AS PREVISÕES CONSERVADORAS DE CAÍDA DO TRÁFEGO AÉREO NACIONAL EM 2009
Foi divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil, Anac, o balanço de 2008 referente ao tráfego doméstico e internacional, comparado com aquele de 2007 e com estimativas do movimento para 2009. E as empresas aéreas ainda acreditam em moderado crescimento do tráfego doméstico.
Em relação a 2008, foi o último trimestre que influenciou de maneira negativa os resultados, depois que a crise econômica e financeira se espalhou pelo mundo. Mas devido á concentração do tráfego doméstico nos vôos da Gol e da Tam, com pequena participações de parte de empresa menores, o balanço, apesar de afetado, não registrou perdas de receita graves como as esperadas. Aliás, se não houvesse um excesso de aeronaves, que motivaram o aumento injustificado da oferta, as empresas poderiam ter conseguido índices médios de aproveitamento acima dos 66%, que foi inferior aos 69% que havia se verificado em 2007. De fato, um ano atípico como 2008, e os problemas que se acumularam no quarto trimestre, deveriam ter desaconselhado o aumento médio da oferta, que chegou a 12,8%%. Fica registrado que o crescimento do tráfego doméstico foi de 7,4% em comparação com 2007, o menor índice desde 2003, mas o indicador supera o aumento projetado para o PIB, que o Banco Central estima em 5,62%%. A Tam consolidou no ano passado a sua posição, transportando no ano 51% do mercado doméstico
O controle da oferta se apresenta como o maior desafio para 2009, considerando que o aumento do fluxo doméstico está sendo estimando pela Anac entre 4% e 5%, alguns pontos abaixo dos índices previstos pela Tam (entre 5% e 9%) e próximo da previsão conservadora da Gol (6%). Aplicados aos índices de 2008, esses números parecem algo otimistas, ainda mais observando que em dezembro a flexão do tráfego doméstico reduziu o aproveitamento nas aeronaves da Tam de 72% (no mesmo mês do ano anterior) para 66% e nos vôos da Gol de 72% para 68%. Essa tendência é contrária á tradicional evolução positiva do tráfego doméstico durante o período de fim de ano E houve muita confusão nos aeroportos que revelou a incapacidade das aéreas maiores de flexibilizar a sua oferta, frente ás inesperadas mudanças da demanda, que alterou bastante os sistemas de acompanhamento baseados nas series históricas.
A presença de uma nova empresa, a Azul Linhas Aéreas, devido a seu modesto potencial de transporte, pelo menos até o segundo semestre, não parece em condição de incentivar em 2009 o tráfego das categorias mais sensíveis ás variações de preço. Poderá absorver passageiros das empresas maiores, mas sem apresentar capacidade para criar novos usuários, numa época em que as viagens aéreas voltaram a ser menos acessíveis aos comuns usuários dos transportes rodoviários, apesar das tarifas competitivas. E para a Azul permanece o handicap da escala de Campinas, que a aérea está tentando atenuar oferecendo conexos terrestres com São Paulo. Até agora o aproveitamento médio de 45% nos Embraer da nova aérea representa uma participação de mercado apenas marginal. Mas não há dúvida que, ano passado, quando definia os objetivos comerciais da sua companhia, David Neeleman não poderia prever os problemas mundiais que a partir de outubro atacaram também o mercado doméstico brasileiro.
Fazendo as contas, ficaria como possibilidade para conquistar mais tráfego aéreo a redução das tarifas. Tarifas, aliás, inflacionadas por aumentos que visaram compensar a violenta subida do preço do petróleo, mas que permanecem sem alterações depois da caída vertical de sua cotação internacional. E´ verdade, também, que a valorização do câmbio do dólar encareceu os custos de vários itens das atividades dos transportes aéreos, deixando uma margem relativamente pequena para aliviaras as despesas operacionais. Conter a oferta e maximizar a utilização de assentos é, ainda, a opção mais racional, se a conjuntura não apresentar perspectivas de mudanças no curto prazo. A vinda de mais aviões novos, quatro para a Gol e cinco para a Tam, que dedicará dois deles ás viagens internacionais, representará mais custos, se a sua utilização não for adequada, mas talvez seria um erro pior transferir a data dessas entregas, considerando que sem as aeronaves – no momento em que houver a reação da economia mundial – as aéreas brasileiras terão perdido suas atuais posições privilegiadas na lista dos compradores. O problema é prever a duração da crise.
No setor internacional, as empresas nacionais que operam para o exterior – entre as quais a Tam teve uma participação de mercado de 75,3% - registraram em 2008 um aumento de 25,7% no número de embarques. A Gol, em seus vôos latino-americanos, chegou a 23,8% de participação, ficando os poucos pontos restantes com a aéreas menores. Em dezembro, a caída de 0,1% do tráfego em vôos internacionais, foi todavia uma ducha fria nas esperanças de Gol e Tam, que esperavam numa reação do tráfego. Elas estão agora acompanhando o tráfego do mês de Janeiro algo desorientadas. Em particular, a Tam que está investindo pesado nas rotas dos Estados Unidos e nalgumas da Europa, enfrentando além da acirrada concorrência das maiores aéreas americanas e européias uma serie de fatores meteorológicos adversos, que afastam os passageiros brasileiros, enquanto numerosos estrangeiros alteraram seus planos de férias, á espera dos efeitos dos planos de recuperação econômica em desenvolvimento na UE e nos EUA. E as companhias americanas, beneficiadas pelo declínio do custo do combustível e tendo, em maioria, dedicado 2008 a cortes em sua capacidade de vôo, apostam no equilíbrio do mercado, animando a IATA a prever que terão um modesto lucro de US$ 300 milhões em 2009, depois de perderem cerca de US$ 4 bilhões no ano passado.