TAMBÉM A GRIPE VAI PENALIZAR O TRÁFEGO AÉREO ?

 

A chamada gripe suína, agora “influenza AH1N1”, não surgiu por acaso ou sem aviso prévio. Jornais europeus, dias antes que a informação circulasse na imprensa nacional, reportaram que tudo teria começado numa pequena comunidade mexicana, próxima da maior criação de porcos do mundo, onde nos últimos três meses surgiram indícios de que algo de anormal estava acontecendo. Foi no vale Del Perote, a uns trezentos quilômetros de Cidade do México, no caminho para Vera Cruz, que a comunidade La Gloria de repente viu cerca de quinhentos seus moradores adoecerem por problemas respiratórios e dois meninos morrer de pneumonia. Houve protestos públicos, foram divulgados na área cartazes com a imagem de um porco e a escrita “periglo”. Perigo aonde ? No vale onde se encontram as “Granjas Carroll” que, depois de expulsas dos estados da Virginia e da Carolina do Norte, nos últimos quinze anos desenvolveram no México a maior criação de suínos do mundo. São cerca de um milhão de animais, que segundo os moradores de La Gloria contaminaram as águas do vale e inquinaram o ar. As “Granjas Carroll”, agora de capitais mexicanos e norte-americanos, rejeitam a acusação, apresentando as fichas de todos seus funcionários, dos quais nenhum teve algo parecido com as doenças que ocorreram em La Gloria. E documentam que seus porcos são vacinados periodicamente contra a gripe pelo laboratório Pfizer. Segundo as autoridades, a influenza teria sido trazida no México por imigrados asiáticos. Ou por um mexicano que voltou dos Estados Unidos, infectou a esposa e esta transmitiu a doença ás mulheres da pequena comunidade. Em todo caso é excluído que o vírus passou dos suínos para os homens.

 

Entretanto, se a gripe não tem origem comprovada, permanecendo apenas o fato que os primeiros casos se desenvolveram no México, as possíveis conseqüências de sua difusão em outros países alarmaram o mundo. Mas há muitas esperanças, depois que as estatísticas de última hora evidenciaram que a sua gravidade seria bem menor, inclusive no México, onde os 908 casos suspeitos se reduziram para 397 , com um total de 16 mortes. No resto do mundo as pessoas infectadas totalizariam 615, mas em numerosos casos se trataria de um novo tipo de gripe, cujas características ainda não foram identificadas. E se o numero de pessoas infectadas cresceu, o de falecimentos diminuiu. A própria World Health Organizations, que havia alarmado com a possibilidade de uma iminente pandemia, não quer comentar essa notícia, afirmando que ainda está investigando. E segundo o parecer de especialistas em doenças infecciosas ,como o Dr.William Schaffner, da Vanderbilt University, haveria sintomas indicando que o surto é bem menor de quanto inicialmente se pensava .

 

Mas os temores permanecem e o destino quis que, sem comprovação, se identificasse nos transportes aéreos, já penalizados pela redução do número de embarques em conseqüência da crise econômica e financeira que domina o mundo, um dos mais aleatórios e perigosos meios de difusão da gripe. No ambiente fechado das cabines das aeronaves, passageiros na fase mais perigosas da doença, ainda não totalmente revelada pelos sintomas, poderiam se transformar em transmissores dos vírus que depois seriam espalhados na cidade de destino do vôo.

 

Até agora não houve recomendações da OMS, a Organização Mundial da Saúde, alertando usuários e empresas sobre a conveniência de reduzir ou cancelar certos vôos, mas foram sugeridos cuidados naquelas rotas e destinos onde apareceram casos suspeitos. E os receios dos passageiros são maiores se haviam programado de viajar para o México ou os Estados Unidos, aos quais se acrescenta agora a Espanha por ser um dos destinos mais procurados pelos mexicanos que visitam a Europa. Isso tem causado ás empresas que operam essas rotas dramáticas reduções nos embarques.  Mas também as viagens para outros países estão sendo parcialmente afetadas, como já aconteceu em 2003, quando se registrou o surto da epidemia chamada Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que depois de atingir em particular as empresas aéreas da Ásia, chegou até Toronto, onde levou a local Air Canadá á concordata.

 

Mas neste momento é difícil prever se o tráfego internacional exigirá medidas mais sérias, quais a redução compulsória das freqüências de parte das aéreas, a implementação de instalações adequadas nos aeroportos, controles sanitários e até medidas preventivas nos embarques, desembarques e a bordo. Todavia já se sabe que o sistema de ar condicionado das aeronaves tem efeito bactericida, mas que para isso precisa ficar ligado desde antes do embarque dos passageiros até o momento em que eles deixam a aeronave. E que havendo a suspeita de que o viajante sentado na poltrona ao lado pode ter sintomas da influenza, é recomendável abrir a válvula individual de ar condicionado e dirigir o jato na direção do próprio rosto. Mas a mais aguardada por todos é a confirmação da evolução benigna do número e da gravidade dos casos de gripe.

 

Em caso contrário, se as novas tensões não pararem, além de prejudicar o prazer de voar, seus efeitos negativos para a indústria serão refletidos nos balanços vermelhos das companhias. E mais uma vez ficará evidenciada a estrita dependência dos serviços aéreos das incógnitas de conjunturas adversas, nacionais ou internacionais, sem qualquer responsabilidade ou possibilidade de prevê-las. Por isso, desta vez, no auge da crise, nesta época de ajudas bilionárias distribuídas á maioria dos setores econômicos, talvez seria a hora de incluir na lista também as empresas aéreas, penalizadas sem culpas.