O início da história que o
vento levou (Capítulo final)
O
INTRIGANTE NASCIMENTO DA VARIG
O fato de não ter publicado as considerações do anônimo Plato sobre Hélio Smidt, Rubel Thomas e outros ex diretores da Varig, tem provocado quase uma centena de e-mail, dos quais muitos de protesto. “História é história”, afirma um dos críticos de nossa decisão, “ e deve ser divulgada, para proximamente compor o grande mosaico que contará acontecimentos, personagens, acertos e erros da maior empresa aérea do país”. Nossa resposta foi : “Seu ponto de vista é correto, Mas nem sempre as versões de fatos, supostamente históricos, tem destaque na apreciação das ocorrências, se carentes de comprovação.E, quando focam ações individuais, sem testemunhas podem cair no anedotário e, dependendo da gravidade das afirmações, podem ser ofensivas e sujeitas à reação judicial do nomeado.”
De fato, não havendo como comprovar os acontecimentos atribuídos por Plato a um ou outro diretor, optamos por não publica-los, para não assumir a responsabilidade legal das considerações pessoais do autor.
Mas há outros acontecimentos no texto de Plato que merecem divulgação. Bem mais consistentes, de valor histórico por citarem personagens, datas e eventos, focam o intrigante nascimento e as dificuldades encontradas pela Varig em seus primeiros 20 anos de existência. Com eles encerramos os capítulos anteriores,dedicados à divulgação de novos detalhes de uma história que, um dia, alguém contará do começo ao fim.
A Varig foi fundada no dia 7 de maio de 1927, pelo oficial
aviador da Força Aérea Alemã (Luftwaffe) Otto Ernst Meyer, mas deve ser grifado
que sua história não somente é parte essencial do nascimento da aviação
comercial no Brasil, como também expressou o desenvolvimento econômico do sul do
Brasil. As origens da Varig antecedem a data oficial, vindo de 1924, com
a criação do Condor Syndicat na Alemanha, pelo engenheiro e aviador Fritz
Hammer, por Peter Von Bauer e pelas empresas Aero Lloyd e Schulbach Teimer. A
intenção do grupo Condor Syndicat era estabelecer uma ligação aérea entre os
Estados Unidos e a Colômbia, via América Central. Em 1925, Hammer
organizou uma viagem experimental entre a Colômbia e Palm Beach, Florida, utilizando
dois hidroaviões, um dos quais, com prefixo D-1012 foi batizado posteriormente
de “Atlântico”. Além de estudar a rota, o objetivo da viagem era promover a
recém inaugurada indústria aeronáutica da Alemanha no continente americano.
Entretanto, quando em 1926 foi criada a empresa alemã Lufthansa,
o Condor Syndicat saiu do mercado, para renascer em 1927 no Brasil com o nome
de Syndicato Condor. Ele representava a empresa Lufthansa no Brasil, tendo como
principal objetivo o estabelecimento da ligação aérea entre o Brasil e a
Alemanha. Naquela mesma época, Otto Ernst Mayer iniciava estudos para a criação
de uma empresa de aviação no Brasil, contando com o apoio de nomes influentes
no governo do Estado do Rio Grande do Sul. E quando veio ao Brasil a aeronave
Dornier Waal “Atlântico”, que fora adquirida pelo Syndicato Condor, Meyer
percebeu que seus planos estavam prestes a se concretizarem.De fato, quando em
1927 o Syndicato Condor começou a operar, dele nasceu a SACSUL, ou seja, a
empresa Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul.
A primeira reunião para discutir a criação de uma nova empresa –
ainda sem nome - aconteceu em 1 de abril de 1927 na associação comercial de
Porto Alegre. Na mesma semana, um anúncio publicado pelos dez sócios-fundadores
convidava novos acionistas para tomarem parte do empreendimento.
No dia 7 de maio foi realizada a primeira assembléia geral, com
a participação de 550 acionistas, que elegeram os seguintes diretores: Otto
Ernst Mayer (Diretor Administrativo); Rudolf Cramer von Klausbruch (Diretor
Técnico) Fritz Hammer, Albert Bins (Diretor do Conselho Fiscal), e os
conselheiros Carlos Albrecht Jr., Max Sauer e o Barão Von Dudenbroch. Dessa
forma era criada a VARIG, sendo que, do capital inicial da empresa, 21%
pertenciam ao Syndicato Condor, valor esse representado pelo Dornier Waal prefixo
P-BAAA batizado de “Atlântico” e pela aeronave Dornier Merkur prefixo
P-BAAB batizada de “Gaucho”. Três anos mais tarde, em 1930, o Syndicato Condor se
retirou da nova empresa e transferiu a sua quota de participação para o governo
do Estado do Rio Grande do Sul.
Desde 10 de maio de
Com o enfraquecimento do Syndicato Condor a Varig buscou o apoio
do governo do Estado do Rio Grande do Sul para expandir suas operações. Foi o
governo Gaúcho que ajudou a construir um campo de pouso em Gravataí e alocou
fundos para edificar um hangar, assim como liberou verbas para a compra de
novas aeronaves (quatro Junkers F-13 para transporte de passageiros;
dois Junkers A-50 para transporte de correio). Anos mais tarde,quando estourou
a guerra mundial, aconteceria um fato importantíssimo para explicar o peso que a
política internacional exerceu sobre o Brasil: em 1940 o Syndicato Condor, que
controlava a parte operacional da aérea, havia decidido adquirir para a Varig
aeronaves Focke-Wulf FW 200, que poderiam ser facilmente convertidas