OUTRAS
HISTÓRIAS QUE O VENTO LEVOU
(2º capítulo)
O historiador anônimo, que se identificou com o nome de “Plato” tem
mantido contato, via e-mail, com a Aeroconsult, mas sua identidade permanece
desconhecida. Ele ficou surpreso ao saber que, sem querer, estava usando o nome
de um ex-comandante da Varig, hoje com 80 anos de idade. Assim, com a sua
concordância, vamos continuar a publicação de sua história da Varig, apenas
parcialmente reestruturada, para eliminar os trechos de nosso artigo “Histórias
que o vento levou”, inspirador do texto assinado Plato. Dessa maneira, fatos e
nomes citados tem mais continuidade temporal, reunindo
e valorizando informações que focam acontecimentos da mesma época.Em
conseqüência do comprimento do texto, serão necessários quatro ou cinco
capítulos para divulga-lo na integra,pois também a parte inicial, dedicada ao
nascimento da Varig, contêm detalhes que merecem ser conhecidos.Eles encerrarão
esta história, apesar de representarem seu início.
CRESCENDO
PASSO A PASSO
A vida de Rubem Berta não se resumiu nos fatos contados no
primeiro capítulo. Em todas circunstâncias,quando eram necessárias iniciativa,
agilidade mental e firmeza, ele não vacilou. Por exemplo, quando chegou a hora
de voar mais alto, saindo da América do Sul para destinos de outro hemisfério,
ele colocou em primeiro plano o vôo para Nova York. Sabia que tinha pela proa a
formidável Pan Am. A então modesta empresa brasileira teria de se superar para
poder competir. Foi então que o Sr. Berta contratou no Rio de Janeiro o Barão
austríaco Max Von Stuckart, que comandava um dos melhores restaurantes da
cidade, o lendário Hotel Vogue
Von Stuckart, na melhor tradição de classe e sofisticação
austo-húngara não fez por menos: em breve as galleys dos Connies acomodavam
iguarias como lagostas ao Thermidor, faisões, omelets aux fines herbes (feitas
na hora) latas da caviar Malossol. Grandes vinhos fluíam nas cabines com a
mesma desenvoltura que os Constellations lutavam para se firmar no ar com os
quatro ventiladores. Eram vôos de mais de 26 horas desde Porto Alegre até o
pouso em Idlewild, com escalas
Depois, em 8 de julho de
Com o advento da era do jato, no final da década de
Em 18 de novembro de 1961 foi iniciada, também com Boeing
Competindo com a poderosa PAN AM, a Varig saiu-se muito bem, com
um serviço inigualável para aquela época.
Vale lembrar, que quando o presidente da Real, o comandante
Lineu Gomes da Silva decidiu em vender a Real/Aerovias, a sua empresa aérea
procurou a Varig, e o Sr. Berta achou que incorporar
uma empresa que era bem maior que a Varig não seria problema. Só assim as
linhas da Varig se expandiram para o exterior tão rapidamente.
Em
Dois anos mais tarde, com a falência da Panair do Brasil a Varig
assumiu suas linhas, aviões e funcionários, recebendo duas aeronaves Douglas
DC-8 e passou a operar para o continente europeu. A controvertida falência da
Panair do Brasil em fevereiro de 1965, foi talvez o ponto mais discutível na
historia da Varig. A Panair fora criada como subsidiária da PANAM juntamente
com outra subsidiária operando no Pacifico, a PANAGRA. Em
A Panair do Brasil, sob o controle dos
empresários brasileiros, gozou de bastante
prestigio entre os passageiros, por alguns anos, mas estava em decadência nos
anos 60, com dívidas que excediam 8 milhões de dólares. E, para culminar,
três terríveis acidentes ocorreram no período de um ano com aeronaves da aérea:
em 1 de novembro de 1961 em vôo de Lisboa para o Rio de Janeiro, falha da
tripulação causa acidente com DC-7, vitimando todos os seus 45 passageiros e
tripulantes perto de Recife. Em outras circunstâncias, no Rio de Janeiro, em 15
de agosto de 1962 quando um DC-8 novo em folha não conseguiu decolar e
submergiu nas águas da baia da Guanabara, resultando em 15 vítimas fatais. Em
14 de dezembro do mesmo ano, um Lockheed L-049 Super Constellation acidentou-se nas cercanias de Manaus,
vitimando todos seus 50 ocupantes.
Em 1965 os
laços de amizade de seus proprietários com o ex-presidente Juscelino Kubitschek
não eram bem vistos pelo então governo militar. E parece que a política teve
seu peso, se é verdade que o Sr. Berta confabulou com os generais para que o
governo decretasse a falência da Panair do Brasil. As ocorrências foram tão
inusitadas, que horas após o anuncio do fechamento da empresa, a Varig já
estava operando as linhas da ex-concorrente. (O
próximo capitulo será publicado no domingo 18 de
novembro)