentaram capitalizar os créditos deles para
concorrerem com outros eventuais candidatos à compra da empresa. Foram até
tomados a sério, mas na hora em que deveriam depositar a grana de garantia,
acabaram desistindo por falta do respectivo cash.
Audazes e tenazes, com o respaldo da associação que os gerou, a Associação dos
Pilotos da Varig, Apvar, esse Trabalhadores unidos por procuração pareciam ter
desistido de enfrentar quem não acreditava em suas intenções, quando estourou a
liquidação do plano de aposentadoria Aerus, por parte da Secretaria de
Previdência Complementar. Eles que, antes queriam se apossar dos poucos fundos
ainda disponíveis nos cofres dos aposentados, se indignaram com a decisão
governamental que entregou à Previdência oficial a administração do Aerus. Numa
longa representação à Procuradoria Regional da República, protocolada em 3 de
julho de 2006 evidenciaram que a situação falimentar do fundo de aposentadoria
havia sido causada por omissões e até cumplicidades entre a SPC e os dirigentes
do Aerus, com destaque para seu ex-presidente, Odilon Junqueira.
Depois disso acabou o ano e
veio 2007, sem novidades no front. A liquidação continuou e os aposentados
viram os pagamentos do Aerus decrescerem de mês para mês. Muitos participantes
do Plano I, que no passado próximo recebiam de direito cerca de R$ 6 mil
mensais viram suas aposentadorias baixarem em volta de R$ 200 (duzentos reais).
Mas, como disse o advogado Maia, até quando a liquidação permanecer aberta, por
mínimo que o pagamento aos aposentados seja, o processo não se encerra e a
intervenção poderá ser suspensa, logo após a entrada dos fundos que
supostamente virão da sentença do Supremo Tribunal Federal, reconhecendo o
direito da Varig à indenização motivada pelo congelamento tarifário . Haverá
mudança do nome Aerus, mas o que importa é o fato que dentro de meses os
aposentados voltarão a receber as respectivas pensões, provavelmente
corrigidas.
Diante da perspectiva de ver
o problema de cerca de 7 mil aposentados da Varig resolvido, com a
disponibilidade de aproximados R$ 3 bilhões, os Trabalhadores do Grupo Varig,
TGV, voltaram ao cenário para nele interpretar a parte de salvadores da pátria.
Querem sustentar que foram eles que conduziram o processo até esta vigília
decisiva, com intervenções, contatos de alto nível, pressões na alta administração,
e não o Sindicato Nacional dos Aeronautas e, em particular, Graziella Baggio e
seus supostos cúmplices, que incluem o advogado Maia, o comandante Zoroastro (e
esposa) mais a ex-presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma
Balbino. Aliás, conforme e-mail que nos foi encaminhado em 21 de janeiro, “A TGV descobriu, recentemente, mais um
escândalo dos nossos pseudo-representantes na direção executiva sindical.”
Sob o titulo Aerus Gate, referencia às manobras escusas que motivaram o
afastamento do presidente Nixon, a TGV divulga que, em documento enviado em 30
de julho de 2003 ao Exmo Secretário de Previdência Complementar, assinado pelas
presidentes dos sindicatos dos Aeronautas e dos Aeroviários, elas “em parceria com Odilon Junqueira, tentavam, na
calada da noite, criar um novo plano de previdência” em vista da
possibilidade de fusão entre Varig e Tam, “enquanto
as associações se uniam para lutar contra este vergonhoso projeto que acabaria
com os nossos empregos”. A TGV se refere com desprezo ao “famigerado episódio da tentativa de fusão
com a Tam”, esquecendo que, inicialmente, foi considerado como a última
possibilidade de salvação da Varig da falência. Essa fusão foi debatida por
meses, tendo o apoio do governo, sendo em parte implementada com a assinatura
de um acordo de code-share em rotas
domésticas, que se encerrou depois de ter propiciado mais vantagens para a Tam
de que para a Varig. Na época a Aprus, Associação dos Participantes e
Beneficiários do Aerus”, denunciou que a fusão com a Tam não honraria as
dividas da Varig com o Aerus (que totalizavam R$ 870 milhões, mais cerca de US$
300 milhões de juros)), ou seja que a nova empresa desconheceria os diretos
adquiridos pelos milhares de participantes e aposentados do fundo, que
perderiam suas pensões . A grave ameaça foi desmentida , sendo até ventilada a
possibilidade de desvincular o Aerus do patrocínio da Varig/Tam , permitindo –
segundo declarações de Odilon Junqueira ao jornal Valor Econômico –que os funcionários transferidos continuasse
contribuindo de forma independente . Outra opção previa o resgate antecipado da
reserva ou sua transferência para outro fundo.
Foi nessas circunstâncias,
para tranqüilizar os milhares de funcionários aposentados que dependiam do
Aerus, que os sindicatos esboçaram em colaboração com o Banco Fator, um novo
Plano, ou seja um fundo no qual seriam transferidos os créditos do Aerus,
permitindo aos participantes de solicitar o resgate dos valores pagos ou de
continuar contribuindo e aos já aposentados de continuar recebendo os
pagamentos mensais.
Mais difícil para ser
esclarecido é o significado da frase da mensagem do TGV que afirma ser “a tentativa de fusão com a Tam”... Um “vergonhoso projeto que acabaria com os nossos
empregos”. De fato, se houvesse, como se dizia, a divisão de rotas entre
Varig e Tam, ficando a primeira com as internacionais e a segunda com as
domésticas, aconteceria exatamente, com antecedência, quanto está se
verificando agora que a Gol nacional ficou dona da velha Varig, Viação Aérea
Rio-Grandense: quase dois mil funcionários estão trabalhando na VRG
internacional. Comparada com a tragédia representada pela falência da Varig,
esta teria sido a melhor formula para salvar do desemprego milhares de
aeroviários e de aeronautas da mais prestigiosa das aéreas brasileiras. (Mais Aerus no Blog: por que o Plano II paga
mais aos aposentados ?)